Namorar só se for com o chinelo do teu pai!!!

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Outro dia minha amiga veio passar o dia comigo, aqui no Sítio da Comunidade onde eu moro. Veio ela e sua filha de 5 anos.Num determinado momento disse à ela que relaxasse, soltasse um pouco a menina e deixasse ela comer na mesa das crianças. Meio que de nariz torcido ela aceitou. De repente escuto meu amigo, morador da comunidade, dizendo à menina “O quê? Que história é essa que namorar deixa a boca rachada? Deixa a língua rachada?” E a menina insistia que sim, que deixava. Ele continuou, dizendo “olha as pessoas que estão aqui. Ninguém tem a boca nem a língua rachada e olha que aqui todo mundo namora bastante.” E finalmente ele perguntou “Tu gosta de abacaxi?” E a menina disse “Simmmmm, muito”e ele “Pois namorar é dez vezes melhor do que abacaxi.” Gente quem é que fala isso para uma criança? Muito difícil! Normalmente escutamos absurdos como esses de que namorar deixa a boca e a língua rachadas. Namorar só com o chinelo do teu pai. Não sabe nem limpar a bunda direito e já quer namorar. A menina quando transa muda o corpo.E a menina cresce com medo. Afinal o dia que ela transar, todo mundo vai saber. Tenho uma amiga que só foi transar pela primeira vez depois dos 18 anos por escutar essa frase quando era criança!

Outro dia também, na escola onde trabalho, com uma turminha de crianças de 6 anos, veio a menina reclamar de um menino, dizendo que eu deveria deixar ele de castigo por que queria dar um beijo na boca de outra menina.Certamente ela esperava que eu fosse reprimir o menino. Aí eu disse pra ela que não o deixaria de castigo, que tudo bem ele querer fazer isso. E ela “Mas profe a gente é criança.” Quando ela disse isso bateu forte no meu moralismo. Olhei para os lados para ver se não tinham mais adultos em volta, por que dificilmente outro adulto aprovaria minha atitude. Então eu respondi pra ela baseado no que acontecia comigo quando eu era criança e disse “tudo bem. Qual é o problema de dar um beijinho na boca?Eu quando era criança tinha um menino que eu gostava de dar um beijinho assim na boca dele, beijar é bom, é um carinho gostoso.”E essa menina ficou me olhando, de boca aberta, com cara de embasbacada, como se eu fosse de outro planeta. Parece mentira mas muitos pais beijam os filhos com selinho na boca, mas não aceitam que duas crianças deem uma bicotinha.

Lembro também da minha amiga contando do dia em que sua filha, de 7 anos, tinha ficado com a avó. A menina estava no banheiro, tomando banho e encostando a mangueira do chuveirinho na vagina. A avó chegou e reprimiu a menina dizendo que a vagina servia só para fazer xixi. Felizmente ela pode contornar a situação, já que a avó apavorada foi contar que a menina estava fazendo esse tipo de coisa e que tinha que ver o que estava acontecendo com ela. Aí a minha amiga pôde dizer pra sua filha que a vagina não serve só para fazer xixi. Também é para a gente sentir prazer.

Quantos danos…Quando na vida escutamos que namorar é bom?Que é gostoso?Que é dez vezes melhor do que abacaxi?Que a vagina serve para sentir prazer. Eu sei como as coisas funcionam. Outro dia na escola também estava contando a história dos três porquinhos para as crianças e me dei conta do quão reacionária essa história é. O porquinho que constrói a casa de tijolos é aquele correto, que se dedica dia e noite ao trabalho duro e tem um final feliz e sossegado dentro da sua casinha segura enquanto que os outros irmãos, cujo estereótipo são porquinhos que gostam de dançar e tocar violino se dão mal, pois são preguiçosos e construíram suas casinhas de qualquer jeito, já que só queriam curtir a vida. O sucesso está associado ao trabalho, sem prazer, sem alegria. Se ficarmos a vida cantando e dançando seremos vagabundos, sem futuro, sem dinheiro e sem casa. Logo a vida tem que ser essa dureza mesmo. Prazer pode te levar para o mau caminho. Mesma intenção da história A cigarra e a formiga. Gente nós crescemos acreditando nessa merda!!! Então eu resolvi começar a inventar em cima da história dos três porquinhos. Num determinado momento falei que um deles tinha quatro namoradas. Aí foi um alvoroço na sala de aula “Quatro namoradas professora!!! Então ele traia elas”Ai eu disse que não, que elas sabiam e que elas também gostavam de outros porquinhos e tal.De repente um menininho saltou e disse que ele também tinha duas namoradas, que ele já tinha beijado na boca e que ele já tinha até transado.Bom, quando ele disse isso dentro de mim veio uma voz “ta bom turma vamos mudar de assunto”.Mas ai lembrei que outras crianças que conheço que  também brincam de “transar”, de namorar. E eu tenho um puta moralismo, uma puta dificuldade de aceitar isso. Qualquer pedagogo ou psicólogo infantil afirma com toda certeza a importância das crianças representarem através dos jogos simbólicos o mundo adulto. Por isso brincam de casinha, por exemplo, de escritório, de dirigir. Então por que não podem brincar de namorar? É óbvio que é do jeito deles, estão se descobrindo, estão brincando. Provavelmente as crianças tem que brincar de médico escondido por que o sexo em casa é escondido. E eu não estou dizendo para ninguém fazer sexo explicito em casa na frente dos filhos, não me interpretem mal.

Eu na minha descoberta como mulher, trabalhando minhas questões mais profundas na terapia, a respeito da minha sexualidade, fui conversar com a minha mãe. Pois o modelo que eu tenho de amor é apenas casamento, família. Mesmo sem amor e contato humano. Questionei o porquê de nunca ter visto ela e meu pai se beijando, trocando carinho e nem escutado eles transando quando eu era criança. Ela me respondeu que sempre procurava fazer bem rápido, quando a gente já estivesse dormindo e cuidando muito para não fazer barulho. Gente pai e mãe tem que transar assim pros filhos não escutarem. Que tortura!!!E eu cresci sem essa referencia de que barulho de sexo é natural, que sexo é natural, é bom e está incorporado na vida da gente. Que é tão importante quanto trabalhar e ganhar dinheiro. Não estou dizendo para você agora sair dizendo pros teus filhos olha filho sexo é bom, namorar é bom. Mas para você refletir sobre. Teus filhos estão crescendo com que ideia a respeito da sexualidade?Quais foram os conceitos que tu construiu a respeito da tua sexualidade e de que forma isso interfere no teu prazer? Olha que mesmo pensando e me trabalhando muito a respeito disso, quando surge essa discussão com meus alunos eu normalmente sinto um nó na garganta e tenho que atravessar todo o meu moralismo, o meu reacionarismo e minhas repressões e passar para eles a ideia de que é natural, é bom e é uma forma bonita de contato humano.

E se nós apenas permitirmos que a natureza siga o curso natural das coisas? Vivo num sítio onde as crianças são criadas de forma selvagem. Sobem em árvores, sujam os pés no barro, caçam minhocas e outros bichos. Eles crescem seguindo seus instintos naturais. Também brincam de namorar. Claro, isso por que, muitas vezes eles veem os pais namorando. Às vezes escutam dos pais que não vão ficar com eles por que vão namorar. Para eles isso é normal, não é pecado, não é abafado. Palavras como namorar e transar não são coisas ruins ou sujas. É algo que os pais curtem fazer e está incorporado à vida deles. Então as crianças ali brincam de namorar como brincam de correr ou outras coisas. Eles também estão crescendo incorporando essa ideia na vida deles. Não vão crescer com medo de sexo, de contato humano, do amor. Imagina a diferença que isso vai fazer na vida deles?Imagina a diferença que poderia ter feito na tua vida se tu crescesse escutando que namorar é bom ao invés de: Cuidado, se ficar mexendo no pinto ele vai apodrecer e cair.

Por Manindra

 

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O amor é lindo…Mas por que a gente acha que é feio?

Outro dia estava fazendo um grupo de sexualidade no Namastê e tive uma experiência bem profunda a respeito da minha sexualidade que tenho certeza que provavelmente seja a realidade de muitas mulheres. Nesse grupo fiz exercícios simples que trouxeram muitas verdades a meu respeito. Primeiro no aquecimento tínhamos que dançar uns com os outros de uma forma sensual, revelando nossa sensualidade através

da dança. A princípio isso parece uma coisa bem simples, afinal essa é uma energia natural. Só que não!Percebi em mim e em muitas pessoas que estavam no grupo um sentimento de vergonha. Depois de me dar conta disso fui conseguindo relaxar, até que estava dançando de uma forma fluida, me sentindo muito feminina e sensual. A partir daí percebi que alguns homens com quem dancei se sentiram constrangidos, não conseguiam me olhar nos olhos, olhavam para o chão, ficavam sem graça.
No próximo exercício cada um tinha que deitar e olhar um ponto no teto e só respirar levando o ar até a pélvis. Simples assim. Quando comecei a respirar senti muito medo da minha energia sexual. Senti o quanto essa energia causa desconforto nas pessoas à minha volta e em mim mesma: me mostrar sensual é errado, incomoda. A partir daí conectei com várias lembranças da minha infância e adolescência e sentimentos relacionados à elas. Quando eu tinha 4 anos de idade estava no banheiro com meu primo, da mesma idade que eu. Estávamos nos tocando, descobrindo nosso corpo e sensações boas. Mas para fazer isso tivemos que despistar os adultos, nos trancar no banheiro até que alguém chamou o nosso nome e saímos correndo apavorados pois sabíamos que estávamos fazendo alguma coisa errada.Com apenas 4 anos já sabíamos que sexo era errado!
Quando eu tinha por volta dos 10/11 anos morava em um condomínio e tinha muitos amigos da minha idade. Lembro que para mim e minhas amigas a vida girava em torno de duas coisas essencialmente: a primeira menstruação e o primeiro beijo. A sexualidade era o que movia todo o frisson da gurizada. Era o menino novo que chegou no bairro, as reuniões dançantes, se alguém já tinha passado a mão em ti. E o primeiro beijo. O primeiro beijo era o assunto mais em voga. Quem já tinha beijado de língua, quem não, quem beijou, como que foi. Quem não beijou queria muito beijar mas como que ia beijar sem o guri perceber que tu era virgem de boca? Então a gente treinava no espelho, treinava mordendo uma mação pois quem já tinha beijado dizia que beijar de língua era igual morder uma maçã. Meu Deus era muita excitação, e uma expectativa muito grande, um desejo muito grande de experimentar, se descobrir. Nossos corações davam arrepios, nossas mão suavam. Lembro que a gente ficava depois da escola sentadas numa escadaria do condomínio e não tinha outro assunto. Era quem gostava de quem, quem fazia “os lados de fulana com beltrano”, ou quando aquele guri que a gente achava muito gatinho passava e a gente ficava mudas esperando e depois que ele passava era um kkkkk. Como era lindo tudo aquilo, como era genuíno, espontâneo. Mas como fizeram a gente acreditar que era feio. No dia que fui dar meu primeiro beijo tivemos que montar um esquema de segurança blindado. Tudo acontecia atrás dos blocos de apartamentos. Justo naquele dia minha mãe estava com um mal humor do cão. Graças às minhas amigas que imploraram pra eu ficar mais um pouco na rua consegui beijar meu amado na boca. Mas era tudo tão complicado que acho que aquele beijo não durou nem 30 segundos e saímos os dois correndo disparados um para cada lado. Para mim foi um momento de glória, eu tinha perdido a virgindade da boca. Porém uma culpa gigante montou sobre os meus ombros e eu fiquei mais de um mês com a cabeça quente preocupada pois em algum momento eu achava que tinha visto a vizinha do terceiro andar na janela e ela era amiga da minha mãe. Nesse mais de um mês cada vez que eu entrava em casa ficava muito tensa que minha mãe viesse pra cima de mim me cobrando pelo meu delito.
Além disso, meu namoro com esse menino era uma coisa tão ingênua. Nós ficávamos a noite toda no banco conversando e conversando. Ficar perto do guri só olhando ele já era o máximo. Depois quando a gente subia pra casa eu ia na janela do quarto e ele na janela da cozinha da casa dele, era bem longe, e dávamos um tchauzinho. Era muito bom. Mas minha mãe marcava cerrado em cima. Pra gente conseguir ficar sozinhos tinha que ser meio escondido e quando a mãe encontrava… Minha mãe não costumava me bater. Ela nem precisava falar nada só com o olhar e a cara de braba eu já sabia que era para subir e nunca mais chegar perto daquele garoto. Um crime.
Lembro que uma vez eu estava subindo as escadas e um menino que eu achava muito lindo veio atrás de mim. A gente ficou se beijando no escuro. E ele estava com muita vontade de passar a mão nos meus seios. Eu também estava com muita vontade que ele passasse a mão. Mas eu jamais poderia aceitar uma coisa daquelas pois como minha mãe dizia “esses guris são muito gabolas, vão contar pra todo mundo e só querem se aproveitar de ti”. Se eu deixasse ele passar a mão e se ele contasse pra todo mundo eu poderia ficar falada no condomínio. E ficar falada era a pior coisa que poderia acontecer na vida de uma guria. De uma guria! Uma verdadeira desgraça. Era melhor tua mãe morrer do que tu ficar falada. Talvez tu tivesse até que se mudar do condomínio e eu não estou exagerando. Teve famílias que se mudavam pois as filhas tinham fama de galinhas. Gente que mal poderia ter nisso? Tinhamos 11 anos de idade. Nós não íamos transar nem nada era só um momento de descoberta de prazer no corpo, o que pode ter de errado nisso?
Quando eu tinha 16 anos fui falar com minha mãe que queria ir ao médico tomar pílula pois queria transar. Na verdade eu já tinha transado. Mas não tinha nenhuma abertura para falar sobre isso. Apenas sobre as precauções a serem tomadas. Lembro que no dia que ela me levou no médico parecia que estava levando a filha para o sepultamento, para tomar a extema unção, uma tensão filha da puta e eu, já arrependida, achando que nem deveria ter falado nada mesmo. Poxa num momento como esses não poder contar com o apoio da mãe é foda!!!
Conectando com meu passado e com todas essas sensações percebi que levo todo esse medo, toda essa tensão pra cama, pra vida. Quando escondo minha sensualidade vou me enfeiando para não chamar muita atenção, para não incomodar os homens, não gerar problema. Outro dia estava numa festa e estava bem arrumada, coloquei um vestido sensual. Veio um amigo de brincadeira e passou a mão na minha bunda. Na minha cabeça já veio… Tá vendo só, quem manda se vestir assim… Essa é a origem do machismo de que mulher que anda de mini saia pode ser estuprada, por exemplo. E toda a sociedade é conivente com isso. Fico pensando nos meus pais e naquelas famílias do condomínio onde eu me criei e, gente realmente, eram as mulheres adultas que falavam mal das meninas mais sensualizadas e arrastavam seus nomes na lama. Imaginem a vergonha de uma menina que ficava falada ao passar pelo condomínio? Passava de cabeça baixa. E todas as outras meninas deviam parar de se relacionar com elas, afinal de contas eu ouvia muito a frase: “Diga-me com quem andas, e te direi quem és!” A sexualidade jamais era encarada de uma forma natural e espontânea. Era sempre um crime, uma coisa suja, feia. Nas reuniões dançantes a gente era obrigada a manter uma distancia regulamentar dos meninos. Lembro que uma vez deixei um menino me dar uns amassos. Meu Deus!!!Todas minhas amigas se voltaram contra mim. Minha mãe não veio falar comigo diretamente mas mandou uma amiga mais velha do que eu me dar um sermão. E eu fiquei me sentindo muito, mas muito errada.
E ai…como hoje isso influencia no meu prazer? Uma das coisas que sinto dificuldade é em prolongar o tempo da relação sexual. Sinto que tenho uma tensão constante, que é difícil de relaxar e muitas vezes fico querendo que a transa acabe logo. Igual como eu aprendi. Tudo tinha que ser rápido, se demorar mais tempo pode dar problema, podem me pegar. Essa tensão ainda está ai. Sinto também a tensão de estar fazendo alguma coisa errada e às vezes simplesmente não consigo relaxar em estar ali com uma pessoa tendo uma troca. Além disso, sinto dificuldade de ter orgasmos mais prolongados. Algumas vezes consigo ter esse deslumbre e hoje quando tenho um orgasmo sinto aquele prazer e aquela vibração se espalharem por todo o meu corpo. Mas sei que poderia sentir muito mais e por mais tempo essa sensação. Acredito que não consigo pela mesma razão. Quando era adolescente e me masturbava muitas vezes minha mãe dava uma incerta, batia na porta e perguntava o que eu estava fazendo. Então eu tinha que me masturbar e gozar rápido ao invés de ter um relaxamento em descobrir o meu prazer. Mas me pergunto por quê? Afinal de contas se estamos nessa fase querendo descobrir o prazer é por que é uma coisa natural, genuína. Mas nos foi gerada uma tensão de que era um crime. Conheço pessoas que nem se masturbavam na adolescência e que tem muita dificuldade em sentir prazer com seu próprio corpo.
Infelizmente na escola tivemos aula de educação moral e cívica ao invés de educação sexual. Tudo o que aprendemos foi por nossa conta e RISCO! Por isso penso que devemos ir cada vez mais em busca do nosso prazer, quebrar os tabus, os moralismos, os medos. Lembro que antes de fazer bioenergética eu ouvia muito falar em orgasmo vaginal e orgasmo clitoriano. Eu sabia que meu orgasmo era clitoriano e tinha curiosidade. O que era o ponto G? Será que ele tinha alguma coisa a ver com orgasmo vaginal? Mas com que eu iria conversar sobre essas coisas? Que experiências sexuais as mulheres com quem eu convivia tinham para trocar comigo? E a vergonha de falar sobre a sexualidade? Depois de fazer alguns exercícios pélvicos de bioenergética consegui sentir orgasmos vaginais e partilhar minha experiência com outras mulheres que estavam nessa mesma busca que eu. E senti a diferença no meu corpo. Orgasmo clitoriano é bom, mas é superficial, localizado na vagina e normalmente eu sinto como uma descarga, depois tenho sono e vontade de parar de transar. Orgasmo vaginal é profundo, vem de dentro, aumenta a sensação de prazer no corpo, aumenta a energia sexual, aumenta a tesão. Por tudo isso sinto que vale muito a pena buscar me descobrir, atravessar meus medos e querer sempre mais.

Por Manindra

O medo é uma armadilha que prendeu o amor

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José Angelo Gaiarsa – fragmento do livro Sexo Reich e Eu

Era uma vez um rato que de repente se encontra em uma gaiola. Ele estava faminto e logo que entrou sentiu o cheiro do queijo. O queijo estava bem no centro de um estranho prato circular.  E quando, de água na boca e coração batendo rápido de antecipação, ele tocou o prato com uma das patas, levou um choque elétrico violento que o fez dar uma pirueta no ar.

Logo que tocou o chão, correu para o canto da gaiola mais distante daquilo que mais queria. E lá ficou até que a fome, crescendo, foi lhe dando coragem para outra tentativa. E ele se achegou, e levou outro choque, e deu outra pirueta de tortura e de novo se recolheu ao canto distante da gaiola. E ficou esperando, esperando, esperando, até que a fome o iludiu de novo e ele voltou, e se machucou, e fugiu…

Ficou muitas horas assim, indo e vindo entre a fome e a dor, entre a fome e o medo, entre o medo e a esperança de comer. Mas a cada novo ensaio o rato parava um pouco mais longe do canto afastado e um pouco mais próximo do prato fatídico. Por fim aquietou-se a uma pequena distância do prato, mas sem tocá-lo!

O visitante que chegasse ao laboratório nesse momento se encantaria com o ratinho tão bem-educado que se mantêm assim, tão quietinho tão próximo a um naco de queijo! Sua surpresa seria muito, porém, se ele tentasse fazer com que o rato se mexesse. Tudo se passaria como se o bicho estivesse pregado no chão. E o visitante ficaria muito perplexo. Tudo tão lógico não é?

É assim que me sinto diante de uma mulher, desde que nasci. Espero que para o leitor tenha sido diferente. Mas não creio, nem que o leitor jure. Vamos falar então de nossa dor comum.

PROCURE SAIR DESSA ARMADILHA

Por Milan

Ser homem significa não ter medo. Quer dizer, nós somos criados desde pequenos como se não pudéssemos sentir medo. O pior disso tudo é que a gente acha que não tem medo. É quase impossível um homem admitir que tem medo de uma mulher, e desculpe, todos os que eu conheci tem medo de mulher. Eu aprendi comigo mesmo. Eu nunca achei que tinha medo das mulheres, mas eu não entendia porque quando me tocava o coração eu não chegava perto delas. Eu sempre tinha uma justificativa: não me deu bandeira, até que não me interessava tanto… Era muito difícil sentir.

Na verdade eu tinha muito medo da minha mãe, mas muito medo mesmo, pois aquela mulher que eu amava tanto podia me machucar, me ferir.  E isso ela fez muitas vezes . Daí, a cada mulher que tocava meu coração, me vinha automaticamente um impulso dentro que eu não decifrava como medo, mas era um impulso de desviar, de se afastar, de não concretizar. Olha, precisou muita bioenegética para eu sentir lá dentro o medo que eu tinha e como eu transferia isso para todas as mulheres. Como isso foi trágico para minha adolescência e para boa parte da minha vida adulta. Quantos amores eu perdi! Quantos amores! E essa é a coisa mais preciosa, por isso que dói muito. Já detonei muito dinheiro, mas não traz 1% da dor que traz os amores que eu deixei de viver. Que saudade! Por outro lado eu sou muito grato porque eu descobri isso. Eu pude desbloquear meu medo das mulheres e não perdi mais amores. Vivi muitos. Eu só lamento os que eu perdi porque foi muito bom os que eu vivi. Então eu posso fazer essa comparação. Nós homens temos que ter essa humildade e buscar ajuda o quando antes para podermos sair desta armadilha.

Vazio após a transa

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Por Joaquim de Abreu

Aos 20 anos acabei um relacionamento. Acabei nada. Levei um grande pé na bunda. Fui trocado por outro. Eu não acreditava que tinha recebido um fora! Fiquei tão mal que não queria me apaixonar por mais ninguém. Botei na minha cabeça que iria transar com o maior número de pessoas e vezes possíveis. Transava toda semana com novas mulheres, mas toda a mulher que eu ficava não preenchia o vazio que sentia. Eu achava que era uma questão de quantidade, mas toda a transa era a mesma coisa de sempre, era igual a uma masturbação. Até eu estar com a mulher era uma alegria, mas quando começava a transar, perdia um pouco a alegria e pensava em qualquer outra coisa durante o sexo, menos no ato em si. Na real, para mim não fazia muita diferença o tempo da transa.

Eu só transava mais tempo para ficar com uma imagem boa. Mas quando vinha a hora de gozar, eu sentia alívio. E junto uma sensação ruim de asco, de repugnância, uma sensação de que não precisava ter feito aquilo… aí batia um arrependimento de ter trazido ela para minha casa, vontade de fazer ela sumir. Às vezes, eu falava para mim mesmo que era porque tinha bebido demais na noite anterior, mas com o tempo essa sensação foi aumentando, foi acontecendo mais vezes, até que acontecia sempre. No começo, era isso… eu entrava nos meus delírios. Me perguntava porque eu sentia aquilo. Achava que o problema era a mulher que estava comigo. Sempre arranjava um defeito – uma era feia, a outra era chata, a outra eu não conseguia conversar, ou então muito nova, muito velha… eu sempre ia ter uma desculpa. Então, eu fui vendo que não importava quem era a mulher, isso sempre acontecia, e estava perdendo o tesão. Transar, eu transava, mas aquela sensação ruim sempre vinha depois de cada transa.

Um dia, transei com uma amiga que não transava fazia tempo. Era uma amiga e eu a evitava exatamente por isso, para não me apegar. Depois de transar com ela não deu aquela sensação ruim. Eu olhei para ela e deu vontade de ficar junto, de transar de novo ou apenas ficar ali. Isso me deu mais medo ainda. Fiquei estranho, mas escolhi não ver mais ela. Mesmo ela me procurando, inventei algumas desculpas esfarrapadas. Sentia que se eu ficasse mais vezes iria acabar gostando dela. Eu não confiava nela, agia muito impulsivamente, e eu podia acabar me ferrando. Sumi da vida dela. Mas percebi que tinha a ver com a minha escolha de não me apaixonar novamente. Eu escolhi não me apaixonar e o sexo ficou vazio. Entre mexer no coração ou ter sempre as mesmas transas, escolhi as mesmas transas com aquela sensação ruim no final. Com isso, cada vez bebia e me drogava mais. As drogas me davam mais prazer que o sexo.

O que é a sexualidade?

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Por Mateus Rocha

Está aí uma pergunta que durante a maior parte da minha vida sequer passou pela minha cabeça. Nasci e fui criado em um ambiente em que tudo era feito às escondidas. Não via trocas de afeto, não ouvia nem mesmo discussões. Falar sobre sexo, então? Imagina!

Pois é. Assim entrei na minha adolescência sem nenhuma informação que não fosse de revistas pornográficas ou vídeos surrupiados de alguma maneira. Não falava sobre o assunto nem com os meus amigos. Com as revistas era mais fácil, assim podia me esconder e me masturbar mais “tranquilamente”. Ainda assim com muito medo de ser descoberto. O tempo foi passando. Atravessei minha adolescência sem conseguir viver nada, absolutamente nada da minha sexualidade. Morria de medo de chegar nas gurias. Meu primeiro beijo deve ter sido lá pelos 15, 16 anos. Transar? Aos 20 anos! Na verdade, nem posso dizer que foi uma transa – de tanto medo que eu senti. Tinha pânico de ser descoberto. Nem preciso dizer que o encontro foi uma merda, tanto para mim quanto para minha parceira, tamanha a tensão que vivi naquela noite. Depois daquele dia, mais um longo tempo se passou até eu transar novamente. E depois foi igual. Mais uma vez uma tensão enorme – desta vez diluída um pouco após algumas cervejas. O resultado foi horroroso. Muita atrapalhação, ansiedade, brochadas ou, simplesmente, ejaculação em alguns minutos… Eu sentia muita vergonha perto dos meus amigos, por não ter experiência. Eu sentia mais vergonha ainda perto das mulheres, pois minha falta de prática diminuia ainda mais minha auto-estima. Me achava um lixo, tinha vergonha de chegar perto delas, e um medo enorme de ser rejeitado que estava estampado em minha cara.

Foi mais tarde, a partir de meus 24 anos, que comecei a sentir um pouco de prazer no sexo. Minhas primeiras experiências mais “relaxadas” foram com minha primeira namorada. A partir dalí tive momentos de muito prazer e amorosidade. Durante boa parte do tempo em que ficamos juntos, aproximadamente dois anos. Os últimos seis meses da relação foram uma catástrofe. Ainda tínhamos ímpetos de tesão um pelo outro, transávamos, mas já não sentíamos amor um pelo outro. Quando terminamos a relação, senti-me muito decepcionado e frustrado. Jurei para mim mesmo que jamais passaria por aquilo novamente. Daquela “decepção” amorosa, mergulhei num longo período de seca. Não queria mais saber de mulher. Não queria me envolver com ninguém. Fui fundo no meu trabalho, investi todo meu tempo na “minha carreira” e assim passaram-se anos. Eu acreditava mesmo que estava fazendo o que era certo para mim, e para o meu futuro. Mesmo depois, quando a tensão foi relaxando e eu comecei a sair novamente com mulheres, tinha encontros legais, mas que não passavam de “passatempo”. Eram transas rápidas, em que ou eu ou minha parceira tínhamos um breve momento de prazer, e depois dormíamos. Sempre que eu começava a me sentir apaixonado, acabava arrumando uma desculpa e parava de encontrar aquela pessoa. Ou era uma viagem, ou me enfurnava novamente no escritório, trabalhando.

Minhas transas eram como se eu vivesse uma “fissura”, uma vontade de saciar um desejo do corpo e pronto. Como quando me masturbava, tinha um momento rápido de excitação para logo em seguida ejacular e sentir aquele relaxamento. E parava por aí…

Sem me dar realmente conta, assim passaram-se 10 anos da minha vida! 10 anos! Foi quando percebi que algo estava errado, e decidi mudar as coisas. Isso iniciou um longo processo de mudanças na minha vida, entre elas o ambiente em que vivia e em que trabalhava. Passei a mexer mais com meu corpo, praticar esportes, e procurar me relacionar com outras pessoas, indo ao encontro de novas amizades. Além de esportes, comecei a meditar e a olhar profundamente para a minha vida. Basicamente, o fato de mexer com meu corpo e estar em contato com outras pessoas, trocar experiências, histórias e dificuldades, fez com que eu começasse novamente a gostar de mim mesmo, melhorando minha auto-estima e me dando motivação para buscar as mudanças que procurava. E isso refletiu também na minha sexualidade. Fui descobrindo novas sensações… que a transa podia durar mais tempo, que o prazer depois de uma transa poderia ser muito maior do que uma simples ejaculação, além de “detalhes” simples, como a troca de carinho, a excitação que isso provocava, as sensações de arrepio e calor que aconteciam em meu corpo. Sem dúvida, trabalhar o corpo, meditar e me relacionar com amigos, muitos amigos, mudou muitas coisas em minha vida!

Mamãe me ajuda!

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Por Franklin G.

Ainda lembro do verão em que conheci a Laura. Foi o meu primeiro namoro sério e eu estava completamente apaixonado por ela. Na época nós dois ainda éramos muito inexperientes com o sexo, mas é claro que eu nunca admitia isso. Eu ficava tão tenso quando estava sozinho com ela, que nossa primeira vez demorou para acontecer. No fim, foi ela que tomou a iniciativa, mas o nervosismo foi tanto que acabei broxando. Foi a minha primeira broxada e foi muito marcante. Simplesmente deu um nó na minha cabeça: como era possível broxar com tanta paixão e tanto tesão?! Quando estava sozinho em casa, sentia um tesão avassalador e, na presença da mulher que eu amava tanto, a energia morria totalmente.

Nessa época eu não confiava em absolutamente ninguém para conversar sobre o assunto e tive que lidar com tudo sozinho enquanto me sentia, obviamente, o último dos homens. A situação se repetiu ainda duas ou três vezes até que conseguimos ter penetração e, quando finalmente rolou nossa primeira transa… eu ejaculei em menos de 5 minutos! Meses esperando por aquele momento e tudo acabou tão rápido que eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ao menos tinha conseguido manter uma ereção suficiente para que acontecesse nossa primeira vez. Na próxima, haveria de ser diferente, certamente iria durar mais tempo. Mas não durou. A cada nova transa, minha tensão só aumentava e a ejaculação sempre vinha precocemente. Como tinha muita energia, conseguia transar duas, três vezes em sequência, quase sem intervalo (às vezes, quando estava bêbado, até mais vezes). Isso amenizava o problema, mas não resolvia, pois a Laura nunca chegou ao orgasmo comigo. Mesmo assim ela sempre foi muito compreensiva. Compreensiva demais. A situação se repetiu ao longo dos dois anos e meio em que estivemos juntos e ela nunca reclamou. Na verdade, o assunto era tabu para os dois e não nos sentíamos à vontade para falar sobre nossa sexualidade. Eu nunca havia conversado sobre essa questão com ninguém. Achava até que o que estava acontecendo com a gente podia ser normal. Como consequência, nosso amor foi se deteriorando até o dia em que ela me traiu. Foi a desculpa perfeita para acabar o relacionamento e me livrar daquele fardo que eu carregava. Após alguns dias de tristeza e invalidação, se seguiu um sentimento de alívio junto com a certeza de que eu nunca mais queria passar por aquela situação.

Quando comecei a sair com a minha segunda namorada, Catarina, fiz de tudo para me manter numa posição de controle, me sentindo dominante na relação. Dessa vez eu tinha que ser “o cara” e era ela que iria me admirar e depender de mim. À primeira vista, a estratégia funcionou, pois, sem a tensão inicial de ter que agradar, eu conseguia controlar a ejaculação da maneira que eu quisesse. Praticamente eu podia decidir exatamente a hora em que queria ejacular. O sentimento de controle e as transas mais longas melhoraram a minha auto-estima, mas ainda parecia que faltava alguma coisa. Da mesma forma que a Laura não chegava ao orgasmo, a Catarina também gozou poucas vezes comigo. Estava confuso, mas claro que sempre existia a possibilidade de ser um problema dela e não meu. Com o passar do tempo, fui eu que perdi o interesse na relação, me afundei no trabalho e nos estudos e comecei a me afastar cada vez mais dela. O resultado disso tudo foi mais um final melancólico de relacionamento, mas dessa vez com uma diferença: no lugar da sensação de alívio, fui tomado por um sentimento de indignação e a certeza de que eu queria mais pra minha vida.

Resolvi procurar uma clínica

medico com pilula

Caso 1 – Vicente L.

Marquei a consulta pelo 0800. Chegando lá no dia fui encaminhado para uma sala em separado, onde o atendente me passou um formulário com uma breve anamnese da minha saúde. Entrego a ficha e sou encaminhado para o primeiro médico. Me pergunta sobre o meu problema. Há quanto tempo venho brochando, se tenho parceira, se ela sabe que estou na clínica, se é problema em ter ou manter a ereção e se me masturbo. Depois disso, ele me esclarece que o problema pode ser físico ou “psicogênico”, sendo que se precisar de cirurgia, a clínica não cuidará do problema. Então sou encaminhado para os exames.

Outro médico vai e me busca para fazer os exames. Ele começa fazendo perguntas que estão em um formulário no computador, “vamos fazer isso daqui rápido para não perdermos tempo com bobagem”. Faz duas ou três perguntas, não muito diferentes daquelas feitas pelo primeiro médico e vamos para o exame.   Apalpando meu pênis e logo indica que a musculatura está ok. O segundo exame, um ultrassom, verifica que a circulação está normal. Já no terceiro exame, um vibrador com diferentes intensidades na glande, conclui que está dentro dos parâmetros. Depois dos exames, me diz: “seu problema é de origem psicogênica, rapaz. Você está como o jogador de futebol que vai bater o terceiro pênalti depois de ter errado outros dois, vai muito tenso para transar, aí não consegue mesmo. Mas vamos providenciar o tratamento. Vamos te treinar, tirar o goleiro para você bater o pênalti. Depois, vou te avisar que o goleiro somente pulará para o lado esquerdo. Por fim, quando você estiver pronto e confiante novamente, deixaremos você bater sem ajuda nenhuma”. Então me explicou no que consistia o tratamento/treinamento: “enviaremos para a sua residência os remédios que nós mesmos fabricamos para ajudar no seu problema, são dois ansiolíticos e um remedinho para ajudar a circulação”. Ele indicou que precisaria de seis meses de tratamento e o meu problema estaria resolvido. Era só retornar a cada sessenta dias para checar o andamento do tratamento e o resultado da medicação. Simples assim, com três comprimidos ao dia, tudo estava resolvido, nunca foi tão fácil.

Passo para outra sala. O atendente passa a máquina do cartão. R$ 250,00 a consulta. Espero um pouco mais e sou chamado pelo primeiro médico. Ele me questiona, então, se havia ficado claro o tratamento, se havia entendido tudo. Então ele puxa um papel e me apresenta o custo do tratamento: R$ 8.800,00, parceláveis em até dez vezes. Fiquei atônito ao saber do valor, falei que pensei que sairia com uma receita para comprar os remédios, mas ele disse que não, esse não era o procedimento da clínica. Falei para ele que teria que pensar sobre o tratamento, que o valor era muito elevado. Ele me responde: “o senhor é que está com o problema, você é que sabe se vale a pena ou não resolver isso”.

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Caso 2 – Camilo T.

A decisão de ir numa clínica para tratamento de ejaculação precoce não é nada fácil, e se tu decide é porque o negócio já tá incomodando muito, já chegou no limite do desespero. Então vamos lá, respirei fundo e decidi marcar uma consulta na tal famosa clínica especialista em Tratamentos para Ejaculação Precoce, Disfunção Erétil e Falta de Libido.

A promessa para a primeira consulta é descobrir o grau e a extensão de meu problema para, em seguida, sair com uma proposta de tratamento. A clínica teve um cuidado impecável para manter a integridade da minha identidade, tudo é muito discreto. Me levaram para uma salinha de espera que é individual para cada cliente. Ali meu coração parecia que ia sair pela boca, que sensação ruim. Bom, primeiro preenchi um questionário básico com perguntas padrão sobre minha saúde física, histórico de doenças etc.

Após preencher este questionário fui chamado pelo primeiro médico. Fui direto ao ponto, eu disse que tinha ejaculação precoce e que minha namorada estava ficando irritada com esse meu problema. Me perguntou quanto tempo durava a transa, eu disse que no máximo 5 min. Neste momento ele disse que a ejaculação precoce afeta 1 em cada 3 homens sexualmente ativos, e ali eles poderiam me ajudar, que sim, existia um tratamento. E sem muito mais perguntas me colocou para fazer os exames. Pensei, ufa foi rápido. O exame durou apenas 30 segundos. Ele colocou um aparelhinho que emite uma vibraçãozinha na ponta do meu pênis, e pediu para eu avisar quando o aparelho parasse de vibrar. Logo depois usou outro aparelhinho que mediu o fluxo de sangue do meu pênis. E após esses 30 segundos, milagrosamente, o doutor tinha o diagnóstico completo do meu problema e um tratamento! O resultado é: Hipersensibilidade no pênis!

O doutor logo disse que isso é sim um problema que deve ser tratado o mais rápido possível para não ficar mais grave e que, se não tratado, a consequência seria também a disfunção erétil. Na verdade, com o segundo exame, ele me mostrou que eu  já apresentava sintomas de disfunção, devido a um baixo fluxo de sangue no pênis. Na visão do médico o problema é somente físico e o tratamento é uso de medicamentos. Ele traz a solução com muita naturalidade, igual quando um médico te receita um antibiótico ou um anti-inflamatório para curar algum probleminha no corpo.

Quem passa os valores é o segundo médico no qual fui encaminhado pelo primeiro para me dizer como funcionaria na prática o tratamento. E é muito simples, tomar 2 remédios todo dia, e o tratamento teria uma duração de no mínimo 1 ano. Eu teria um acompanhamento, ir 3 vezes na clínica, de 4 em 4 meses, fazer os exames novamente e avaliar se continuo tomando os remedios na mesma dosagem. O valor total do tratamento é R$ 9.000,00. Nessa altura do campeonato eu já nem questionava mais o médico, só disse que precisava pensar e avaliar melhor a proposta. Aí resolvi buscar outro tratamento porque não queria tomar remédio.

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Caso 3 – Leonardo B.

Depois de um tempo convivendo com impotência, tomei coragem e fui numa clínica que trata do assunto. Chegando lá fui recepcionado e encaminhado para uma sala reservada. Fomos para os exames que seriam feitos ali mesmo, utilizando dois aparelhos. Com o primeiro, de forma bastante simples, ele constatou uma hipersensibilidade no meu pênis, que seria a causa dos problemas de ejaculação precoce. No segundo, ele concluiu que a circulação de sangue no meu pênis era muito baixa e este seria o motivo do meu problema de impotência.

Segundo o médico, o tratamento seria muito simples e que dentro de 12 meses, seguindo a risca com acompanhamento periódico, eu estaria curado. Entrei para consulta com um segundo médico e ele olhou os meus exames e falou a mesma coisa que o outro. Aí ele me mostrou uma lista, nela dizia que atualmente eles atendem mais de 500 homens e foi citando alguns de 20 anos de idade com casos que, segundo ele, eram mais graves que o meu.

De volta ao assunto do tratamento, ele disse que saindo dali eu já seria encaminhado para o farmacêutico da empresa que daria início ao processo,  já me entregando os remédios e agendando as próximas visitas. Deixou claro que eu já veria resultados em poucos dias. Mas que eu não deveria me iludir e parar os remédios, pois caso parasse o problema poderia voltar e até mesmo se agravar. Nesse momento pegou na gaveta da mesa um frasco de remédios e disse que o tratamento era simples: eu só precisava tomar aquele remédio todos os dias com disciplina.

Finalizando as explicações sobre o tratamento, fomos para a parte financeira: o tratamento custa aproximadamente R$ 8.000,00 e pode ser pago de diversas maneiras.

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Caso 4 – João G.

Oi Milan. Eu sou o João, fiz Namastê há 6 anos atrás e queria a sua orientação. Meu pai está com problema de ejaculação precoce e impotência. Eu queria levar ele para o Namastê, mas ele tem vergonha, medo, não acredita… então resolvi procurar uma clínica aqui no Rio de Janeiro. Fui eu fazer a consulta para ver como era, se era sério ou não. Cheguei lá e falei como se tivesse ejaculação precoce e impotência. Fiz os exames de hipersensibilidade e fluxo sanguíneo com os aparelhos que eles tem lá e para minha surpresa, os dois deram como se eu tivesse ejaculação precoce e impotência.

Só para ter uma idéia, o normal dentro de uma faixa de 0 a 15 é ter 8 de sensibilidade. Quanto menor o número maior a sensibildiade e os resultados mostraram que eu tinha 2 de sensibilidade. Eu fiquei muito chocado porque eu não tenho ejaculação precoce. Fiz os exames apenas para checar o trabalho para o meu pai. Cara, os preços que eles me deram foram chocantes: R$ 15.000,00 durante 1 ano. E eu ia receber em casa mensalmente um spray que ia colocar embaixo da língua. Além de fazer uma consulta a cada dois meses.

Eu saí da clínica meio decepcionado e queria saber sua opinião já que eu fiz terapia no Namastê e queria muito que meu pai fosse, mas ele não quer ir de jeito nenhum.

RESPOSTA MILAN: Olha, na idade e condição do teu pai, talvez ele não tenha a disponibilidade ou até a possibilidade de mexer com o corpo e as questões emocionais envolvidas e isso é uma decisão que só cabe a ele. Mas ele precisa ser tratado porque o pior é sofrer com a impotência e a ejaculação precoce. Já ouvi falar desses exames e sempre achei estranho, pois isso depende muito do estado emocional da pessoa e os médicos geralmente não levam isso em conta. Mesmo assim, tenta descobrir se outras pessoas que fizeram tratamento ali tiveram resultados e esclarece teu pai sobre todas as possibilidades, para ele fazer a melhor escolha

Performance e Sexualidade

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Por José S.

Minha vida sexual se resumia a transas de no máximo 10 minutos com alguma mulher que eu tivesse acabado de conhecer ou alguma amiga que, assim como eu, estivesse precisando. Mas se limitava a uma transa e se repetia tão raro como um eclipse. E eu achava que tava super bem. Transava no máximo quatro vezes por ano, não durava 10 minutos cada e no fim eu só queria que a pessoa do meu lado sumisse imediatamente. Mas tinha tanta vergonha de todo o ato em si, que não conseguia nem sair e nem pedir pra pessoa ao meu lado se retirar. Seria falta de respeito. Eu tinha um modelo de transa na minha cabeça. Tenho que chupar a mulher, fazer no mínimo duas posições e ela tem que gemer. Tem que estar bom pra ela, tenho que fazê-la gozar, sorrir, curtir o momento.

Então minha vida sexual se resumia a um serviço no qual eu sempre me avaliei muito mal e me sentia péssimo por fazer. Mas tinha que fazer. Tinha que transar, mesmo que de vez em quando, tinha que transar. Como assim, você é homem, mora no Rio de Janeiro e não transa com ninguém? E com isso tudo na cabeça como seria possível curtir realmente o momento, o ato, o sexo? Se o tempo inteiro eu estava pensando nas consequências disso. “O que vão achar de mim se for bom? E se não for? Como ela vai contar pras amigas? Se não for bom todo mundo vai saber! O que meus amigos vão achar quando eu disser com quem foi e como foi?” As mulheres que eu transava tinham que estar nos padrões de beleza do meu ambiente. E eu tinha que ser bom e legal com todas elas. Mulher fora de padrão eu só ficava quando era alguma amiga e batia aquele “foda-se”. Mas essas eu não contava pra todo mundo.

Onde eu ficava nesse quadro? Eu transava com as mais “gatas e gostosas” pra agradar meus amigos e ficar com um status “top” entre eles. Eu tinha que ser bom, transar bem e ser legal com todas que eu transasse. Por mais que elas não me dessem nada, queria agradá-las e manter um bom status entre as mulheres. E eu? Nunca parei pra pensar em mim. Tava bom pra mim se elas fossem um modelo padrão e se elas curtissem a transa. Isso era o que eu acreditava ser bom. Isso era o que eu precisava.

Maconha e sexualidade

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Por João

Por dois anos da minha vida eu fumei maconha todos os dias em que eu respirei. No mínimo dos mínimos um baseado por dia e transei muito pouco ou quase nada durante todo esse tempo. Não que eu não gostasse da coisa, nem que eu fosse muito feio, ou super esquisito, nada disso. E, gente, eu tinha 21 anos, hormônios bombando… O fato é que, mesmo com tudo isso, eu conseguia me convencer facilmente que não precisava de sexo. Como? Aí entrava grande parte da minha falsa espiritualidade da época, que tinha como base um monte de textos e mais textos sobre mestres iluminados e a lenda da consciência do blá-blá-blá… Teoria pós-teoria, eu continuava estagnado, inerte. A realidade é que tanta maconha na minha cabeça abafava, e muito, qualquer emoção que eu pudesse sentir, incluindo meu tesão; consumia toda minha energia, e ainda criava uma falsa sensação de preenchimento.

Eu não digo tudo isso pra responsabilizar a maconha pelo estado lamentável que minha vida se encontrava, não mesmo! Antes disso era muito pior. Entre os meus 13 e 21 anos vivi uma adolescência de solidão, milhões de masturbações e apenas fantasias e mais fantasias. Desejava mil e uma mulheres e não tinha coragem de dar um simples “oi” para qualquer uma delas, tinha apenas amores fantasiosos. Lembro até hoje, de deitar na cama antes de dormir e ficar lá, com o olhar perdido pro teto a fantasiar como seria o dia em que eu criaria coragem e chegaria naquela guria que eu tanto desejava.  Absolutamente nada era concretizado. Não fossem as raras vezes em que o álcool me animou e me deixou desinibido, teria passado a adolescência no zero. Estudava com extremo desgosto, cumprindo automaticamente o papel social de ter que passar no colégio e depois faculdade. O que eu gostava realmente eu nem sabia o que era e tampouco importava.

Aos 24 anos, em meio aquela minha vida iludida do primeiro parágrafo, eu recebi um flyer do Namastê. Pela curiosidade e pela beleza da menina que me entregara o flyer, um dia caí de paraquedas nesse lugar. E que dia! Lembro-me de sentir meu corpo tão vivo, como há muito tempo não sentia. Já tinha viajado e bastante, mas aquilo era tão natural, apenas comigo, minha respiração e meu corpo. Foi incrível!

Nos meses que se seguiram fui me entregando cada vez mais às meditações ativas e à bioenergética e foi ficando cada vez mais claro que a maconha não servia mais para a minha vida. Reconheci que a maconha teve sua serventia no que diz respeito a quebrar com a minha caretice, a fugir dos meus problemas e a sobreviver na fossa. Mas nas vezes que fumei a seguir, comecei a reparar no que sentia, e em detalhes, como a energia em que eu estava ao acordar após ter fumado, e era nítido que acordava esgotado, pesado, seco. Fui me dando conta que usava a maconha muito mais para buscar inconsciência do que consciência. Buscava esquecer minhas preocupações, minha angústia, minha ansiedade, este mundo que parecia um verdadeiro inferno. Queria somente esquecer. E todos os meus prazeres eram esquecimentos. Quando tive consciência disso, minha mudança foi naturalmente acontecendo. As ilusões foram se desmanchando, fui parando de me enganar e as coisas comuns começaram a ter um valor significativo. No decorrer desse processo grandes mudanças aconteceram: comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a viver histórias de amor e hoje tenho o privilégio de viver com 60 amigos em uma comunidade rodeada de natureza.

Alguma coisa está errada comigo

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Todos os meus amigos compartilhavam o quanto eles eram foda na cama. Eu me sentia muito mal com isso, era o único que não conseguia ter uma boa experiência no sexo. Alguma coisa estava errada comigo.

Lembro-me aos 23 anos, quando eu transava com a minha namorada, que todo o encontro sexual era uma frustração. Eu ejaculava nos primeiros 5 minutos de penetração. Eu sentia muita tensão no meu corpo, só funcionava na segunda vez (meia hora depois), e era em torno de 15 a 20 minutos. Era tudo muito controlado, a mulher não podia fazer muito som ou se mexer muito, porque eu ejaculava logo. Apesar de ejacular, que muitos pensam que é sinal de prazer, eu não tinha prazer durante a transa e no final eu só sentia o alívio da tensão que carregava.

Eu fiz várias coisas para mudar a situação. Pesquisei na internet técnicas para aguentar mais, mas elas não mudavam nada, a tensão continuava. Outra coisa que experimentei foi preservativos e produtos que retardam a ejaculação. Também não funcionava, ou eu gozava nos primeiros 10 minutos ou eu brochava por causa do retardante. Também experimentei me masturbar meia hora antes de transar com a namorada, e não fazia grande diferença. Passava muitas horas por dia na internet pesquisando soluções, “pacotes mágicos” para solucionar o problema, técnicas de massagem e de masturbação, nada trazia resultado, frente a uma mulher pouco ou nada era diferente.

Me sentia frustrado e mal porque eu não conseguia satisfazer a mulher, não conseguia ter o desempenho esperado, me sentia pouco homem, era isso que passava na minha cabeça. Eu não pensava em mim, como era para mim a experiência. Só tinha prazer me masturbando, num encontro com alguém a experiência era horrível. Se alguém me perguntasse sobre as melhores transas que já tive, eu não conseguiria falar, até os meus 26 anos eu não tive.

Tinha pavor que algum dos meus amigos soubesse ou que descobrisse e andasse a espalhar por aí do meu problema e que todos zoassem e rissem de mim. Eu só pensava que alguma coisa estava errada comigo e não sabia o que era. Com tudo o que experimentei para solucionar o problema, eu pensava que não era ejaculação precoce, pensava que era algo mais grave e eu guardava como segredo. Eu me tinha conformado que não havia solução mesmo, que era assim mesmo, que tinha que viver com isso pro resto da minha vida.

Já fiquei dois anos sozinho, sem transar com ninguém. Esse problema me impedia de eu chegar nas mulheres ou de deixar que elas chegassem. Eu evitava o problema, para não me sentir mal e frustrado, era certo que isso ia acontecer em qualquer encontro sexual. Eu achava que transar não é algo assim tão importante numa relação amorosa, na minha vida. Por muito tempo eu fiquei frustrado com esse problema, me sentia pouco homem, tive poucos encontros amorosos e poucas experiências sexuais por causa disso e isso me impediu de viver o meu prazer, o prazer no meu corpo.