Mamãe me ajuda!

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Por Franklin G.

Ainda lembro do verão em que conheci a Laura. Foi o meu primeiro namoro sério e eu estava completamente apaixonado por ela. Na época nós dois ainda éramos muito inexperientes com o sexo, mas é claro que eu nunca admitia isso. Eu ficava tão tenso quando estava sozinho com ela, que nossa primeira vez demorou para acontecer. No fim, foi ela que tomou a iniciativa, mas o nervosismo foi tanto que acabei broxando. Foi a minha primeira broxada e foi muito marcante. Simplesmente deu um nó na minha cabeça: como era possível broxar com tanta paixão e tanto tesão?! Quando estava sozinho em casa, sentia um tesão avassalador e, na presença da mulher que eu amava tanto, a energia morria totalmente.

Nessa época eu não confiava em absolutamente ninguém para conversar sobre o assunto e tive que lidar com tudo sozinho enquanto me sentia, obviamente, o último dos homens. A situação se repetiu ainda duas ou três vezes até que conseguimos ter penetração e, quando finalmente rolou nossa primeira transa… eu ejaculei em menos de 5 minutos! Meses esperando por aquele momento e tudo acabou tão rápido que eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ao menos tinha conseguido manter uma ereção suficiente para que acontecesse nossa primeira vez. Na próxima, haveria de ser diferente, certamente iria durar mais tempo. Mas não durou. A cada nova transa, minha tensão só aumentava e a ejaculação sempre vinha precocemente. Como tinha muita energia, conseguia transar duas, três vezes em sequência, quase sem intervalo (às vezes, quando estava bêbado, até mais vezes). Isso amenizava o problema, mas não resolvia, pois a Laura nunca chegou ao orgasmo comigo. Mesmo assim ela sempre foi muito compreensiva. Compreensiva demais. A situação se repetiu ao longo dos dois anos e meio em que estivemos juntos e ela nunca reclamou. Na verdade, o assunto era tabu para os dois e não nos sentíamos à vontade para falar sobre nossa sexualidade. Eu nunca havia conversado sobre essa questão com ninguém. Achava até que o que estava acontecendo com a gente podia ser normal. Como consequência, nosso amor foi se deteriorando até o dia em que ela me traiu. Foi a desculpa perfeita para acabar o relacionamento e me livrar daquele fardo que eu carregava. Após alguns dias de tristeza e invalidação, se seguiu um sentimento de alívio junto com a certeza de que eu nunca mais queria passar por aquela situação.

Quando comecei a sair com a minha segunda namorada, Catarina, fiz de tudo para me manter numa posição de controle, me sentindo dominante na relação. Dessa vez eu tinha que ser “o cara” e era ela que iria me admirar e depender de mim. À primeira vista, a estratégia funcionou, pois, sem a tensão inicial de ter que agradar, eu conseguia controlar a ejaculação da maneira que eu quisesse. Praticamente eu podia decidir exatamente a hora em que queria ejacular. O sentimento de controle e as transas mais longas melhoraram a minha auto-estima, mas ainda parecia que faltava alguma coisa. Da mesma forma que a Laura não chegava ao orgasmo, a Catarina também gozou poucas vezes comigo. Estava confuso, mas claro que sempre existia a possibilidade de ser um problema dela e não meu. Com o passar do tempo, fui eu que perdi o interesse na relação, me afundei no trabalho e nos estudos e comecei a me afastar cada vez mais dela. O resultado disso tudo foi mais um final melancólico de relacionamento, mas dessa vez com uma diferença: no lugar da sensação de alívio, fui tomado por um sentimento de indignação e a certeza de que eu queria mais pra minha vida.

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Resolvi procurar uma clínica

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Caso 1 – Vicente L.

Marquei a consulta pelo 0800. Chegando lá no dia fui encaminhado para uma sala em separado, onde o atendente me passou um formulário com uma breve anamnese da minha saúde. Entrego a ficha e sou encaminhado para o primeiro médico. Me pergunta sobre o meu problema. Há quanto tempo venho brochando, se tenho parceira, se ela sabe que estou na clínica, se é problema em ter ou manter a ereção e se me masturbo. Depois disso, ele me esclarece que o problema pode ser físico ou “psicogênico”, sendo que se precisar de cirurgia, a clínica não cuidará do problema. Então sou encaminhado para os exames.

Outro médico vai e me busca para fazer os exames. Ele começa fazendo perguntas que estão em um formulário no computador, “vamos fazer isso daqui rápido para não perdermos tempo com bobagem”. Faz duas ou três perguntas, não muito diferentes daquelas feitas pelo primeiro médico e vamos para o exame.   Apalpando meu pênis e logo indica que a musculatura está ok. O segundo exame, um ultrassom, verifica que a circulação está normal. Já no terceiro exame, um vibrador com diferentes intensidades na glande, conclui que está dentro dos parâmetros. Depois dos exames, me diz: “seu problema é de origem psicogênica, rapaz. Você está como o jogador de futebol que vai bater o terceiro pênalti depois de ter errado outros dois, vai muito tenso para transar, aí não consegue mesmo. Mas vamos providenciar o tratamento. Vamos te treinar, tirar o goleiro para você bater o pênalti. Depois, vou te avisar que o goleiro somente pulará para o lado esquerdo. Por fim, quando você estiver pronto e confiante novamente, deixaremos você bater sem ajuda nenhuma”. Então me explicou no que consistia o tratamento/treinamento: “enviaremos para a sua residência os remédios que nós mesmos fabricamos para ajudar no seu problema, são dois ansiolíticos e um remedinho para ajudar a circulação”. Ele indicou que precisaria de seis meses de tratamento e o meu problema estaria resolvido. Era só retornar a cada sessenta dias para checar o andamento do tratamento e o resultado da medicação. Simples assim, com três comprimidos ao dia, tudo estava resolvido, nunca foi tão fácil.

Passo para outra sala. O atendente passa a máquina do cartão. R$ 250,00 a consulta. Espero um pouco mais e sou chamado pelo primeiro médico. Ele me questiona, então, se havia ficado claro o tratamento, se havia entendido tudo. Então ele puxa um papel e me apresenta o custo do tratamento: R$ 8.800,00, parceláveis em até dez vezes. Fiquei atônito ao saber do valor, falei que pensei que sairia com uma receita para comprar os remédios, mas ele disse que não, esse não era o procedimento da clínica. Falei para ele que teria que pensar sobre o tratamento, que o valor era muito elevado. Ele me responde: “o senhor é que está com o problema, você é que sabe se vale a pena ou não resolver isso”.

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Caso 2 – Camilo T.

A decisão de ir numa clínica para tratamento de ejaculação precoce não é nada fácil, e se tu decide é porque o negócio já tá incomodando muito, já chegou no limite do desespero. Então vamos lá, respirei fundo e decidi marcar uma consulta na tal famosa clínica especialista em Tratamentos para Ejaculação Precoce, Disfunção Erétil e Falta de Libido.

A promessa para a primeira consulta é descobrir o grau e a extensão de meu problema para, em seguida, sair com uma proposta de tratamento. A clínica teve um cuidado impecável para manter a integridade da minha identidade, tudo é muito discreto. Me levaram para uma salinha de espera que é individual para cada cliente. Ali meu coração parecia que ia sair pela boca, que sensação ruim. Bom, primeiro preenchi um questionário básico com perguntas padrão sobre minha saúde física, histórico de doenças etc.

Após preencher este questionário fui chamado pelo primeiro médico. Fui direto ao ponto, eu disse que tinha ejaculação precoce e que minha namorada estava ficando irritada com esse meu problema. Me perguntou quanto tempo durava a transa, eu disse que no máximo 5 min. Neste momento ele disse que a ejaculação precoce afeta 1 em cada 3 homens sexualmente ativos, e ali eles poderiam me ajudar, que sim, existia um tratamento. E sem muito mais perguntas me colocou para fazer os exames. Pensei, ufa foi rápido. O exame durou apenas 30 segundos. Ele colocou um aparelhinho que emite uma vibraçãozinha na ponta do meu pênis, e pediu para eu avisar quando o aparelho parasse de vibrar. Logo depois usou outro aparelhinho que mediu o fluxo de sangue do meu pênis. E após esses 30 segundos, milagrosamente, o doutor tinha o diagnóstico completo do meu problema e um tratamento! O resultado é: Hipersensibilidade no pênis!

O doutor logo disse que isso é sim um problema que deve ser tratado o mais rápido possível para não ficar mais grave e que, se não tratado, a consequência seria também a disfunção erétil. Na verdade, com o segundo exame, ele me mostrou que eu  já apresentava sintomas de disfunção, devido a um baixo fluxo de sangue no pênis. Na visão do médico o problema é somente físico e o tratamento é uso de medicamentos. Ele traz a solução com muita naturalidade, igual quando um médico te receita um antibiótico ou um anti-inflamatório para curar algum probleminha no corpo.

Quem passa os valores é o segundo médico no qual fui encaminhado pelo primeiro para me dizer como funcionaria na prática o tratamento. E é muito simples, tomar 2 remédios todo dia, e o tratamento teria uma duração de no mínimo 1 ano. Eu teria um acompanhamento, ir 3 vezes na clínica, de 4 em 4 meses, fazer os exames novamente e avaliar se continuo tomando os remedios na mesma dosagem. O valor total do tratamento é R$ 9.000,00. Nessa altura do campeonato eu já nem questionava mais o médico, só disse que precisava pensar e avaliar melhor a proposta. Aí resolvi buscar outro tratamento porque não queria tomar remédio.

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Caso 3 – Leonardo B.

Depois de um tempo convivendo com impotência, tomei coragem e fui numa clínica que trata do assunto. Chegando lá fui recepcionado e encaminhado para uma sala reservada. Fomos para os exames que seriam feitos ali mesmo, utilizando dois aparelhos. Com o primeiro, de forma bastante simples, ele constatou uma hipersensibilidade no meu pênis, que seria a causa dos problemas de ejaculação precoce. No segundo, ele concluiu que a circulação de sangue no meu pênis era muito baixa e este seria o motivo do meu problema de impotência.

Segundo o médico, o tratamento seria muito simples e que dentro de 12 meses, seguindo a risca com acompanhamento periódico, eu estaria curado. Entrei para consulta com um segundo médico e ele olhou os meus exames e falou a mesma coisa que o outro. Aí ele me mostrou uma lista, nela dizia que atualmente eles atendem mais de 500 homens e foi citando alguns de 20 anos de idade com casos que, segundo ele, eram mais graves que o meu.

De volta ao assunto do tratamento, ele disse que saindo dali eu já seria encaminhado para o farmacêutico da empresa que daria início ao processo,  já me entregando os remédios e agendando as próximas visitas. Deixou claro que eu já veria resultados em poucos dias. Mas que eu não deveria me iludir e parar os remédios, pois caso parasse o problema poderia voltar e até mesmo se agravar. Nesse momento pegou na gaveta da mesa um frasco de remédios e disse que o tratamento era simples: eu só precisava tomar aquele remédio todos os dias com disciplina.

Finalizando as explicações sobre o tratamento, fomos para a parte financeira: o tratamento custa aproximadamente R$ 8.000,00 e pode ser pago de diversas maneiras.

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Caso 4 – João G.

Oi Milan. Eu sou o João, fiz Namastê há 6 anos atrás e queria a sua orientação. Meu pai está com problema de ejaculação precoce e impotência. Eu queria levar ele para o Namastê, mas ele tem vergonha, medo, não acredita… então resolvi procurar uma clínica aqui no Rio de Janeiro. Fui eu fazer a consulta para ver como era, se era sério ou não. Cheguei lá e falei como se tivesse ejaculação precoce e impotência. Fiz os exames de hipersensibilidade e fluxo sanguíneo com os aparelhos que eles tem lá e para minha surpresa, os dois deram como se eu tivesse ejaculação precoce e impotência.

Só para ter uma idéia, o normal dentro de uma faixa de 0 a 15 é ter 8 de sensibilidade. Quanto menor o número maior a sensibildiade e os resultados mostraram que eu tinha 2 de sensibilidade. Eu fiquei muito chocado porque eu não tenho ejaculação precoce. Fiz os exames apenas para checar o trabalho para o meu pai. Cara, os preços que eles me deram foram chocantes: R$ 15.000,00 durante 1 ano. E eu ia receber em casa mensalmente um spray que ia colocar embaixo da língua. Além de fazer uma consulta a cada dois meses.

Eu saí da clínica meio decepcionado e queria saber sua opinião já que eu fiz terapia no Namastê e queria muito que meu pai fosse, mas ele não quer ir de jeito nenhum.

RESPOSTA MILAN: Olha, na idade e condição do teu pai, talvez ele não tenha a disponibilidade ou até a possibilidade de mexer com o corpo e as questões emocionais envolvidas e isso é uma decisão que só cabe a ele. Mas ele precisa ser tratado porque o pior é sofrer com a impotência e a ejaculação precoce. Já ouvi falar desses exames e sempre achei estranho, pois isso depende muito do estado emocional da pessoa e os médicos geralmente não levam isso em conta. Mesmo assim, tenta descobrir se outras pessoas que fizeram tratamento ali tiveram resultados e esclarece teu pai sobre todas as possibilidades, para ele fazer a melhor escolha

Performance e Sexualidade

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Por José S.

Minha vida sexual se resumia a transas de no máximo 10 minutos com alguma mulher que eu tivesse acabado de conhecer ou alguma amiga que, assim como eu, estivesse precisando. Mas se limitava a uma transa e se repetia tão raro como um eclipse. E eu achava que tava super bem. Transava no máximo quatro vezes por ano, não durava 10 minutos cada e no fim eu só queria que a pessoa do meu lado sumisse imediatamente. Mas tinha tanta vergonha de todo o ato em si, que não conseguia nem sair e nem pedir pra pessoa ao meu lado se retirar. Seria falta de respeito. Eu tinha um modelo de transa na minha cabeça. Tenho que chupar a mulher, fazer no mínimo duas posições e ela tem que gemer. Tem que estar bom pra ela, tenho que fazê-la gozar, sorrir, curtir o momento.

Então minha vida sexual se resumia a um serviço no qual eu sempre me avaliei muito mal e me sentia péssimo por fazer. Mas tinha que fazer. Tinha que transar, mesmo que de vez em quando, tinha que transar. Como assim, você é homem, mora no Rio de Janeiro e não transa com ninguém? E com isso tudo na cabeça como seria possível curtir realmente o momento, o ato, o sexo? Se o tempo inteiro eu estava pensando nas consequências disso. “O que vão achar de mim se for bom? E se não for? Como ela vai contar pras amigas? Se não for bom todo mundo vai saber! O que meus amigos vão achar quando eu disser com quem foi e como foi?” As mulheres que eu transava tinham que estar nos padrões de beleza do meu ambiente. E eu tinha que ser bom e legal com todas elas. Mulher fora de padrão eu só ficava quando era alguma amiga e batia aquele “foda-se”. Mas essas eu não contava pra todo mundo.

Onde eu ficava nesse quadro? Eu transava com as mais “gatas e gostosas” pra agradar meus amigos e ficar com um status “top” entre eles. Eu tinha que ser bom, transar bem e ser legal com todas que eu transasse. Por mais que elas não me dessem nada, queria agradá-las e manter um bom status entre as mulheres. E eu? Nunca parei pra pensar em mim. Tava bom pra mim se elas fossem um modelo padrão e se elas curtissem a transa. Isso era o que eu acreditava ser bom. Isso era o que eu precisava.

Maconha e sexualidade

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Por João

Por dois anos da minha vida eu fumei maconha todos os dias em que eu respirei. No mínimo dos mínimos um baseado por dia e transei muito pouco ou quase nada durante todo esse tempo. Não que eu não gostasse da coisa, nem que eu fosse muito feio, ou super esquisito, nada disso. E, gente, eu tinha 21 anos, hormônios bombando… O fato é que, mesmo com tudo isso, eu conseguia me convencer facilmente que não precisava de sexo. Como? Aí entrava grande parte da minha falsa espiritualidade da época, que tinha como base um monte de textos e mais textos sobre mestres iluminados e a lenda da consciência do blá-blá-blá… Teoria pós-teoria, eu continuava estagnado, inerte. A realidade é que tanta maconha na minha cabeça abafava, e muito, qualquer emoção que eu pudesse sentir, incluindo meu tesão; consumia toda minha energia, e ainda criava uma falsa sensação de preenchimento.

Eu não digo tudo isso pra responsabilizar a maconha pelo estado lamentável que minha vida se encontrava, não mesmo! Antes disso era muito pior. Entre os meus 13 e 21 anos vivi uma adolescência de solidão, milhões de masturbações e apenas fantasias e mais fantasias. Desejava mil e uma mulheres e não tinha coragem de dar um simples “oi” para qualquer uma delas, tinha apenas amores fantasiosos. Lembro até hoje, de deitar na cama antes de dormir e ficar lá, com o olhar perdido pro teto a fantasiar como seria o dia em que eu criaria coragem e chegaria naquela guria que eu tanto desejava.  Absolutamente nada era concretizado. Não fossem as raras vezes em que o álcool me animou e me deixou desinibido, teria passado a adolescência no zero. Estudava com extremo desgosto, cumprindo automaticamente o papel social de ter que passar no colégio e depois faculdade. O que eu gostava realmente eu nem sabia o que era e tampouco importava.

Aos 24 anos, em meio aquela minha vida iludida do primeiro parágrafo, eu recebi um flyer do Namastê. Pela curiosidade e pela beleza da menina que me entregara o flyer, um dia caí de paraquedas nesse lugar. E que dia! Lembro-me de sentir meu corpo tão vivo, como há muito tempo não sentia. Já tinha viajado e bastante, mas aquilo era tão natural, apenas comigo, minha respiração e meu corpo. Foi incrível!

Nos meses que se seguiram fui me entregando cada vez mais às meditações ativas e à bioenergética e foi ficando cada vez mais claro que a maconha não servia mais para a minha vida. Reconheci que a maconha teve sua serventia no que diz respeito a quebrar com a minha caretice, a fugir dos meus problemas e a sobreviver na fossa. Mas nas vezes que fumei a seguir, comecei a reparar no que sentia, e em detalhes, como a energia em que eu estava ao acordar após ter fumado, e era nítido que acordava esgotado, pesado, seco. Fui me dando conta que usava a maconha muito mais para buscar inconsciência do que consciência. Buscava esquecer minhas preocupações, minha angústia, minha ansiedade, este mundo que parecia um verdadeiro inferno. Queria somente esquecer. E todos os meus prazeres eram esquecimentos. Quando tive consciência disso, minha mudança foi naturalmente acontecendo. As ilusões foram se desmanchando, fui parando de me enganar e as coisas comuns começaram a ter um valor significativo. No decorrer desse processo grandes mudanças aconteceram: comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a viver histórias de amor e hoje tenho o privilégio de viver com 60 amigos em uma comunidade rodeada de natureza.

Alguma coisa está errada comigo

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Todos os meus amigos compartilhavam o quanto eles eram foda na cama. Eu me sentia muito mal com isso, era o único que não conseguia ter uma boa experiência no sexo. Alguma coisa estava errada comigo.

Lembro-me aos 23 anos, quando eu transava com a minha namorada, que todo o encontro sexual era uma frustração. Eu ejaculava nos primeiros 5 minutos de penetração. Eu sentia muita tensão no meu corpo, só funcionava na segunda vez (meia hora depois), e era em torno de 15 a 20 minutos. Era tudo muito controlado, a mulher não podia fazer muito som ou se mexer muito, porque eu ejaculava logo. Apesar de ejacular, que muitos pensam que é sinal de prazer, eu não tinha prazer durante a transa e no final eu só sentia o alívio da tensão que carregava.

Eu fiz várias coisas para mudar a situação. Pesquisei na internet técnicas para aguentar mais, mas elas não mudavam nada, a tensão continuava. Outra coisa que experimentei foi preservativos e produtos que retardam a ejaculação. Também não funcionava, ou eu gozava nos primeiros 10 minutos ou eu brochava por causa do retardante. Também experimentei me masturbar meia hora antes de transar com a namorada, e não fazia grande diferença. Passava muitas horas por dia na internet pesquisando soluções, “pacotes mágicos” para solucionar o problema, técnicas de massagem e de masturbação, nada trazia resultado, frente a uma mulher pouco ou nada era diferente.

Me sentia frustrado e mal porque eu não conseguia satisfazer a mulher, não conseguia ter o desempenho esperado, me sentia pouco homem, era isso que passava na minha cabeça. Eu não pensava em mim, como era para mim a experiência. Só tinha prazer me masturbando, num encontro com alguém a experiência era horrível. Se alguém me perguntasse sobre as melhores transas que já tive, eu não conseguiria falar, até os meus 26 anos eu não tive.

Tinha pavor que algum dos meus amigos soubesse ou que descobrisse e andasse a espalhar por aí do meu problema e que todos zoassem e rissem de mim. Eu só pensava que alguma coisa estava errada comigo e não sabia o que era. Com tudo o que experimentei para solucionar o problema, eu pensava que não era ejaculação precoce, pensava que era algo mais grave e eu guardava como segredo. Eu me tinha conformado que não havia solução mesmo, que era assim mesmo, que tinha que viver com isso pro resto da minha vida.

Já fiquei dois anos sozinho, sem transar com ninguém. Esse problema me impedia de eu chegar nas mulheres ou de deixar que elas chegassem. Eu evitava o problema, para não me sentir mal e frustrado, era certo que isso ia acontecer em qualquer encontro sexual. Eu achava que transar não é algo assim tão importante numa relação amorosa, na minha vida. Por muito tempo eu fiquei frustrado com esse problema, me sentia pouco homem, tive poucos encontros amorosos e poucas experiências sexuais por causa disso e isso me impediu de viver o meu prazer, o prazer no meu corpo.

Do tico cagado ao superman pênis

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Na minha adolescência eu fazia um esforço absurdo para transar mais do que 10 minutinhos. Cheguei a pesquisar várias técnicas que poderiam me ajudar a segurar a ejaculação. Aquela de fortalecer o músculo do períneo, de bater uma punheta antes de transar, e até pensar na vó no momento de gozar. Duvido que a maioria dos homens nunca tenha pesquisado como fazer para segurar aquela vontade louca de gozar.

Eu sentia muito medo de ser rejeitado pelas gurias, e no meio de toda essa insegurança, eu acabava frequentando assiduamente os puteiros de Porto Alegre. Lá era uma maravilha, o paraíso, o verdadeiro parque de diversões. Eu me sentia o cara mais gostoso do mundo, e quando as putas gritavam de “prazer” definitivamente eu me sentia super validado. Até a frustração de gozar rápido desaparecia, afinal de contas eu sabia que não importava, eu era validado igual.

Fiquei nessa onda durante alguns anos, ou ia nos puteiros, ou tomava um trago até sair da “casinha”, ou os dois juntos. Posso dizer tranquilamente que isso só acontecia porque eu ficava muito puto e frustrado quando ia nas festas e não rolava nada. Era muito pânico de chegar em alguma guria, tomar a frente, me arriscar. Obviamente eu sempre acabava procurando o caminho mais fácil, vulgo Farrapos.

Ainda assim o fato de gozar muito rápido me perturbava. Afinal, quando eu tinha a sorte de transar com aquela gata, meu deus, eu não podia fazer feio de jeito nenhum. Foi numa dessas que eu descobri o famoso azulzinho. Fui do genérico até o autêntico Viagra, com ‘V’ maiúsculo. Já experimentei muitos tipos de drogas para sentir prazer, relaxar e pirar o cabeção, mas o azulzinho é arrasador, era um companheiro que me ajudava a ficar extremamente seguro. Ele transformava meu tico cagado em um superman pênis. E posso descrever exatamente os efeitos.

Na verdade era um ritual. Eu combinava o encontro com a gata, levava para jantar (clássico) e quando tudo estava certo, no caminho para o motel ou qualquer que fosse o lugar, eu tomava o comprimido. Eu já sabia, 30 minutinhos antes. E então eu começava a sentir um calor pelo corpo todo, o coração começava a acelerar, o rosto ficava vermelho e quente. Nesse momento um tesão desproporcional começava a surgir do além até que milagrosamente o pau ficava duro tipo uma rocha. Confesso que era tão desproporcional que eu ficava com medo que a guria desconfiasse que eu tinha tomado algo.

Aí é como se tu te tornasse um super herói mesmo, afinal meu objetivo principal era sempre a validação. Para mim era muito importante manter a imagem, de jeito nenhum eu queria que ela falasse mal de mim para as amigas. Quando começávamos a transar era muito e muito tesão, e se o coração já dispara naturalmente, com o azulzinho parece que o coração vai sair pela boca. A vontade de gozar é normal. No primeiro sinal de prazer da companheira, tudo fica tenso e nada é capaz de conter a ejaculação. Mas então, novamente outro milagre, o pênis dá uma bobeada, mas voltava a ficar duro tipo uma rocha. Agora vem a parte estranha, o tesão diminui em uns 95%, e mesmo sem tesão a ereção permanece por muito tempo. A exata sensação que eu sentia é como se meu pênis fosse sempre duro. Eu não sentia mais nada. Na verdade, o que melhor descreve tudo isso é como se eu estivesse transando com uma parte do corpo que não é minha. Essa sensação é realmente bizarra. A partir desse momento a única intenção era proporcionar o máximo de prazer possível para a parceira até ela decidir parar. Então eu me sentia vitorioso. Ganhei dela, como se tudo fosse uma grande competição.

Isso aconteceu inúmeras vezes na minha vida, sempre a mesma coisa, e se por acaso eu sentisse que alguma coisa não estava legal eu já pensava rapidamente: “mandei ver, ah quer saber? Sou Foda! Ela deve estar pensando em mim até agora”. De alguma forma esse pensamento fazia eu me sentir melhor.

A sensação de ter tido uma boa performance sustentava algo dentro de mim, eu me sentia valorizado, era um ponto a mais no placar.

Fui longe nesta viagem, prazer só nas festas regadas a trago e puteiros, até que algo dentro de mim cansou e aquela rotina começou a perder a graça. Não era nada fácil, eu me sentia muito ansioso, e foi nas tentativas de acalmar a ansiedade que eu descobri a meditação. Como eu não tinha nada a perder comecei a meditar. Aos poucos passei a me interessar cada vez mais por mim. Arrisquei, me joguei de cabeça, e com a ajuda das meditações e da terapia bioenergética eu fui desmanchando cada viagem. Hoje aquela necessidade insuportável de validação já não tem a mesma força, abriram vários canais de preenchimento na minha vida, e minha sexualidade é natural, incrivelmente prazerosa. Continuarei neste processo bonito de resgate e, com toda certeza, vivendo uma vida mais plena, real e sentindo o verdadeiro prazer, o meu prazer.

Ser natural, eis a questão

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Nós vivemos num mundo onde enlouquecidamente queremos ser felizes e saciados. Corremos desesperadamente para esse conceito do que é ser feliz. Talvez a questão não seja essa na vida. Acredito que para uma pessoa ser feliz ela tem que ser natural. Temos que resgatar nossa naturalidade. Não a naturalidade do homem das cavernas, mas uma naturalidade amadurecida, preservada e agregada à consciência, à evolução. Infelizmente, o que nós vemos é uma destruição da naturalidade do ser humano, substituída por uma evolução distorcida a tal ponto que uma das coisas mais naturais virou fonte de medo e sofrimento. Sem a sexualidade não existiríamos. Será que você se deu conta que nasceu através de uma relação sexual? Que a relação sexual é uma das maiores fontes de prazer e alegria do ser humano? A grande maioria das espécies transam para se reproduzir, quase que exclusivamente durante o cio, mas que eu saiba, homens e mulheres não precisam de cio para transar. Trouxemos em nós a característica dos animais. Nós também somos animais.

Toda questão de sobrevivência, poder e sexualidade que tem no animal tem também no homem.  Só que no homem começa uma evolução em que a sexualidade se expande para o coração. A diferença de ser humano começa a partir do momento em que você tem a capacidade de amar. Talvez você diga que tem uma cachorrinha que é amorosa e te ama muito. Só que não! Sua cachorrinha é condicionada, ela não sabe dizer não. Talvez muitos seres humanos também sejam condicionados a amar e não saibam dizer não. Existem muitas mulheres e homens que viram cachorrinhos dos seus parceiros. Muitos vão defender que o ser humano é humano a partir do pensamento. Desculpe, Hitler e Stalin pensavam e você os considera humanos? Aquilo que os alemães fizeram na segunda guerra e mundial é humano? O que Stalin fez na Rússia matando milhões, deixando congelar, é humano? Então a capacidade de pensar, de raciocinar é uma qualidade a mais do ser humano, mas isso não nos torna humano. Nos tornamos humanos a partir da capacidade de amar, de escolher, é essa capacidade humana que temos que resgatar. O distúrbio com a sexualidade, a repressão sexual, causou uma sexualidade absurdamente distorcida. O prazer sexual foi substituído por uma descarga. As pessoas mais descarregam na sexualidade do que tem prazer. Se você se apaixonou uma vez na vida, você lembra da qualidade do seu sexo.  Neste momento era totalmente diferente. A partir dessa vida antinatural começaram os distúrbios sexuais: ejaculação precoce, impotência, perversões. Tudo isso adicionado a uma alimentação horrorosa, excesso de comida, vida sedentária e tudo mais.

Um passo fundamental é o resgate de nossa sexualidade de uma forma natural. Este é o primeiro passo. O segundo vai ocorrer naturalmente. A sexualidade vai chegar ao coração. Mesmo que não chegue imediatamente o primeiro passo tem que ser dado. Nós aqui do Namastê estamos há 20 anos tratando questões sexuais de uma forma natural. Nossos resultados são muito bons, mas primeiro a pessoa tem que ter coragem e alguma dedicação. Melhora muito! Não são longos tratamentos, com dois meses você já começa a ter resultado. Muitos me perguntam: “O que você acha do Viagra?”. Você pode ver matérias de pessoas que tomaram Viagra, elas deram seu relato. Não é o meio mais indicado, mas tem pessoas que não tem saída. Só que muitas dessas pessoas que tomam Viagra tem outra saída. Apenas tem medo e vergonha de tratar seu emocional.

Nós resolvemos entrar a fundo na sexualidade e fomos conversar com pessoas que fizeram outros tratamentos para problemas sexuais as quais descreveremos nos próximos textos que serão publicados neste blog. Resolvemos criar esta série de textos sobre a sexualidade masculina com o intuito de informar e falar sobre o que ninguém fala. Iremos omitir os nomes das pessoas que escreveram os textos por cuidado, mas apesar independente disso fica muito evidente as formas de tratamento utilizadas pela maioria dos homens. Principalmente com remédios. Eu não as invalido, as consequências para uma pessoa com impotência e ejaculação precoce são arrasadoras. Detonam suas vidas. Só trazem infelicidade, tristeza e faz gerar outras doenças com toda certeza. Com absoluta e total certeza! Então, às vezes, a pessoa tomar remédios porque não tem outra possibilidade pode ser melhor do que continuar sendo impotente ou tendo ejaculação precoce constantemente. Não acho que esse seja o tratamento melhor. O ruim é que pessoas que podem fazer tratamentos mais naturais não fazem e acabam tomando remédio por não conhecer outros tipos de terapia ou por comodidade. Muita gente que toma antidepressivo, que toma Viagra ou similares, poderiam perfeitamente se tratar com outras técnicas terapêuticas. O chocante de tudo isso é que quem toma Viagra ou faz esses tratamentos não são só pessoas de idade avançada, muitas pessoas dos 20 aos 45 anos tomam.

É obvio que ninguém fala, a maioria alega que é uma garantia, uma segurança, e isto vai detonar sua sexualidade natural, por preguiça emocional. Isto é terrível! Esperamos que esta série de textos te inspire a querer resolver a tua sexualidade. Não deixar mais ela de lado, porque se não, tudo está perdido. Eu te afirmo com certeza que tua vida vai ser um vazio sem isso. Os depoimentos a respeito de tratamento com remédios que serão relatados nos próximos textos que divulgaremos neste blog não são para invalidar este tipo de tratamento, pois se você não consegue tratar de outro jeito é preferível que tome remédio, que vá às clínicas que são mais sérias do que não fazer nada. Sempre a saída natural através do corpo, da expressão emocional, são preferíveis. O importante é que você dê esse passo. Aqui apresentaremos as várias saídas que tem. A vida sexual é uma das formas mais profundas de você chegar ao coração. Distorções sempre vão ter, mas passando por elas, você poderá depurar e chegar a uma condição mais natural que te leve ao coração. Esta é a grande viagem do ser humano!

Relacionamento = Certificado de Propriedade

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Por Milan

Parece tão absurdo mas virou isso. É exatamente o que está acontecendo na prática com as coisas. Uma vez era o casamento, agora os relacionamentos em geral viram isso. Comecei a pensar sobre a questão quando teve uma amiga minha que veio me procurar para falar que estava saindo com uma pessoa. Eles estavam ficando e estava legal, tinha um contato emocional. De repente ela sentiu que estava afim do cara e disse para ele. Ele disse que estava afim de gastar aquilo, que queria transar mais e não queria ficar preso. Ela veio falar comigo sobre o que eu achava. Eu falei bem claro: “Qual o problema?”.

O que eu vejo dos relacionamentos é que quando as pessoas estabelecem um status já começa um monte de broncas. Acaba o sorriso. Ou tu conta uma piada ou não tem um sorriso espontâneo. Gente, eu sou super a favor do amor, do namorar. A gente precisa muito namorar. O relacionamento começou a virar um certificado de propriedade, como alguém é dono de mim e eu sou dono de alguém? Eu pertenço a alguém. E pra mim isso é um sentimento muito infantil. Uma criança precisa de um pai e de uma mãe, sem eles ela não sobrevive. Agora, um adulto não precisa pertencer a ninguém e não deve, isso só faz mal. Isso não faz bem para as relações. É só tu ver, quando tu estabelece que está em um relacionamento 50% da tesão vai embora na hora, no ato. E qual é a necessidade nisso? As pessoas inventam: “Ah, aprofundar.” Tu acha que aprofundar é morar junto? As pessoas ficam rabugentas pra caramba, isso é aprofundar? Outros dizem: “Transar só com a mesma pessoa aprofunda.” Aprofunda nada, eu conheço um monte de gente que está só com uma pessoa e tem fantasia de comer um monte de outras. E não dá quase nada para a relação e normalmente a parceira ou o parceiro estão insatisfeitos sexualmente. Tu chama aprofundar isso? Tu chama aprofundar essa tragédia grega? É muito cheio de preconceitos.

Foi o que falei para a minha amiga. Tu precisa dizer para a pessoa que tu está afim? Não. A pessoa está saindo contigo porque está afim. Parece que a gente quer obrigar a pessoa a ficar. Isso se chama propriedade. Tu é obrigado, tu é meu. Nas brigas em relacionamento as coisas que saem são absurdas, são ofensas estúpidas. As coisas que um fala para o outro são horríveis. E tu chama isso de amor? Tu fica acumulando um monte de merda. Não confiam no amor e então fazem esses contratos. Agora não é mais na igreja, é um contrato muitas vezes até espiritual. Aquela onda de me dedicar, me aprofundar, de não misturar as energias. Mentira. Baita mentira. Lorota grossa. Espiritualidade não tem nada a ver com repressão. Quem disse que é o oposto? “Ah, então vai virar putaria.” Mentira, putaria é relacionamento. Eu conheço um monte de gente assim. Eu atendia uma menina que vinha com todo esse discurso de relacionamento e o namorado dela transava com várias e mentia para ela. Várias. Não é uma pessoa que bateu. Uma pessoa reprimida fica com uma energia doente, a pessoa quer transar com um monte de gente. Olha, se tu estás em um relacionamento é perfeitamente normal que às vezes quando tu está amando alguém abra outro espaço para outra pessoa também, e aí? Isso é vida. Ou se não qual o fim?

Nem tudo está perdido

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Por Milan

Sábado à noite, estávamos aqui na comunidade conversando com uma amiga nossa que é professora. Ela contou sobre um episódio no colégio onde trabalha. De repente viu um furdunço dos alunos, uma bagunça no banheiro. Depois foram para a sala sussurrando que uma das meninas tinha menstruado. Todos acanhados falando baixinho, com medo, vergonha. Essa professora questiona qual o problema da menstruação e eles respondem que é sujo e feio. Então ela explica que é algo natural, que não tem nada de errado, é o momento em que a menina está virando mulher – um momento sagrado. É uma transformação.

Os alunos ficaram impressionados. Começou a surgir uma curiosidade incrível, muitos questionamentos. Dentre estes, um aluno questiona: “Professora! A senhora já fez boquete?” Ela fica pasma, mas responde: “Sim, já fiz!”. O aluno insiste: “E a senhora gosta de fazer boquete?”. “Sim, gosto.” Ela responde. Eles ficaram tão empolgados que parecia gol do Grêmio no final da Copa Brasil. Era uma vibração, aí a gurizada choveu de perguntas. Eu fiquei muito impressionado, eu ri muito quando ela contou, imaginando a cena. Eu daria tudo na minha vida para poder estar nessa sala de aula e ver e ouvir tudo isso. Se pudesse ter um filme daquilo ia ser fantástico. Aí eu fiquei pensando profundamente sobre isso. Ninguém nunca vai falar sobre, imagina uma professora.

Todos adoraram e no dia seguinte chegaram a escrever coisas a respeito. Uma menina escreveu que antes achava que menstruação era doença, era dor, era problema, que agora vê como algo sagrado. Fiquei pensando quantas professoras dessas deveria ter pelo mundo. Que bonito. Imagina, toda a vida, eles disseram, nunca nenhum adulto havia falado sobre isso. E eu posso afirmar: Nunca nenhum adulto vai falar porque as pessoas morrem de vergonha. Aí uma pessoa que é mais satisfeita, mais preenchida com sua sexualidade não vai ficar constrangida por causa da situação. Mas ela fala, ela expressa porque ela sabe da qualidade do amor que tem nisso também. E gente, isso faz uma diferença incrível. Esses meninos e meninas jamais vão esquecer essa professora porque ela evitou um monte de bobagens, um monte de medos, um monte de besteira.

Depois continuaram falando sobre a ejaculação masculina, sobre o toque, de transar ou não. Fiquei observando e que coisa fantástica, que coragem. Mas essa coragem só tem quem viveu, quem vive o sexo como prazer, como alegria e como amor. Se tu não vive como amor, tu não vai ter essa coragem. Por isso é importante a gente viver isso e poupar nas crianças essa dor de cabeça, esse medo, essa tortura, essas dúvidas, essa distorção. Parabéns para uma pessoa que faz isso. Eu gostaria que muitas pessoas conseguissem ter essa satisfação sexual, esse amor e poder falar para as crianças de peito aberto algo de compreensão, não de exibicionismo, mas de compreensão.

Você já imaginou nessa idade receber essas informações? Ou até na idade que tu estás, uma mulher chegar e falar que gosta disso ou daquilo. Hoje em dia dois adultos que já estão a cinco anos juntos não tem a coragem de dizer o que gosta ou não. É uma diferença incrível. Isso é realmente educação, é educação de verdade. Porque isso não tem preço, isso não tem em livro. Essa informação direta, pessoal, rica. Assim é que a gente começa a transformar esse desespero sexual, essa pornografia sexual em algo bonito, corajoso e amoroso.

Eu gostaria que todos os adultos refletissem a respeito e pudessem ter um exemplo como o dessa professora que é algo muito fantástico. Eu, honestamente, como adulto daria tudo para estar olhando para a cara dessa gurizada, para estar olhando esse momento magnífico. É óbvio, vai ter os caretas que vão dizer: “Que horror!”. Mas os caretas já são caretas mesmo. São pessoas muito frustradas que nunca vão saber o que é o amor, o que é a sexualidade.

Salvem os adolescentes!

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Por Milan

Salvem os adolescentes! Esse é um grito, um apelo, uma súplica para os pais, amigos, irmãos e tios de adolescentes. É um absurdo a situação que se encontram. Eu tenho uma filha, Punya, que facilita um grupo de adolescentes no Namastê. Nos próximos dois meses (Junho e Julho) ela vai parar com o grupo porque estão vindo poucos adolescentes. O que é muito triste, pois é um trabalho rico, mas muito rico mesmo. Eu tenho um filho adolescente que vai e eu sei da importância desse trabalho. Olho para o meu filho e vejo alguns problemas, como não conseguir se expressar. Eu também não me coloco com ele e isso cria uma distância. Por quê? Porque nossos adolescentes são educados pela internet, por um Facebook podre. Gente, olha o Facebook e vê o que é. Os nossos filhos vivem no Facebook. Vivem nas redes sociais. Eu sei que para os pais gera certo alívio porque assim eles não estão incomodando, mas não estão incomodando agora, no futuro vão incomodar terrivelmente. No futuro vai ser uma tragédia, uma baita tragédia. Isso deixa a pessoa vazia, ansiosa. O Facebook tira todo o conteúdo emocional dos nossos adolescentes. Eles ficam simplesmente vazios, com um papinho frau. Parecem todos descolados em sexo. Mentira! É tudo um personagem. Eles têm acesso a informações muito distorcidas sobre sexualidade, informações distorcidas sobre o amor. Na real, eles estão em sofrimento e não tem com quem falar. Os pais não ouvem. Os pais não estão interessados. Estão interessados em deixar eles na Internet porque pelo menos não perturbam. Isso é uma postura que fomos assumindo devido ao nosso sistema doido. Só que são nossos filhos. Como vai ser depois?

Acho gozado porque todo mundo concorda que 80% dos adolescentes fumam maconha, mas menos o teu filho, óbvio! Só teu filho se salvou. Eles nunca vão falar, nunca vão dizer. A gurizada vai para a maconha porque não tem nenhuma saída, não tem nenhum contato social. O vício em maconha ou em uma rede social é um dano enorme para um adolescente. Eu gostaria que vocês olhassem desesperadamente para isso. Eu sei que o mundo está nos constrangendo com o tempo, a gente não arruma tempo para nada, não consegue tempo para fazer coisa alguma. Não consegue por causa desse ritmo louco e nós vamos inserir nossos filhos nesse ritmo louco também. É isso que queremos para eles? É isso que queremos para o sangue do nosso sangue que são nossos filhos? A única coisa que queremos é que não nos perturbem? Eles são calados, quietos, mas por trás eles têm um monte de questionamentos, um monte.

Você reclama que eles não sabem fazer nada, mas onde vão aprender? Em uma tela de computador tu não aprende absolutamente nada. É uma coisa que desvincula eles da realidade. Por isso hoje em dia computador é droga braba. Porque passam horas e horas com certo conforto dos pais porque ficam quietos, se acalmam. Isso é pior que dar antidepressivo para eles. Se você leu o livro do George Orwell, 1984, é isso que está acontecendo. E tu te importas com o teu filho? Te importa que ele seja algo melhor que você, mais evoluído? Ou você desistiu? Simplesmente desistiu porque desistiu da tua vida e da vida dele. Olha, a minha experiência no Namasteen, por exemplo, é muito clara, eles ficam muito mais questionadores, eles vão bronquear mais em casa, mas isso é gente viva, morto não tem problema. Tu queres criar o quê? Carneiros? Que sobem, descem e não questionam nada, não tem boca para nada. É isso que tu espera do teu filho? É isso que vai te satisfazer? Você está ali um morto-vivo e não quer que ele incomode? Claro que ele vai incomodar. Claro que ele vai entrar em conflito. Conflito com os pais. Você foi adolescente e não entrou em conflito? O que teu pai fez? Mandou tu calar a boca? E tu engoliu. E hoje tu adota o mesmo sistema de vida dos teus pais emocionalmente. Você quer enxergar isso? Você quer ser realmente um pai que no futuro seu filho só vai te procurar no dia dos pais, no natal ou no ano novo para te dar um presente e por obrigação. Quando, na real, ele está a fim de fazer outra coisa.

A maioria dos adolescentes são monossilábicos: “sim”, “não”, e abaixam a cabeça. Por que tu acha que é assim? Porque tem um monte de coisas por trás. Porque eles não confiam, não falam. Se tu quer te iludir, te ilude. Se tu queres criar teu filho nessa vida careta, então cria.  Cria como um protótipo para a sociedade. Cria ele para estudar para o vestibular, para ele conseguir fazer aquilo que tu não fez, ou para ser um grande engenheiro, com um grande salário, mas e aí? Com uma vida medíocre, uma vida pobre. Conheço muitos engenheiros que jogariam seu diploma fora para poder amar de novo, para poder transar com prazer, com alegria, com êxtase. Não sei se vocês conseguem compreender isto. Mas é algo muito importante, afinal de contas para onde vai isso? Olha, eu gostaria que ao menos, talvez tu ache o Namastê uma coisa muito grande, que aquele pessoal é demais. Não sei qual o conceito que tu tem, mas você nem se informa porque não quer se incomodar. Para que as pessoas não te questionem se estiver toda hora no celular, por exemplo. Isso é muito doente, isso é uma droga. Celular é droga, droga forte. Não é mais um meio de comunicação, é uma maneira de se chapar, se desconectar da vida, sair fora.  Se você quer saber, faz um teste se você é viciado ou não. Passa um dia sem celular. Vai te dar a sensação que o mundo vai cair, parece que você está pelado. Experimenta. Fica um dia sem. Você vai ter noção de quanto tempo tu gasta. Mas você não se importa. Depois quando estiver mais velho faz terapia. A gente faz.

Eu trabalho há trinta anos como terapeuta, trinta anos. Conheço todas essas histórias de adolescentes. Tu vai ficar perguntando o que eu quero de ti com isso. Não quero nada de ti. Eu só quero isso para os meus filhos. Eu sei, eles ficam mais questionadores. Às vezes o teu filho vai te questionar sobre o que tu reclama porque tu faz igual. E aí o que tu vai fazer? O cara não é mais um boca aberta que só fica engolindo coisa. Mas isso é bom, é saudável, isso é ser humano, ou tu quer ser o quê? Carneiro?  Eu tenho filhos que discutem comigo não sobre abóbora, mas sobre sexualidade, sobre dificuldades que está tendo com namorado, sobre ejaculação precoce, sobre dificuldade de aprofundar no coração. Esse tipo de discussão. É um privilégio ter isso, poder saber quem eles são. Será que você está interessado nisso ou você só quer que seu filho seja um robozinho? O Namastê é uma saída. E pra ti que não vai ao Namastê tem um seriado chamado Merlí, feito em Barcelona, da Netflix. Vê com teu filho. Ou vê tu primeiro se quiser fazer uma censura. Vê as questões colocadas para ver se não dá uma luz. É o que a gente precisa, o que os adolescentes precisam: uma luz. Uma luz para essa vida, uma luz para poder viver de uma maneira mais saudável, mais amorosa. É um grito de desespero, sim, é preciso salvar, ACORDA! A maioria dos adolescentes está absurdamente viciado nisso e eles mostram um personagem que não são. Como se estivessem resolvidos, mas não estão! Estão sofrendo e tem medo. É tudo uma conversa da boca para fora. Porque ninguém contata com eles. É como na internet. Olha aquilo, não está todo mundo bonito, todo mundo bem? Todo mundo é legal, né?  Tu sabe que é mentira. Ou tu acredita que é real? Alguém posta alguma coisa verdadeira sobre si? Alguma coisa de conteúdo? Não, é só bobagem. Ninguém posta a verdade sobre si, que tem dificuldade nisso ou naquilo. Tu não conhece a pessoa. Tu conhece a fachada que ela inventa. Ela inventa uma fachada e tenta ser aquilo, mas entra no buraco porque não consegue ser uma imagem que projeta de si mesmo. Só que ele não vê que essa imagem é falsa, de um mundo distorcido, que foi dado à eles. Profundamente há uma necessidade de que você acorde. Salvem nossos adolescentes! Isso é para hoje!