Sexo mental não faz meu estilo

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Por Prem Jwala

Nossa sexualidade deveria ser uma inestimável fonte de prazer, mas não é isso que vem acontecendo em nossa sociedade. Pelo contrário, depressão está virando epidemia, remédios psiquiátricos são vendidos a rodo, e o consumismo continua desenfreado. Tudo isso decorre de um simples fato: temos muito pouco prazer em nossas vidas.

Isso inclui a sexualidade que, segundo Alexander Lowen, mentor da Bioenergética, é uma forma adulta de trocar afeto. Hoje não temos aquela repressão escancarada de anos atrás quando era dito explicitamente que sexo era sujo e feio, pelo contrário, em todos outdoors, propagandas de TV, em tudo o sexo está lá, na cara. Tudo direcionado para o consumo. Casas de swing, sex shops, sites pornográficos, existe todo um mercado em volta do sexo, tentando fazer com que as pessoas consumam e acreditem que assim vão se satisfazer sexualmente. Mas, se isso funcionasse, como se explicaria o consumo cada vez mais o alto de remédios como “sialis” e “viagra”? Como se explicaria cada vez mais homens com impotência e ejaculação precoce e mulheres com dificuldades de ter orgasmo?

Porque todo esse aparato não traz a satisfação real do sexo. Para se alcançar isso é necessário entregar seu corpo aos seus sentimentos e à sua energia; é necessário ter uma conexão com a outra pessoa. E não é com remédios e brinquedinhos que se alcança este nível de satisfação. Quando nos apaixonamos o sexo fica maravilhoso, transamos horas, dormimos tarde e acordamos cedo felizes da vida. Tudo fica mais bonito, você fica mais amoroso, mais sensível. E o sexo, quando vivido de uma maneira mais natural, inevitavelmente vai chegar no coração.

No entanto, todos esses “objetos sexuais” não passam de uma excitação mental e nunca vão proporcionar o êxtase e o relaxamento que um encontro sexual profundo pode trazer. É claro que é bom vivermos nossas fantasias sexuais e nos soltarmos na cama, pois crescemos cheios delas devido à imensa repressão sexual que sofremos desde a infância. Porém ficar somente nisso é abrir mão de uma parte fundamental da vida que é o sexo conectado ao coração, onde você “sai da cabeça” e o ego perde o controle e você fica mais sensível, mais humano, com mais compaixão.

Na verdade todo esse aparato existe como uma forma das pessoas viverem um pouco a sexualidade mas permanecerem funcionando normalmente no “sistema”, pois pessoas sexualmente satisfeitas jamais aceitariam viver do jeito que vivemos hoje, sem tempo para nada, num super stress, aguentando passar três ou quatro horas por dia no trânsito, como acontece em muitas das grandes cidades. Seria insuportável passar tanto tempo em ambientes fechados sem luz e sem graça, como apartamentos, empresas, muitas vezes na maior parte do dia respirando ar condicionado ao invés do ar natural.

Não é possível viver uma vida frustrante o dia inteiro, cheia de problemas, num trabalho chato, sem contato mais íntimo com outras pessoas, sem contato com a natureza e depois chegar na hora do sexo e estar super relaxado e presente. Talvez por isso sejam necessários tantos entorpecedores, para as pessoas simplesmente poderem relaxar. Sóbrias, a maioria das pessoas se sente tensa e constrangida, tanto que diversão é sinônimo de festa e bebedeira.

Portanto a falsa liberação sexual que existe hoje não passa de uma maneira de distrair as pessoas para elas continuarem no sistema produtivo sem questionar o que realmente elas precisam, e o que realmente é importante na vida. Quando, na verdade, se não houver uma transformação interior, no jeito como você se sente o sexo, o seu corpo, como se sente em relação aos homens e às mulheres, você pode mudar do jeito que quiser a periferia que não vai adiantar, pois o sentir vem de dentro e se dá no corpo e não na cabeça.

Talvez você se identifique com muitas das situações citadas, então se mexa porque a vida passa e é muito triste chegar lá no fim com a conta do banco cheia mas o coração vazio.

3 comentários sobre “Sexo mental não faz meu estilo

  1. Isso expressou tão bem como eu me sinto:

    “pessoas sexualmente satisfeitas jamais aceitariam viver do jeito que vivemos hoje, sem tempo para nada, num super stress, aguentando passar três ou quatro horas por dia no trânsito, como acontece em muitas das grandes cidades. Seria insuportável passar tanto tempo em ambientes fechados sem luz e sem graça, como apartamentos, empresas, muitas vezes na maior parte do dia respirando ar condicionado ao invés do ar natural.”

    Trabalho e estudo demais por dia, quero passar num concurso público porque quero trabalhar em algo que me dê alguma satisfação, mas minha vida, atualmente, é um inferno. Quando tento colocar em palavras essa frustração, dizendo que o problema é que nada do que eu faço do acordar ao dormir é prazeroso, as pessoas me olham com cara feia, como se pensassem “vagabunda”, “preguiçosa”, “mimada”, “grande coisa”. Mas falo do prazer de coisas simples, de não ter o tempo contado, de poder escolher dar uma volta num parque e conversar com um amigo que está por perto. De, sim, chegar em casa e poder fazer sexo de maneira tranquila e sem pressão de tempo e cansaço. De ver o sol, caminhar na rua e sentir o vento e o sol no rosto. Me sinto cada vez mais doente com essa vida…

  2. Perfeito! Há uns anos li um livro que se chamava “De prazer também se vive”. Eram coisas muito simples, mas aquilo me abriu a cabeça para avaliar a vida que levava e que pretendia levar. Isso ficou comigo um tempo, até que tomei coragem e decidi refazer minhas escolhas: fiz um curso de eletricista, larguei o escritório em que trabalhava com advogado, abandonei grande parte das minhas pretensões materiais (carrão, casona, televisão, etc.), e passei a fazer bicos de elétrica e atender como advogado somente casos que me interessassem profundamente. Muita gente me acha louco (minha família quase morreu de desgosto), mas eu sou muito mais feliz agora, tenho tempo para viver, tenho atividades diferenciadas a cada dia, fico feliz em ajudar os clientes que realmente têm razão. Isso repercutiu até na minha vida amorosa: minha companheira da época resolveu terminar e eu encontrei outra pessoa absolutamente maravilhosa, com quem comparto momentos, prazeres e emoções como nunca havia conseguido fazer antes.

  3. E, quando mais novo o homem, mais ele gosta de sexo com “boneca inflável”, performático, sem prazer real e nem envolvimento. Acho que isso se deve à exposição exagerada à pornografia de massa, que não corresponde em nada a um sexo real prazeroso, muito menos para a mulher.

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