O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier

Por Prem Amrita
 
“Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém”. Essa frase do poeta Vinícius de Moraes me toca muito. Para amar tem que confiar e se entregar, apesar dos medos e das inseguranças. Não é fácil. Romper com as barreiras do ego e permitir ser enxergada é um caminho que envolve prazer e dor.
Na real, é mais fácil criar necessidades externas do que entrar em contato com a falta de confiança, o medo de amar e ser amada. Aquela sensação de vazio que nada preenche. Mas nossa mente é sagaz na busca de subterfúgios, elaboração de estratégias para fazer de conta que o buraco não existe. E assim vamos levando a vida.
 
Encontramos saídas, geralmente pela porta dos fundos, como se queixar da vida, culpar os outros, e continuamos sem assumir a responsabilidade da mudança. Quando apontamos o dedo pro outro, justificamos a grande dificuldade que temos de partilhar, de sermos inteiros, seja com nossa luz ou nossa sombra.
O amor nos possibilita nos conhecermos. Ao nos relacionar, também temos que admitir que não somos tão legais. Não queremos que enxerguem nosso egoísmo, nossa inveja, nossa raiva, nossos medos, nossa fragilidade. Mas o viver dia-a-dia muito próximo e em diferentes circunstâncias, torna cada vez mais difícil disfarçar fraquezas, vícios, manias, padrões.
 
O conhecer de “podres” reforça demais a noção do eu bom, o outro ruim. Esse maniqueísmo, fruto da imagem que fazemos de nós, só estimula os jogos, as projeções e as acusações. Então parece mais seguro manter uma distância das pessoas, pelo menos podemos fingir sem sermos descobertos.
 
Mas, como dizia o polêmico mestre indiano Osho, é tão difícil nos relacionarmos porque ainda não somos, ainda não nascemos, somos apenas uma possibilidade. “Relacionar-se é uma das maiores coisas na vida. Significa amar, compartilhar. Mas antes de poder compartilhar, você tem que ter. Duas sementes não podem se relacionar, elas estão fechadas. E esta é a situação. O ser humano nasce como uma semente, ele pode se tornar uma flor, ou não. Tudo depende de você, se cresce ou não. É sua a escolha – e a cada momento esta escolha tem que ser encarada”.
 
Neste mundo em que vivemos, o normal é escolher não crescer. É permanecer semente. As potencialidades nunca se tornam realidade. O chamado “amor” se reduz a jogos de poder e dominação. Por isso, tanta possessividade[KM1] , ciúme, violência e abuso. Por isso, o amor cria mais miséria do que alegria. Ficamos no medíocre, no dito seguro. Preferimos amar um cachorro, um gato, ou um carro, computadores, celulares, máquinas que podemos dominar. Por quê?
 
Osho explica: “Porque amar seres humanos tem se tornado um verdadeiro inferno. Um eterno conflito. Sempre na garganta uns dos outros. Esta é a forma mais baixa de amor. Não há nada de errado, se você puder usar isso como um aprendizado, se você puder usar isso como uma meditação. Se você puder observar, se tentar entender, você subirá um outro degrau, estará se movendo para cima. Somente no pico mais alto, quando o amor não é mais um relacionamento, quando o amor é um estado de ser, a flor de lótus se abre totalmente e um grande perfume é exalado”.
 
 
 
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