Qual é a saída?

Saída

Por Prem Milan

Quando uma crítica contundente é feita, todo mundo quer saber a saída. Quer ganhar de presente a solução para o problema. Essa é a característica básica do sistema que nos perverteu. Alguém tem que te dar a saída, sempre.  O que tenho a dizer quanto a isso é que o seu cérebro precisa voltar a funcionar. Não esperar somente pelas respostas dadas pelo inconsciente. Afinal, a saída, nós construímos juntos, com nossas mãos.

Sim, é fundamental que compreendamos isso! Pois, desde cedo, essa ideologia consumista do conforto nos é imposta. Só queremos saber das facilidades. Trabalho é um saco! Virou um saco. Agora, se você trabalha em algo que você curte, existe uma alegria! Se você vai construindo as coisas que precisa, é um barato! E precisamos voltar a ter isto. Hoje em dia, não construímos nada, nem um móvel sequer. E o conceito atual nos ensina que isso é viver bem. Justamente o que torna os nossos corpos incapazes de fazer qualquer esforço. Sistema automático gera automatização. Mesmo sabendo que dentro de uma garrafa de suco tem veneno, vou lá e tomo. Mesmo sabendo que a comida tem veneno, vou comer igual.

É necessária uma luta muito forte porque é a tua vida. Você precisa resgatá-la. Durante muito tempo, você entregou a sua vida nas mãos dos outros, delegou que fizessem tudo por você. E o sistema nos ensina a desistir, não a se esforçar.

Olha, eu moro numa comunidade com mais 45 adultos. Para nós, não é fácil mudar certos conceitos, claro. Estamos começando a produzir nossa comida e também metendo a mão na massa. O que só é possível porque estamos numa comuna, onde nos apropriamos de algumas práticas de trabalho como: cuidar do jardim, pintar uma janela, fazer um móvel, arrumar uma torneira, tratar galinhas e etc. E posso te afirmar que um dos momentos mais graciosos e belos do nosso convívio é quando fazemos mutirões. Uma simples ação que faz brotar dignidade, esperança… Parece até que o corpo diz: “obrigado”.

Não estou propondo que voltemos à idade da pedra! E sim,  que criemos alternativas. A visão do Osho era muito interessante a respeito disso. Se o ser humano vivesse em comunidades teria mais troca, mais amizade, mais alegria. Só que também teríamos mais atritos, mais discussões, mais inveja, mais ciúme! E  muito mais alegria, tesão e vida! Parafraseando Chaplin “não sois máquinas, homens é o que sois”. Leia o último discurso de Charles Chaplin feito nos anos 40. Aquilo é atual.

Temos que entrar profundamente em nosso sentimento, quebrar essas barreiras, sentir, colocar pra fora… Assim, poderemos resgatar nossa lucidez emocional, que foi totalmente contaminada pela dependência que tínhamos dos nossos pais. Inconscientemente, eles nos manipularam ao nos repassar seus valores de posse, ciúme, inveja, egoísmo, medo. Eles também receberam os mesmos sentimentos. E esta corrente se estende até hoje.

O touro é castrado para virar boi manso porque assim puxa a carroça, se submete, obedece… E essa castração psicológica é feita em nós. E o rompimento com esse padrão emocional é um grande passo em direção à liberdade e a lucidez… É a lucidez que te faz lutar contra o sistema. Permite que o amor, a sexualidade e a liberdade se expandam. E depois disso, com certeza, você vai ver que não precisa de muitas das quinquilharias que o consumo nos adverte como essenciais. Esta, sim, é a verdadeira revolução ecológica, amorosa e humana.

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