Atrito – o movimento da vida

 

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Prem Milan

 

Esta é uma lei física, a base do mundo. A cada movimento, você precisa ter atrito. Se você não tem atrito, não consegue se mover, mudar de lado ou direção. É uma essência para a vida! É a forma de crescer, se expandir. A energia é gerada por atrito. O atrito da água dentro de uma turbina, movendo os geradores. A energia atômica é atrito, é o choque entre os átomos.

O remédio que cura vai criar um atrito com o germe, contra a bactéria. Tudo o que você quiser ver na vida, tem um atrito. Uma criança, para se desenvolver de uma forma sadia, assim como todas as suas capacidades, precisa de atrito. Ela tem que entrar em atrito com seu pai e sua mãe para se autodeterminar, para saber que é um ser separado. Porque quando a criança nasce, ela acha que é o mesmo ser que a mãe e precisa de um tempo para conseguir se definir.  Precisa de atrito com outras crianças. Você vê que elas brigam e logo fazem as pazes. Ela precisa disso para se desenvolver. Você já viu que toda criança adora brincar de luta? Pois é porque ela precisa disso. E não é só tv. No meu tempo, nós vivíamos de luta, de espada, precisávamos disso, criávamos força e agilidade.

Hoje nós criamos a criança com muito medo. Uma criança não pode cair no chão e ralar o joelho. Faz bem pra saúde se machucar e levantar e assim ela vai saber o que é equilíbrio. Pular, subir numa árvore…

Estamos tirando todos os atritos, toda a possibilidade desse embate. É necessário para o corpo se desenvolver, subir morros, montanhas, faz bem para o pé. Se andar sempre em terreno plano, vai ficar com o o pé de pato, meio aleijado. Aí vai vindo, crescendo rumo à adolescência.

A sexualidade é o ápice disso. Começa na nossa puberdade, um atrito entra duas pessoas. A sexualidade tem um coisa bonita: o pênis e a vagina (opa! Será que pode falar isso?) O atrito gera energia, prazer, alegria. O atrito é fundamental.

É obvio que se entrarmos no excesso de atrito vai ficar ruim. Agora estamos em muita falta de atrito. Estão suprimindo isso. Quando entramos num amor é todo um atrito na vida da gente, atrito a tudo, a família, aos amigos, todo mundo fica meio assim. Você muda seus corpo, fica mais ágil. Até que faz-se um contrato para se acomodar e começa-se a fugir de tudo o que pode gerar conflito.

Ahh, não posso olhar para outros homens”, “não posso olhar para outras mulheres”.  Aí você vai perdendo o atrito daquela energia de tesão que alguém te manda. Isso faz você crescer como pessoa. Você tem que lidar com essas situações. Mas a maioria prefere ficar um bofe assexuado para não ter esse tipo de problema. E quando vai ver sua própria relação é sem nada. Suprimiram o atrito.

O desafio de estar num amor e aparecer uma pessoa interessante, o atrito que cria, o teu amor tem que crescer, obrigatoriamente. Se não tem esse atrito, ele se acomoda.

Eu estava plantando árvores frutíferas no sítio e queria colocar uma irrigação. A indicação era colocar mais longe das árvores para que ela fizesse força para buscar água. Assim ela vai desenvolver mais raízes, maior espaço, maior quantidade de alimento. Se você coloca perto ela vai ser preguiçosa, vai ser bonita, vistosa, mas seus frutos não serão suculentos. Serão sem gosto. E essa falta de atrito ao amor, está o tornando sem gosto.

Aparentemente bonito, mas sem essência! Se quiser testar, vai num prédio desses grande e observe quantos casais bonitos passam, mas veja se algum som de transa existe naquele local. É tudo proforma. E depois só se ouve dizer que o casal se separou.

Você quer fugir do atrito? Você vai virar um “vegetal feliz”. São aqueles que não querem nenhum atrito, nenhum contato com raiva. Estão rindo mas são vegetais, totalmente sem graça. Mas na cabeça, nos papos são incríveis e fantásticos. Agora na cama, “my god”, uma decadência!

E para ilustrar, vou encerrar com uma historinha legal do OSHO. E uma dica: não suprima o atrito da sua vida. Isto é a lei da vida. Nossos brilhantes raciocínios não alcançam a total dimensão da existência.

Um dia um velho fazendeiro veio a Deus e disse: “Olha, você pode ser Deus e ter criado o mundo, mas preciso lhe dizer uma coisa: Você não é fazendeiro e não sabe o ABC da agricultura. Você tem muito o que aprender.” Deus disse: “O que você sugere?”. O fazendeiro respondeu: “dê-me um ano e permita que as coisas sejam de acordo comigo e veja o que acontece. Não haverá mais pobreza!” 

Deus concordou e um ano foi dado ao fazendeiro. Naturalmente, ele pediu o melhor, pensava somente no melhor.

Nada de trovões, nada de ventos fortes, nenhum perigo para a safra. Tudo confortável, aconchegante e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo tanto! Quando queria o sol, havia sol, quando queria chuva, havia chuva, o quanto quisesse. Neste ano, tudo estava certo, matematicamente certo.

O trigo crescendo tanto… O fazendeiro ia a Deus e dizia: “Olhe! Desta vez a safra será tão grande que, por dez anos, mesmo que as pessoas não trabalhem, haverá comida suficiente!” 

Mas quando fizeram a colheita, não havia grãos. O fazendeiro ficou surpreso. Ele perguntou a Deus: “o que aconteceu? O que saiu errado?”

Deus disse: “Por não existir nenhum desafio, nenhum conflito, nenhuma fricção, já que você evitou tudo de ruim, o trigo permaneceu impotente. Uma pequena fricção é uma necessidade. As tempestades são necessárias, os trovões e os raios são necessários. Eles agitam a alma dentro do trigo!”

 

 

 

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