Mulheres Perfeitas

texto Mulher Pefeita

Por Punya

Muitas vezes sinto ódio dos homens por desejarem mulheres “perfeitas”, boas esposas, ótimas mães, sempre alegres e ainda por cima gostosas. Quando entro em um relacionamento, fico obcecada por esta tal perfeição, com medo de não ser aceita, amada, para ser feliz para todo o sempre. Muitas vezes o companheiro nem falou nada, nem demonstrou que gostaria que eu fosse desse ou daquele jeito e eu já estava lá, na busca frenética por esta “perfeição”.

Na minha guerrilha pessoal feminista me deparo com um grande e poderoso adversário, com meu maior inimigo, o pior machista da minha vida: EU MESMA! Sou eu a louca, que por ciúmes, quer que todas as amigas – inclusive as que mais amo – morram. Sou eu a louca que não fica lubrificada na hora “H” por falta de jeito e paciência do homem e ainda assim se sente frígida. Sou eu a louca que, na hora de mostrar meu trabalho aos outros, pede para um colega do sexo masculino fazê-lo, julgando-o mais apto, dando os créditos a ele. Sou eu a louca que anda linda na rua mas, se os homens se virarem para olhar, sente-se mal por não estar mais invisível, por não ter colocado uma roupa mais discreta. Sou eu a louca que se sente incompleta e ao invés de ir fundo neste vazio até encontrar o ponto crucial desse buraco, entra numa busca desesperada por um homem que a complete. Sou eu a louca que busca um homem que me dê aquilo que me faltou na infância, aquilo que meu pai e minha mãe deviam de ter me dado. Eles é que deviam ter alimentado e fortalecido meu ser, para eu crescer uma criança e uma adulta mais confiante, mais livre e mais conectada com meu poder, com a beleza de ser Eu. Esse cuidado que, infelizmente, me faltou, faltou para eles também…

E nessa grande bola de neve, de faltas e buracos que muitas vezes não vem à consciência, esses modelos distorcidos, moldados e enquadrados de seres humanos, vão se difundindo, sendo passados de geração em geração. A gente aprende que somos livres para ir e vir, mas na verdade não temos a real liberdade de sermos o que quisermos ser. Assim, quando negamos algo em nós ou abafamos potenciais, nunca conseguiremos esta completude. Quando tenho que me portar como a s tais“mulheres perfeitas”, eu nego muito da minha intuição, do meu instinto, criatividade e sexualidade. Um grande sonho feminino é a liberdade de podermos ser quem somos. Simples assim. Com todos os nossos polos, qualidades e defeitos, com as nossas infinitas pluralidades. Queremos a liberdade de ser bonita e feia, de ser engraçada e chata, forte e frágil, sexual e assexuada, santa e louca. Mas principalmente, nosso maior desejo, nossa maior luta, é a de não precisarmos assumir personagens que não somos. Nossa luta, além de externa, também é interna. Queremos romper padrões de comportamento de séculos, desde a história da criação humana, segundo a Bíblia, de Adão e Eva, onde a mulher nasceu de um pedaço do homem, dependente dele, sem poder ser única, ímpar, linda e perfeitamente singular.

Queremos romper padrões que vieram desde a Grécia Antiga, em que o único poder da mulher era o de cometer suicídio: “a glória da mulher era não ter glória” (Nicole Louraux, Maneiras Trágicas de Matar uma Mulher). Essas normas que nos foram ditadas ainda no tempo dos nossos avós e pais, nos ensinam como devemos agir. “calar quando de fato estamos ardendo”, como desabafa Clarissa Pinkola no clássico “Mulheres que Correm com os Lobos” .

A nossa liberdade é também uma liberdade para o homem porque, reconhecendo nosso ser, assumindo a liberdade de sermos o que somos, também damos essa liberdade para o homem ser quem ele é com toda singularidade e pluralidade. Assim, ninguém precisa assumir qualquer tipo de papel, e sim, a maturidade e o crescimento de seguir fluindo juntos, dois amantes, amigos para vida e expansão, a favor do desejo maior do ser humano, a favor da qualidade mais essencial: o Amor.

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Namastê: 17 anos de um Sonho

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* Post especial de aniversário

Por Prem Milan

No ano de 1997, eu vivia uma crise pessoal com o trabalho de terapia. Realizava, há uma década, o trabalho Pai & Mãe (processo profundo em que é trabalhada a relação do indivíduo com os pais), mas apesar de ver os clientes melhorando bastante em qualidade de vida, percebi que eles voltavam para a normalidade e acabavam engolidos pela rotina, pela falta de perspectiva em viver de um modo diferente. Neste tempo, minhas amizades iam escasseando, me sentia como se não tivesse para onde ir. E acabava caindo na minha própria desistência: “Ah! O ser humano não tem jeito mesmo”. Comecei, então, a me interessar por criar cavalos no sítio, o que me rendia bom sustento e menos responsabilidade. Resumindo: uma vida mais fácil.

Mas um dia, em uma roda de papo ente criadores de cavalo, percebi que eu estava me transformando num idiota. E que sorte ter tido essa sacada! Porque no conforto e na facilidade daquela vida estava o atestado da minha idiotice. Eu vivia sem desafio. Vi que não era bem por aí o caminho, no entanto, a decepção com a terapia continuava.

Na mesma época, minha então parceira passou pela Rua República e viu um prédio meio abandonado onde viviam alguns moradores de rua. “Que prédio legal, vamos fazer um Centro!”, ela disse. Na contramão do seu entusiasmo, respondi imediatamente: “É legal, mas muita encheção de saco. O clube de pais e mães, os vizinhos e até o porteiro do prédio vão ser contra”. Mais uma semana se passou. Levado sutilmente pela minha parceira, olhei o prédio. E aí não teve jeito, pegou na veia. Olhamos. Estava tudo aberto e totalmente destruído. Era uma grana a ser investida, mas quando pega no coração a coisa vai. Finalmente começamos a mover as águas e se criou uma onda. 25 bons amigos doaram mil dólares cada um para me ajudar a levantar aquele espaço. Um espaço de bionergética, de meditação e do Osho. 25 pessoas corajosas e autênticas doaram por doar e nos jogamos de cabeça em um projeto alucinado. Claro que gastamos um tanto além do que recebemos. Só que o orgulho, o prazer e a alegria que todos sentimos ao ver surgir aquilo diante dos nossos olhos são inesquecíveis.

O Namastê sempre foi uma construção de muitos. Esse prédio da República sempre foi cercado de amor. Mesmo trabalhando por 17 anos com terapia porrada e meditações fortes, nunca tivemos um problema grave. Parece ser a proteção que a existência trouxe ao coração de todos que participaram e ainda participam dessa construção.

Muitas pessoas se engajaram por períodos no desenvolvimento do projeto de expansão do Centro, que hoje é referência mundial em desenvolvimento humano. É um sonho de muitos, revolucionário, comprometido apenas com a sua autenticidade e mais nada. Um espaço que já ajudou tantos seres humanos possibilitou muitas relações novas, onde grandes amizades aconteceram e muitas vidas foram resgatadas… Você não tem ideia de quantas pessoas deixaram de tomar remédios psiquiátricos e passaram a ser mais saudáveis...

Desde o inicio, nós sempre contamos com uma coisa: os Amigos do Namastê. Atualmente, ser um Amigo do Namastê significa que você pode contribuir com R$ 70,00 e fazer todas as meditações, inclusive a AUM, sempre que quiser. Mas, MUITO mais do que isso. Você está dando a energia do teu coração para esse espaço. Daqui há 100 anos, quando o ser humano estiver mais evoluído e amoroso, esse Centro será lembrado. Todos que passaram por aqui serão referências de inspiração no resgate humano, amoroso e solidário.

O Namastê sempre surpreendeu e trouxe questões fundamentais da existência à tona. Além disso, é até hoje a porta de uma Comunidade que completa 10 anos. Nela, vivem 45 adultos e oito crianças que estão buscando uma forma de vida mais saudável em todos os aspectos. É um lugar onde se valoriza a meditação, a amizade, a verdade e o amor. Um lugar que te desafia a dar um salto para o novo. Muitos que se sentem atraídos pela beleza desse lugar, se voltam contra ele por não ter coragem de concretizar esse passo. Todas essas pessoas deveriam pensar que, mesmo que elas não consigam, que bom que outros estão conseguindo acender essa chama!

Namastê 17 anos! Uma linda referência. Você também deve vir fazer parte dessa história tão bonita. De concretização de um sonho que, pela lógica vigente, simplesmente não deveria existir. Mas existe e se criou pelo amor, pelo sonho, pela autenticidade, bem aqui no coração de Porto Alegre. Você pode estar aqui, participar do que há no prédio mais bonito de toda a cidade. Uma criação coletiva nossa, de muita inspiração, que existe para contentar teus olhos e preencher o teu coração.

Seja bem-vindo a fazer parte dessa história!

Prenda-me, ata-me, mas não conta para ninguém.

amor cadeado coracao

Primeiro, fiquei muito intrigado ao ver um monte de cadeados atados ao portão de um castelo na Espanha. Depois, passando por uma praia linda, vi um corrimão de ferro com um monte de cadeados. Uns em forma de coração, outros coloridos, outros normais… Fiquei chocado ao imaginar um casal cujo o símbolo do amor seja um cadeado, sinônimo de aprisionamento. Intrigado, fiquei pensando como é possível haver esse sentimento em relação ao amor. Como é possível que ele seja reduzido a isso.

De repente, decidi voltar a reflexão para mim. Vi que compartilho desse sentimento. Essa imensa vontade de prender-me, de atar-me à outra pessoa como se fosse parte fundamental no amor. Foi muito difícil admitir que eu tinha esse sentimento, que eu também tinha essa vontade. Aos olhos do ego, isso é uma coisa horrível. Então, me botei a pensar de onde vinha isso?

Comecei a me lembrar de vários  momentos sexuais quentes. Eu sentia o desejo de ser possuído, de ser engolido pela outra pessoa. De ser parte dela. É como se o amor resgatasse a possibilidade de não estar dividido, o que cria uma imensa sensação de vazio. E quanto mais forte tiver a nossa divisão, mais forte será a nossa frustração! O amor é atraente porque nos dá o gosto da unicidade. E talvez esteja aí o grande equívoco. O outro pode ser apenas uma ponte para a nossa unicidade. Temos que buscar a nossa verdade pessoal, o que significa resolver, inclusive, os nossos conflitos infantis. Afinal, foi lá no útero que nós tivemos a maior experiência de unicidade.

Esta recuperação é essencial para que o nosso amor seja profundo, inteiro. Um amor dependente, cheio de cadeados, perde sua beleza, sua graça. Cria apenas pessoas chatas e convencionais.

A outra pessoa é uma passagem! Você tem que atravessá-la. Talvez seja esta a grande atração. E você só terá êxito se buscar teu crescimento emocional, se viver as diversas situações que a vida te impõe, se desbloquear a energia reprimida na raiva, na dor, na alegria.

Assim, você estará com outro, mas uma pessoa autônoma! Isso de os casais terem os mesmos gostos, as mesmas atividades, os mesmos programas e etc é puro cabresto. Eis que surge o cadeado! Você contrai a pélvis para trancar tua energia sexual, tensiona a pélvis, puxa ela para trás para ser o marido fiel, a esposa comportada e, obviamente, ficam dois frustrados. É óbvio que todo o mundo pensa: “comigo vai ser diferente”.

Mas você tem que saber que o amor vive pela troca entre duas pessoas que crescem individualmente para contribuir com esse escambo. É essencial que você resgate a agilidade, a suavidade, o relaxamento, a força do corpo. O funcionamento fisiológico do coração, a respiração, o fluxo sanguíneo, as articulações e a elasticidade. São ferramentas importantes que vão contribuir para essa libertação.

Outro ponto: não importa quanto tempo leve, talvez algumas vidas, mas é a sintonia desses três aspectos (emocional, intelectual e corporal) desenvolvidos e equilibrados, que vão gerar um quarto aspecto: a espiritualidade: uma harmonia, onde tudo está em consonância com a existência. Assim seus amores crescerão e produzirão frutos, alegrias, amizade e consciência. Esse é um esforço que você vai ter que fazer. Encarar os medos e as dúvidas que te puxam para uma vida pobre.

Na real, elas nos puxam para fora do coração! Na real, o amor é colocado como algo perigoso, que pode gerar solidão e desespero na vida. Mas é exatamente o oposto… É o amor que vai dar sentido a ela.

Sentir faz bem!

 

sentir

Por Pavita

Na fila do controle de passaporte no aeroporto encontrei uma moça, com seus vinte e poucos anos, carregando um travesseiro e uma mochila e… Chorando. Bastante. Em silêncio, mas as lágrimas saltavam grossas dos seus olhos. Perguntei a ela se estava bem, se queria falar comigo. Ela pareceu com vergonha por ter sido “pega” chorando, como se tivesse algo errado nisso. Realmente não é comum ver as pessoas chorando em locais públicos assim, mas gente aos berros no trânsito, ou até com seus filhos no supermercado ou no restaurante, a gente tá mais que acostumado…

Ser vulnerável ficou associado a impotência, a fraqueza, algo profundamente reprimido na vida da gente, individual e coletivamente. A ponto de nos escondermos de nós mesmos quando o sentimento aflora. São muitas as maneiras de evitar se conectar com o sentimento: comemos demais, falamos demais, assistimos TV demais, passamos horas demais na internet, compramos demais, corremos demais, trabalhamos demais, reclamamos demais, dormimos demais, e por aí afora… Daí, aquele sentimento que era bem inocente e pertinente naquele momento, vai ficando guardado num caldeirão chamado inconsciente, já abarrotado de outros sentimentos outrora também escanteado. Boa coisa não pode dar! A qualquer momento vem a emoção “gota d’água”, que faz o caldeirão transbordar, queimando tudo que vê pela frente. Aí a gente se assusta. E aí já não adianta ver TV, trabalhar, correr, comprar ou qualquer fuga habitual. Há quem recorra a recursos mais extremos: drogas, lícitas ou não, comportamentos autodestrutivos como distúrbios alimentares (bulimia, anorexia), automutilação, ou a comportamentos sociopáticos, como bullying e outras formas de agressão para “descontar” a carga que não aguentamos sentir.

Uma das maneiras mais aceitas atualmente na nossa sociedade neurótica para lidar com estes momentos de transbordamento são os “remedinhos”. Aquela pilulazinha pra não ficar ansiosa, pra não ficar deprimida, pra conseguir dormir, pra conseguir acordar, pra conseguir prestar atenção, pra conseguir ter ereção, pra conseguir emagrecer, pra conseguir “sobreviver” aos sentimentos. Outro dia minha depiladora ofereceu uma “ritalinazinha” pra cliente ao lado, “que é muito bom pra essas coisas de estar atucanada”.

Gente, sentir faz muito bem! É coisa de ser humano! É claro que quando tem muito sentimento acumulado, ao abrirmos os portões virá uma avalanche e talvez a gente precise de ajuda mesmo. Talvez a gente precise de ajuda terapêutica, mas talvez um simples ombro amigo, alguém pra nos ouvir ou nos abraçar enquanto choramos já seja de bom tamanho. Amizade não tem efeito colateral, não cria dependência, e funciona tanto em momentos de tristeza, como de prazer e alegria.

Embotamos tanto os nossos sentimentos, que precisamos de mais recursos artificiais para sentirmos algum prazer na vida. Até mesmo nossa sexualidade virou uma fonte artificial de prazer, onde a imagem e o estímulo mental contam mais do que a capacidade do nosso corpo em sentir prazer. Buscamos a adrenalina em situações de perigo para nos sentirmos vivos, pois a vida, simples e magnífica como é, só pode ser sentida se estivermos com nossos sentidos abertos, vivos, vibrantes. Quando éramos crianças, não precisávamos de toda essa baboseira artificial para nos maravilharmos com a existência. Um bebê não pede aos pais todo este arsenal de brinquedos ultra tecnológicos que acabam expondo o pequeno, um sisteminha tão delicado em desenvolvimento, a um abuso de informações visuais e auditivas. Um bebê se maravilha com os raios de sol entrando pela janela e refletindo na lâmpada, produzindo incríveis efeitos visuais e coloridos. A criança sabe explorar cada coisinha, por mais simples que seja, e descobrir suas capacidades e habilidades motoras, sensoriais e emocionais. Mas claro, a criança ainda está emocionalmente limpinha, por isso expressa o que sente com toda a intensidade. Após um choro profundo, ela é capaz de passar ao próximo momento com o frescor de quem acabou de acordar.

Nós, adultos, também temos essa capacidade. De sentir e expressar totalmente, de forma que o sentimento nos atravesse e saia lá do outro lado, fresco e pronto para o próximo capítulo da vida. Mas claro, vamos perdendo essa resiliência à medida que somos treinados para não sentir. Menino não chora, menina com raiva é feio, etc, etc, etc. É hora de dar uma olhada bem sentida para a realidade e ver para onde a desconexão dos sentimentos está nos levando.

Negando os sentimentos, nos desconectamos das nossas necessidades mais primitivas e negligenciamos a realidade. Nos habituamos a uma vida artificial, completamente avessa à nossa natureza, e assim vamos causando danos irreversíveis a nós mesmos, às gerações futuras, ao planeta. Estamos perdendo a capacidade de perceber que o nosso amigo está precisando de apoio emocional, a capacidade de sentir o que os nossos filhos realmente precisam, a capacidade enxergar que estamos detonando o mundo em que vivemos. Tudo pelo “fazer”, “alcançar”, “atingir”, que tomaram proporções catastroficamente maiores do que o “ser”.

Todo o nosso sistema social está organizado de forma equivocada e neurótica. Escolas, religiões, sistema financeiro, político… As “organizações sociais” se tornaram armadilhas nas quais estamos presos. E o pior, acreditamos que não podemos nos libertar delas. Poucos loucos, ao longo da história da humanidade, abriram a boca pra dizer que é possível. Que dá pra mudar. E eu acredito nisso, penso que a mudança deve passar pelo sentir. Tudo: amor, raiva, dor, tesão, alegria, saudade, êxtase, o que o nosso coração tiver no menu! Estudos apontam que usamos muito pouco da nossa capacidade mental. Acredito nisso. Mas acho que utilizamos menos ainda de nossa capacidade emocional! E é nela que reside o verdadeiro poder! As mães sabem disso. Elas sentem o amor incondicional por seus filhos. Um amor que chega a arder o coração. Tá aí a resposta! O coração tem uma sabedoria que nenhum curso de doutorado pode ensinar!

Estamos no jardim de infância dos sentimentos, mas isso não quer dizer que não possamos nos empenhar e aprender o que é sentir.

Sentir faz muito bem, existem muitas formas de ajudar a desbloquear os caminhos para sentir, pra citar algumas que eu conheço: a bioenergética, as meditações ativas, o renascimento… Você pode encontrar a sua, é só deixar o teu coração te guiar.

Obrigada, guria da fila do aeroporto, por sentir tanto na minha frente e inspirar esse post.

Nós estamos inventando a vida como se antes nada existisse

 

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Prem Milan

Isto acontece a cada momento, é uma rebeldia. Um rebelde que está criando o novo, recriando o amor, reinventando a vida a cada momento. Isso foge do padrão e o padrão é algo mecânico, automático. Padrão é algo de máquina, de robô. A humanidade toda foi jogada em um padrão de vida e quando você estabelece isto, tudo o que é belo, morre. Morre o amor, morre a alegria, a soliedaridade, a amizade, a aventura… A vida está tão chata, tão deprimida, porque nós estamos estabelecidos em um padrão. Você tem um namorado ou uma namorada, mas está dentro de um padrão. Você transa dentro de um padrão, quase uma performance. Isto perde aquele sabor que alimenta e que só satisfaz por um pequeno momento, mas não preenche. O amor, quando acontece, é muito lindo, é suculento, é transformador, mas logo ele fica padronizado, aí fica igual a uma flor que foi arrancada e logo vai morrendo aos poucos. Você pode até maquiar para conservá-la, mas não tem mais vida.

A rebeldia é o caminho para se existir. É ir quebrando com teus próprios padrões a cada momento. Isto vai fazer da vida uma aventura, uma beleza. Você pode olhar na história das pessoas. Che Guevara, por exemplo, até hoje é tão presente, tão atraente. Nos empolgamos porque é uma coisa muito viva e Che era um rebelde, estava sempre buscando a transformação. Por isso ele é hoje tão presente. Jonh Lennon era fora do sistema. Os outros Beatles já estavam dentro do padrão, não dizem muito. Lennon até hoje é uma inspiração. A única coisa que o parou, assim como Che, foi a morte.

Lula, na eleição com o Color, era um rebelde, agitou um país inteiro. Era uma onda bonita. Depois, para se tornar presidente, assumiu um padrão e assim deu no que deu. Toda aquela criatividade, aquele amor, foi para brejo. Você pode ver na historia as pessoas que marcaram mesmo. Charles Chaplin, com seu filme “Tempos modernos”; Freud, no início, mexeu com toda a sociedade, depois foi absorvido. Wilhelm Reich, nos anos 50, hoje está totalmente absorvido, enquadrado dentro do sistema.

Um dos maiores rebeldes que eu conheco é o Osho. Incrível a sua rebeldia porque ele não fala para seu ego, fala para seu coração, quebra a lógica, amplia as contradições, cria irritações profundas e te volta a fazer a sonhar ao mesmo tempo. Osho criou uma cidade, no Oregon, para 5000 pessoas e abandonou, simplesmente para não compactuar com o governo americano. Peregrinou pelo mundo onde nenhum país aceitou acolhê-lo, mas em nenhum momento amenizou suas palavras.

Rebelde não escolhe o caminho mais cômodo. Escolhe o caminho que lhe toca o coração. E a rebeldia não é só para os famosos, é para nos pessoas comuns também. Talvez você tenha exemplos na sua infância – eu lembro de algumas rebeldias minhas, de minha mãe não me deixar criar bichos em casa porque trazia muita sujeira e eu criava na casa dos meus vizinhos. Isto me deu muito mais trabalho, mas me satisfez e aprendi a criar caminhos para me realizar e viver aquilo que queria viver.

Lembro da minha turminha com 9 ou 10 anos, 1964, cavando, num matinho, um buraco para fazer uma piscina. Eram 10, 12 guris e todo dia, com afinco, trabalhávamos. Era uma alegria tomar banho naquela mistura de água e barro que virou a nossa piscina. Era muito mais gostoso que aquelas piscinas comuns. Hoje em dia, tenho uma piscina lá no sítio na qual não tomo banho nunca. Está morta, sem vida.

A rebeldia é criar a cada momento, o novo. Mas isso, não é um trabalho, é um fluir da vida. A rebeldia sempre tem um conteúdo e com este conteúdo, ela asume uma transformação. Você pode lembrar do movimiento estudantil nos anos 70 e na luta contra a ditadura. Até hoje é lembrado, assim como o “Fora Color”, “Diretas Já”, que são movimentos que marcaram, ficaram e tiveram frutos, sempre quebrando os padrões do sistema.

Quando se institucionaliza, você pode se iludir o quanto quiser, mas vai ser absorbido. Eu me lembro da criação do Namastê. Foi um choque. Aquele prédio vermelho, na República. Um prédio do Osho, a favor da sexualidade , do amor livre. Nossa! Quanta gente fica mexida até hoje. Tem muita gente que morre de medo de passar ali perto, mas tem uma curiosidade impressionante.

Assim como a criação da Comunidade Osho Rachana. É uma rebeldia incrivel! É fora do padrão. Aquilo não era para existir porque incomoda muita gente, porque é uma vida fora do padrão e, mesmo ali, a cada momento, temos que recriar porque os padrões se restabelecem. Por isso, a cada momento, nós estamos criando o novo. Às vezes, passamos por crises, por desestruturações, decepções, frustações, mas logo rompemos e se abre um novo fluxo de energia, uma nova onda e isto é o sentido da vida, o alimento da alma. A alma vive, se fortalece, cresce e se alimenta destes momentos, destas atitudes, desta coragem de encarar o desespero, o medo, a dor, a raiva, a alegria e o amor porque todas estão juntas. A exclusão de um dos sentimentos vai criar uma distorção em todos os outros. O nosso futebol nos finais de semana é isso, uma aventura a cada final de semana.

Este texto me inspirou a ver um show aquí na Cataluña com Luis Eduardo Aute, um rebelde das músicas de protesto, com 71 anos, falando de orgasmo e que os opostos se complementam, quebrando padrões, criando o novo. Então, quero deixar uma homenagem ao rebelde dentro de ti deixando um verso da música de Luis Eduardo Aute:

Me disse o coração

Que não sou deste planeta

Que caí de algum cometa

Fora de circulação

Ou talvez eu seja um clone

De algo assim como um selvagem

Que articula uma linguagem

De uma estranha dimensao

Porque acontece

Que entre a fé e a histeria da fé

Entre a herança e a heresia

Entre a jaula e a matilha

Entre morrer ou matar

Prefiro amor, amar

Prefiro amar, prefiro amar

Prefiro amor, amar