Nós estamos inventando a vida como se antes nada existisse

 

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Prem Milan

Isto acontece a cada momento, é uma rebeldia. Um rebelde que está criando o novo, recriando o amor, reinventando a vida a cada momento. Isso foge do padrão e o padrão é algo mecânico, automático. Padrão é algo de máquina, de robô. A humanidade toda foi jogada em um padrão de vida e quando você estabelece isto, tudo o que é belo, morre. Morre o amor, morre a alegria, a soliedaridade, a amizade, a aventura… A vida está tão chata, tão deprimida, porque nós estamos estabelecidos em um padrão. Você tem um namorado ou uma namorada, mas está dentro de um padrão. Você transa dentro de um padrão, quase uma performance. Isto perde aquele sabor que alimenta e que só satisfaz por um pequeno momento, mas não preenche. O amor, quando acontece, é muito lindo, é suculento, é transformador, mas logo ele fica padronizado, aí fica igual a uma flor que foi arrancada e logo vai morrendo aos poucos. Você pode até maquiar para conservá-la, mas não tem mais vida.

A rebeldia é o caminho para se existir. É ir quebrando com teus próprios padrões a cada momento. Isto vai fazer da vida uma aventura, uma beleza. Você pode olhar na história das pessoas. Che Guevara, por exemplo, até hoje é tão presente, tão atraente. Nos empolgamos porque é uma coisa muito viva e Che era um rebelde, estava sempre buscando a transformação. Por isso ele é hoje tão presente. Jonh Lennon era fora do sistema. Os outros Beatles já estavam dentro do padrão, não dizem muito. Lennon até hoje é uma inspiração. A única coisa que o parou, assim como Che, foi a morte.

Lula, na eleição com o Color, era um rebelde, agitou um país inteiro. Era uma onda bonita. Depois, para se tornar presidente, assumiu um padrão e assim deu no que deu. Toda aquela criatividade, aquele amor, foi para brejo. Você pode ver na historia as pessoas que marcaram mesmo. Charles Chaplin, com seu filme “Tempos modernos”; Freud, no início, mexeu com toda a sociedade, depois foi absorvido. Wilhelm Reich, nos anos 50, hoje está totalmente absorvido, enquadrado dentro do sistema.

Um dos maiores rebeldes que eu conheco é o Osho. Incrível a sua rebeldia porque ele não fala para seu ego, fala para seu coração, quebra a lógica, amplia as contradições, cria irritações profundas e te volta a fazer a sonhar ao mesmo tempo. Osho criou uma cidade, no Oregon, para 5000 pessoas e abandonou, simplesmente para não compactuar com o governo americano. Peregrinou pelo mundo onde nenhum país aceitou acolhê-lo, mas em nenhum momento amenizou suas palavras.

Rebelde não escolhe o caminho mais cômodo. Escolhe o caminho que lhe toca o coração. E a rebeldia não é só para os famosos, é para nos pessoas comuns também. Talvez você tenha exemplos na sua infância – eu lembro de algumas rebeldias minhas, de minha mãe não me deixar criar bichos em casa porque trazia muita sujeira e eu criava na casa dos meus vizinhos. Isto me deu muito mais trabalho, mas me satisfez e aprendi a criar caminhos para me realizar e viver aquilo que queria viver.

Lembro da minha turminha com 9 ou 10 anos, 1964, cavando, num matinho, um buraco para fazer uma piscina. Eram 10, 12 guris e todo dia, com afinco, trabalhávamos. Era uma alegria tomar banho naquela mistura de água e barro que virou a nossa piscina. Era muito mais gostoso que aquelas piscinas comuns. Hoje em dia, tenho uma piscina lá no sítio na qual não tomo banho nunca. Está morta, sem vida.

A rebeldia é criar a cada momento, o novo. Mas isso, não é um trabalho, é um fluir da vida. A rebeldia sempre tem um conteúdo e com este conteúdo, ela asume uma transformação. Você pode lembrar do movimiento estudantil nos anos 70 e na luta contra a ditadura. Até hoje é lembrado, assim como o “Fora Color”, “Diretas Já”, que são movimentos que marcaram, ficaram e tiveram frutos, sempre quebrando os padrões do sistema.

Quando se institucionaliza, você pode se iludir o quanto quiser, mas vai ser absorbido. Eu me lembro da criação do Namastê. Foi um choque. Aquele prédio vermelho, na República. Um prédio do Osho, a favor da sexualidade , do amor livre. Nossa! Quanta gente fica mexida até hoje. Tem muita gente que morre de medo de passar ali perto, mas tem uma curiosidade impressionante.

Assim como a criação da Comunidade Osho Rachana. É uma rebeldia incrivel! É fora do padrão. Aquilo não era para existir porque incomoda muita gente, porque é uma vida fora do padrão e, mesmo ali, a cada momento, temos que recriar porque os padrões se restabelecem. Por isso, a cada momento, nós estamos criando o novo. Às vezes, passamos por crises, por desestruturações, decepções, frustações, mas logo rompemos e se abre um novo fluxo de energia, uma nova onda e isto é o sentido da vida, o alimento da alma. A alma vive, se fortalece, cresce e se alimenta destes momentos, destas atitudes, desta coragem de encarar o desespero, o medo, a dor, a raiva, a alegria e o amor porque todas estão juntas. A exclusão de um dos sentimentos vai criar uma distorção em todos os outros. O nosso futebol nos finais de semana é isso, uma aventura a cada final de semana.

Este texto me inspirou a ver um show aquí na Cataluña com Luis Eduardo Aute, um rebelde das músicas de protesto, com 71 anos, falando de orgasmo e que os opostos se complementam, quebrando padrões, criando o novo. Então, quero deixar uma homenagem ao rebelde dentro de ti deixando um verso da música de Luis Eduardo Aute:

Me disse o coração

Que não sou deste planeta

Que caí de algum cometa

Fora de circulação

Ou talvez eu seja um clone

De algo assim como um selvagem

Que articula uma linguagem

De uma estranha dimensao

Porque acontece

Que entre a fé e a histeria da fé

Entre a herança e a heresia

Entre a jaula e a matilha

Entre morrer ou matar

Prefiro amor, amar

Prefiro amar, prefiro amar

Prefiro amor, amar

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