Prenda-me, ata-me, mas não conta para ninguém.

amor cadeado coracao

Primeiro, fiquei muito intrigado ao ver um monte de cadeados atados ao portão de um castelo na Espanha. Depois, passando por uma praia linda, vi um corrimão de ferro com um monte de cadeados. Uns em forma de coração, outros coloridos, outros normais… Fiquei chocado ao imaginar um casal cujo o símbolo do amor seja um cadeado, sinônimo de aprisionamento. Intrigado, fiquei pensando como é possível haver esse sentimento em relação ao amor. Como é possível que ele seja reduzido a isso.

De repente, decidi voltar a reflexão para mim. Vi que compartilho desse sentimento. Essa imensa vontade de prender-me, de atar-me à outra pessoa como se fosse parte fundamental no amor. Foi muito difícil admitir que eu tinha esse sentimento, que eu também tinha essa vontade. Aos olhos do ego, isso é uma coisa horrível. Então, me botei a pensar de onde vinha isso?

Comecei a me lembrar de vários  momentos sexuais quentes. Eu sentia o desejo de ser possuído, de ser engolido pela outra pessoa. De ser parte dela. É como se o amor resgatasse a possibilidade de não estar dividido, o que cria uma imensa sensação de vazio. E quanto mais forte tiver a nossa divisão, mais forte será a nossa frustração! O amor é atraente porque nos dá o gosto da unicidade. E talvez esteja aí o grande equívoco. O outro pode ser apenas uma ponte para a nossa unicidade. Temos que buscar a nossa verdade pessoal, o que significa resolver, inclusive, os nossos conflitos infantis. Afinal, foi lá no útero que nós tivemos a maior experiência de unicidade.

Esta recuperação é essencial para que o nosso amor seja profundo, inteiro. Um amor dependente, cheio de cadeados, perde sua beleza, sua graça. Cria apenas pessoas chatas e convencionais.

A outra pessoa é uma passagem! Você tem que atravessá-la. Talvez seja esta a grande atração. E você só terá êxito se buscar teu crescimento emocional, se viver as diversas situações que a vida te impõe, se desbloquear a energia reprimida na raiva, na dor, na alegria.

Assim, você estará com outro, mas uma pessoa autônoma! Isso de os casais terem os mesmos gostos, as mesmas atividades, os mesmos programas e etc é puro cabresto. Eis que surge o cadeado! Você contrai a pélvis para trancar tua energia sexual, tensiona a pélvis, puxa ela para trás para ser o marido fiel, a esposa comportada e, obviamente, ficam dois frustrados. É óbvio que todo o mundo pensa: “comigo vai ser diferente”.

Mas você tem que saber que o amor vive pela troca entre duas pessoas que crescem individualmente para contribuir com esse escambo. É essencial que você resgate a agilidade, a suavidade, o relaxamento, a força do corpo. O funcionamento fisiológico do coração, a respiração, o fluxo sanguíneo, as articulações e a elasticidade. São ferramentas importantes que vão contribuir para essa libertação.

Outro ponto: não importa quanto tempo leve, talvez algumas vidas, mas é a sintonia desses três aspectos (emocional, intelectual e corporal) desenvolvidos e equilibrados, que vão gerar um quarto aspecto: a espiritualidade: uma harmonia, onde tudo está em consonância com a existência. Assim seus amores crescerão e produzirão frutos, alegrias, amizade e consciência. Esse é um esforço que você vai ter que fazer. Encarar os medos e as dúvidas que te puxam para uma vida pobre.

Na real, elas nos puxam para fora do coração! Na real, o amor é colocado como algo perigoso, que pode gerar solidão e desespero na vida. Mas é exatamente o oposto… É o amor que vai dar sentido a ela.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s