A respeito do tantra

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Por Prem Milan

Existem livros, teorias e mais teorias a respeito do tantra. Existem templos na Índia em referência ao tantra. Mas o ser humano com sua ganância, com sua vontade de TER as coisas, de DOMINAR as coisas, nunca respeita o movimento da vida! Aí o cara ouve falar que existe um tipo de relação sexual que pode durar 10, 15, 20 horas, em que o homem não ejacula e que a mulher tem muitos orgasmos. E passa a querer isso. E não há problema em querer, nenhum, mas é tua mente com sua ganância, que está querendo. E isso já começa a ser frontalmente contra o tantra, pois o tantra é fluir, é entrega. Ele só acontece quando você sai da mente. Uma cabeça focada no pensamento jamais vai conseguir entrar nele. Aí é tantra falsificado. O que acontece é uma yoga para você se sentir mais poderoso, o cara que fez a mulher teve vários orgasmos. A questão é que por mais orgasmos que ela tenha tido, não está preenchida. Ela vai ficar babando pro cara, assim como poderia ficar babando por um bom vibrador. Sim, é um exagero, mas naquele momento o homem se transformou num vibrador humano. Quem teve o prazer, na real, foram o EGO, o tico e o teco. Eles estão felizes! Conseguiram transar 5 horas! A mulher teve 4 orgasmos!!!” E as pessoas ficam embasbacadas. Meu deus eu quero ter também!” “Vamos fazer um grupo de tantra, desenvolver técnicas de tantra”… e assim vai. Isso é GANÂNCIA. A postura do tantra perante a vida é de entrega e inocência. É partilhar! É profunda troca. Já experiência tântrica é outro papo.

Um ato sexual tântrico é profundamente PERTURBADOR. Não é algo fácil porque a gente perde a noção do tempo e do espaço. Teu EGO dá uma girada em STAND BY e por muitos momentos você não sabe se está extasiado ou louco. Os sintomas de bem-aventurança e de surto são similares! Porque tanto num, quanto no outro, há uma ruptura do EGO. O EGO dança! As sensações são semelhantes e posso te afirmar que as sensações não são fáceis. Você tem que estar enraizado, com os pés no chão e ser muito verdadeiro. E mesmo assim, percebe que um passo em falso e já era, entras em perturbação. Quem leu o processo de iluminação do OSHO vai ver que é maravilhoso, mas não fácil.

Vou falar sobre e minha experiência pessoal com o tantra… Foi numa bela tarde de janeiro, lá pelas 17h.

A situação era a seguinte: nove meses após uma separação em que fui profundamente rejeitado, entrei num buraco daqueles. Passei um mês chorando, desesperado. E me lembro até hoje do momento em que comecei a sair do buraco. Eu, deitado no sofá, derrotado, com lágrimas nos olhos. Meu filho, de 4 anos, me estende a mão e diz: “Pai, levanta, eu te ajudo”. Aquilo retumbou tão forte dentro de mim que no dia seguinte começou o meu renascimento. Passei a praticar diariamente meditações ativas do OSHO, bioenergética, e dehipnoterapia. Eu só queria criar uma base mais sólida dentro de mim.

Voltando para as 17h daquela tarde de janeiro… Minha parceira e eu começamos a fazer amor. Ora eu ria, ora urrava feito um urso… Às vezes meu corpo inteiro se derretia. A coisa não parava. Minha cabeça tinha cada vez menos forças para localizar tempo e espaço. De repente, olhei para o lado e o relógio marcava 1h da manhã. Pensei: “está errado!”. Tinha uma viagem marcada às 3h30 da manhã para São Paulo. Levantei, olhei em volta, algo estranho acontecia. Meu corpo estava estranho. Aí eu peguei o telefone e disquei 130, serviço que, na época, informava a hora por telefone. A voz do outro lado da linha respondeu: “1h da manhã”.

Meu corpo parecia caminhar sozinho, tudo era diferente, havia uma leveza, uma suavidade.  Mas eu sentia que não era eu, não me reconhecia daquela maneira. Olhei para minha parceira e ela tinha um sorriso angelical, não falava nada, apenas me olhava. Tinha uma perplexidade e ao mesmo tempo um espanto. Fui pra debaixo do chuveiro e  passei as mãos no meu corpo e senti minha pele. Era uma delícia, uma verdadeira delícia. Parecia a seda mais fina, mais viscosa do planeta. E eu não conseguia parar de me acariciar. O cheiro do meu suor exalava pelo corpo e mais parecia um perfume dos deuses. Me arrumei, nos abraçamos num abraço infinito. E até hoje ele acontece num espaço que não conhecemos. Pegamos um táxi e fomos à rodoviária. Nos despedimos nos olhando, com uma inocência simplesmente contagiante, inexplicável. E tudo aquilo era lindo, mas extremamente perturbador. Eu podia estar parado ali “forever and ever” naquele olhar infinito.

Parece bonito? Você não sabe o quão lindo é, mas me aterrorizava. Entrei no ônibus e, ao sentar, tinha a sensação de estar a 15cm do banco. Passei a mão na bunda para ver se ela realmente tocava o assento. Nunca me sentei de uma forma tão ereta. Não existia nenhum esforço no meu corpo. Eu simplesmente era. Existia uma altivez, um olhar e essa viagem se desenvolveu assim. Cheguei em São Paulo, comprei coisas, fui a vários lugares, vendi pôsteres em lojas, funcionei o dia inteiro. Eu tinha marcado um encontro no Cato Querrim, um restaurante tradicional em São Paulo que servia uma bela sopa de capeletti.  Meu encontro era com uma pessoa a quem eu chamava de bruxo. Quando ele chegou e parou diante de mim, parece que minha mente finalmente voltou para mim. Passou um filme na minha cabeça enquanto eu o olhava. E esse mesmo cara, dois anos antes, me falou que transava e não ejaculava. Eu fazia brincadeiras com a cara dele. Dizia que o esperma sairia pelo nariz, pelo olhos, pelas orelhas… Olhem a minha ignorância... E que ironia do destino, não?

Tempos depois descobri que esse cara praticava o tantra da yoga. Por isso sei bem a diferença entre o tantra real e o tantra da mente. Na real, aprendi que era errado achar que minha mente, naquele dia, funcionou sem o meu controle. Ela funcionou no lugar certo…

Pretendo falar mais sobre essas viagens aqui. Tanto do seu desenvolvimento, quanto do porquê elas pararam. Afinal, existem razões que a existência nos provoca..

Um comentário sobre “A respeito do tantra

  1. É triste saber que a maioria das pessoas, vai morrer sonhando em se realizar sexualmente sem ter a mínima ideia do que isto possa ser ou que exista.

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