As Ilusões estão renovadas

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Por Prem Milan

Todo começo de ano é assim. Todas as ilusões vem à tona. “Neste ano vou me cuidar”. “Neste ano vou amar”. “Neste ano isso ou aquilo…” É a esperança. É até bom ter esperança. O problema é quando ficamos sempre nela. Nós sempre estamos arrumando um bom motivo para ter esperança. O problema é que sempre deixamos pra depois. Tudo fica pra depois…

Acho incrível que nos últimos textos sobre sexualidade que publicamos aqui no blog, quase todo mundo opinou como pessoa bem resolvida com a sua. Fiquei até espantando. Até pessoas virgens, que nunca transaram, se autodenominaram bem resolvidas sexualmente.

Na prática, o que eu ouço mais ouço são reclamações e frustrações quanto à sexualidade. Como há homens que se intitulam maravilhas sexuais porque em algum momento uma mulher apaixonada – e quando as pessoas estão apaixonadas ficam generosas – os validou como tal. Mas uns três meses depois, quando acaba a gasolina da paixão, o  vai embora.

Quando você é presenteado com o amor tudo muda. Você se torna outra pessoa. O teu potencial sexual se expande. Mas imensa maioria das pessoas, três ou quatro meses depois do início da relação, não consegue mais sustentar sua energia sexual, porque lá na base dela há inúmeros problemas.

Dentro do nosso mundo neurótico, cheio de padrões, é absolutamente normal que todos tenhamos problemas com a sexualidade devido à repressão que sofremos a vida inteira. Eu honestamente gostaria de entregar um troféu para a pessoa que não sofre desse mal, pois ele é o maior afortunado do mundo. Viveu a infância inteira em uma família repressora e não se deixou atingir por este mal. Ou provavelmente cresceu em uma família não repressora. Mas tá… Estou escrevendo para seres neuróticos como eu e todos os outros. Não estou escrevendo para “iluminados”.

Depois que a energia do amor vai embora a casa cai! Muitas vezes as pessoas ficam tentando recuperá-la e não conseguem simplesmente porque ela brotou do amor. O amor já abriu o caminho, você precisa ter a base para sustentá-lo. E uma dessas bases é a sexualidade. O amor vem para nos mostrar possibilidades maiores, nos leva a passear por um céu lindo, maravilhoso. Depois ele nos diz: “agora volta lá e resgatada tudo aquilo que o teu ser não recebeu para, assim, poder sustentar o amor”. Essa é sua função… A função do amor é te trazer crescimento. Há pessoas que dizem “eu amo por toda a vida, blá blá blá”. Se tu achas que é isso, fica com isso. Eu não acho que é isso. Tem gente tão desesperada que jura amor para toda a vida. Eu conheço homens e mulheres que não amam mais e estão juntos por CULPA, porque não são capazes de dizer que não amam mais o parceiro e continuam disfarçando. E o outro, por estar tão deseperado e tão dependente da relação, é capaz de ver sinais de amor que não existem mais. Esse tipo de distorção nós aprendemos ainda crianças com nossos pais. Eles nos rejeitavam e nós distorcíamos os fatos porque não aguentávamos sentir rejeição. E é compreensível porque éramos crianças. Achávamos que a culpa era nossa porque não éramos bons o suficiente. Papai e mamãe eram os poderosos e infalíveis, e ainda por cima nos amavam.

Este papo é mais furado que não sei o quê. Mas dentro das cabeças das pessoas ainda roda. No amor a dois acontece de uma maneira mais sofisticada. O disfarce é bem mais caprichado. Ilusões, ilusões e ilusões. O amor seca e nunca mais. E aí as pessoas colocam formol no cadáver.

Eu não sei quanto tempo deve durar uma relação. Só sei é que deve durar enquanto estiver rolando amor. E ele deve sempre gerar frutos. A pessoa se torna criativa, partilha com os outros, cria um movimento pra frente, contagia os outros a sua volta. Agora você quer me dizer que significado de amor é aquele casalzinho pacato dentro de casa ou na praia grudado um no outro? Quer me dizer que isso é amor? Então o padre também te ama. A freira também te ama. Está tudo certo. O prefeito da cidade também te ama. O governador, a presidente também te ama. Eu não acredito nisso.

Amor é movimento… O amor é pra revolucionar a vida das pessoas, não estagnar. Estagnação nada tem a ver com amor. Aliás Albert Einstein dizia “vida é estar em movimento”. Para ser mais preciso “a vida é como andar de bicicleta, o movimento é que mantém o equilíbrio.” É ilusão achar que EGO é amor. Eu, particularmente, já vivi muito apegado às pessoas. Eu achava que as amava. Mas que amor era esse? Eu mais as sufocava que produzia felicidade…

Este é um texto para quem quer se tocar, para quem quer abrir um espaço na sua mente, para mostrar como a gente prefere viver correndo atrás de ilusão do que vivendo a vida real. Nada é melhor do que estar dentro da realidade. porque ela, mesmo estando horrorosa, é a única coisa que te possibilita a transformação. Se ela está horrorosa e você continua criando ilusões e fantasias, nunca poderá transformá-la. O mesmo acontece com a sexualidade. As pessoas se iludem com uma pequena quantidade de energia e vivem na ilusão como se fosse o máximo. Só que isso não se sustenta. Então lhe digo: olhe para a tua vida honestamente e veja se você ama mesmo. Se você é satisfeita sexualmente, tua vida deve ser um barato! Tua vida deve ser criativa, você deve ter poder de se bancar, viver num lugar legal, ter muitos amigos, você sabe dar feedback à alguém, você tem amizades profundas… Eu mesmo… Em  uma época da minha vida, eu me achava sexualmente o máximo, o cara. As mulheres gostavam muito de transar comigo. Eu tinha um bom desempenho. Mas era muito mais uma questão de EGO produzir prazer para os outros. Aí eu conheci uma mulher que estava anos luz a minha frente neste sentido. Passei a me sentir um lobinho. Para acompanhar essa mulher, tive que meditar muito e fazer muito trabalho pélvico. Mas eu cresci. Enfrentei a realidade e cresci. Se eu continuasse na bolha da ilusão não teria dado passos tão importantes para o meu desenvolvimento. Eu acho que isso é o desencadeamento mais viável para alguém ser bem realizada sexualmente. E eu não estou falando em perfeição. Estou falando em movimento.

Eu gostaria que as mulheres dessem feedback’s mais reais para os homens. E os homens também porque todo mundo mente sexualmente. Ninguém vai dizer que você transa mal na tua cara. Não, ninguém fala isso. Só para os amigos e amigas por trás. E você nunca fica sabendo. Aí mantêm-se as ilusões e ninguém cresce. Eu sei de muitas dessas histórias e sabe por que? Porque eu atendi muita gente que se fazia. Mas depois, quando eu conhecia seus parceiros ou parceiras, via que a história era outra, totalmente outra. Por isso as brigas de casais são quase sempre privadas. Para ninguém saber do lixo, para ninguém descobrir que é só ilusão.

É possível quebrar as ilusões? É. Porque aí você vai enfrentar melhor suas questões. Suporte para isso tem bastante. Existem vários tipos de trabalhos e grupos que buscam algum tipo de crescimento. Uns compram mais as ilusões que outros, mas todos vão no sentido de querer crescer, seja no OSHO ou não, na Bioenegética, na biodança, no renascimento, na ioga… Há uma energia que flui para isso. Ache a tua tribo e acabe com as ilusões.

Desejo um 2015 mais real, verdadeiro e amoroso!

Um comentário sobre “As Ilusões estão renovadas

  1. Acho que entendo… mas não é como sinto. Para mim o sexo dura geralmente mais do que as relações; outras tensões é que minam a relação e o sexo as mantém não raro além da conta, além do que seria prudente. Ao contrário, eu me interessar por uma nova pessoa é consideravelmente difícil, precisamente porque lhes falta aquele tanto de intimidade que é construído aos poucos. Variar de parceiro, para mim, é um problema, não uma diversão. Como consequência, passo meses ou mesmo anos sem namorada, o que me desgosta.

    Certamente sou chato, difícil, exigente. Tanto pior, não sou maravilhoso, apenas razoável. Em alguns aspectos de certo sou deficiente em termos sexuais. Se a mulher não estiver apaixonada por mim, recomendo nem experimentar. Se não me amar, está perdendo tempo comigo. No entanto, também eu, se não estou apaixonado ou pelo menos muito curioso e entusiasmado, ou se não estou amando, mesmo tendo algum carinho, sinto quase que nojo da pessoa que pode até (o que não é tão fácil) me deixar excitado e levar ao orgasmo, mas que não consigo ver dentro de um mínimo projeto de vida – que, simplificadamente, eu caracterizo como querer continuar com ela por um tempo relativamente indeterminado, de pelo menos uns seis meses.

    Também não sei quanto tempo deve durar um relacionamento. Mas para mim é fundamental que ele não tenha um prazo de validade claramente curto. Nesse caso, é como se eu claramente mal suportasse a companhia da pessoa, tolerando-a pela “necessidade” de sexo – a qual coloco entre aspas porque, paradoxalmente, diminui com o tempo sem transar e aumenta com a habitualidade de o fazer, isso é, quando estou namorando, sinto “muita” (nada demais, três vezes por semana, aproximadamente) necessidade de transar; quando não estou podem passar semanas em que até me esqueço de me masturbar e, diante de uma oportunidade casual de sexo eu prefiro me abster, embora até fique excitado.

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