Romper as cercas do imaginário para se reinventar

Inmigración ilegal

por Prem Amrita

“Somos livres para nos inventarmos.
Somos livres de ser o que queremos ser.
O destino é um espaço aberto e para preenchê-lo, deve-se lutar com unhas e dentes contra o mundo tranquilo da morte e da obediência e as proibições putas.”
Eduardo Galeano

No livro“O Lobo da Estepe”, o escritor Hermann Hesse coloca um desafio: “saber qual o limite humano de suportar a vida, saber até que ponto aguentamos entre não poder viver e não poder morrer”.

As notícias diárias de violência e morte e o crescente reacionarismo, fruto do medo gerado, parece não deixar muito espaço para refletirmos ou sentirmos os limites que nos impomos. Acabamos nos embretando no conhecido, pois o mundo é perigoso. Erguemos mais e mais cercas imaginárias para nos protegermos da dor ou do amor. Sim, porque quem ama de verdade quer voar. Não suporta a miséria do cotidiano. Sobreviver não basta.

Logo após o final da Gincana Namastê, onde vivemos por dois meses um processo criativo muito intenso, eu fiquei doente. Crise de rinite. Doença respiratória que desenvolvi ainda criança e que, emocionalmente, tem relação com tristeza. Mas porque eu fiquei triste depois de passar por tantos momentos de alegria, prazer e preenchimento? Porque me ensinaram que “se eu estou rindo demais daqui a pouco vou chorar”. As minhas repressões internas e os limites impostos pela minha mente mentirosa me fizeram parar. Eu não aguentei toda a energia gerada e que me levaria a superar estes limites. Mas, apesar das pedras no caminho, não desisto de caminhar e quem sabe alcançar as estrelas.

Pra isso, assim como muitos mestres, poetas e revolucionários, acredito no poder da criatividade para mudarmos o mundo e para o surgimento de um novo ser. Simone de Beauvoir disse: “A vida se ocupa com a própria perpetuação e a superação de si mesma. Se tudo que ela faz é manter a si mesma, então viver é apenas não morrer.” Muito em sintonia com o que o mestre indiano Osho fala no livro “Criatividade: Liberando sua Força Interior”.

Osho acredita que o ser humano não criativo está apenas não morrendo. “Sua vida não tem profundidade. Sua vida ainda não é vida, mas apenas um prefácio. Seu livro da vida ainda não começou a ser escrito. Na criatividade, está a superação.” Para ele, a criatividade é a maior forma de rebeldia da existência. “Se deseja criar, você tem que se livrar de todos os condicionamentos; do contrário, sua criatividade não passará de mera imitação, será apenas uma cópia de algo.”

Toda criança nasce criativa – mas não aprovamos esta característica. Sufocamos e matamos sua criatividade, saltamos sobre ela; começamos a ensiná-la a maneira “correta” de fazer as coisas. Nossas asas são cortadas muito cedo pelo o que é “certo e errado”. E crescemos em um mundo cinza. Nossas referências são pessoas doentes, deprimidas, dopadas. Resgatar a alegria de viver é revolucionário. Toda vez que criamos, sentimos o gosto da vida. E isso depende da nossa intensidade, da nossa totalidade.

Por isso, não desisto e continuarei lutando com unhas e dentes contra a normalidade e os limites impostos por um mundo doente. E reafirmo a cada dia para mim mesma, todo o valor da escolha que fiz, de viver de uma forma diferente, com os amigos da Comunidade Osho Rachana. Muitos podem julgar que o jeito que vivemos é uma “loucura”, uma ilha em meio ao imenso oceano. Mas no futuro, quem sabe… Estamos aqui para nos reinventar e assim reinventamos o mundo.

J.A. Gaiarsa dizia que: “No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana. Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à ‘realidade’ (convencional). Ama desbragadamente – o sem-vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável. Assim, ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe. Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.”

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