Ejaculação precoce: sintoma moderno de castração

PEMen

Por Prem Jwala

Quando decidi escrever sobre o tema, fui pesquisar no Google para obter mais informações. Depois de ver várias propagandas, vi um título de matéria que me deixou chocado: “um em cada três homens sofre de ejaculação precoce”! Você tem ideia do que isso significa? Um terço dos homens não consegue atingir nem o básico do prazer sexual! Que dizer de suas parceiras, então… E não é só isso. A quantidade de homens que tomam antidepressivos e ansiolíticos na tentativa de tratar o problema é cada vez maior. Além de não conseguirem resolver o problema assim, esses remédios acarretam diversos efeitos colaterais.

O que vejo de mais grave nisso tudo é que estamos perdendo a capacidade de exercer uma função vital, básica da naturalidade de qualquer ser humano. O ato sexual é a forma adulta de trocar amor, uma das maiores fontes de prazer da nossa existência. E químicas, fórmulas e remédios simplesmente não resolvem o problema. Ele é puramente emocional, causado pelo modo de vida que levamos. Estamos cada vez mais desconectados do nosso corpo, vivendo só com a cabeça, sem ligação com os sentimentos e as sensações corporais naturais. Estamos cada vez mais reprimidos, isolados e egoístas e isso tudo enrijece o nosso corpo, tira a nossa capacidade de sentir e acumular energia.

O homem ejacula porque não aguenta mais a energia da vida e o prazer do sexo porque, à medida que o ato sexual vai se desenvolvendo, a energia vai aumentando, o cara começa a sair dos limites da cabeça, começa a perder o controle. Essa energia sobe pro coração e ele passa a fazer declarações de amor. O homem começa a se sentir na mão da mulher. E sim, isso dá medo porque a primeira mulher a quem os homens se entregam é a sua mãe. E por mais que ele não note ao longo da vida, nessa relação entre mãe e filho ele viveu rejeições, manipulações e frustrações do seu amor. O homem, então, ejacula porque não aguenta mais essa energia. Ela mexe com o coração, com o emocional dele. E para o ‘universo masculino’ isso é perigoso.

Quanto mais tempo durar o ato sexual, mais energia é acumulada, mais emoções vem à tona, mais profunda é a conexão com a parceira, maior será o êxtase, maior será a entrega, maior será o preenchimento.

Por isso os homens não conseguem alcançar a plenitude sexual, o que os levam à necessidade de inflar seus egos, ter músculos maiores, carros mais caros , mais grana e mais consumo. Tudo isso pra esconder o profundo vazio que é não ter realização sexual. A coisa é tão grave que as farmácias já anunciam nas fachadas produtos como viagra e ciális. A procura é grande principalmente entre os jovens. Eles sentem medo de não conseguir, de perderem a ereção, de “fracassar” perante a mulher.

Mas a questão não é só a duração sexual. É necessário que haja uma abertura de coração também. Muitos homens prolongam o sexo por um bom tempo e desenvolvem técnicas de controle da ejaculação, mas não sentem absolutamente nada, viram máquinas, vão no automático. Aí se sentem bem porque a mulher está tendo prazer. E este acaba sendo o prazer do ego do homem: dar prazer à mulher. Aí ele se acha “o cara”. Isso dá poder, mas é puro controle, pura contenção, pura tensão. O homem, neste caso, não sente prazer real. Com isso, o cara vai ficando cada vez mais fechado e mecânico, não há um derretimento, não há encontro, não preenche.

A humanidade está doente. Sexualmente doente também. E isso é sério. Se não dermos um passo em direção ao resgate da nossa capacidade sexual, da nossa abertura para os sentimentos, da nossa conexão com o corpo e nossa naturalidade, vamos continuar caminhando a passos largos na direção, da depressão, da obesidade, do câncer, do aquecimento global, da destruição da natureza. Você pode pensar que isso nada tem a ver com sexualidade. Mas tem. Tem tudo a ver! Pessoas sexualmente satisfeitas não destroem a natureza, não fazem guerras, não exploram outros serem humanos, não viram consumistas incorrigíveis, que dão mais valor às posses do que ao amor, não ficam deprimidas, ansiosas, bipolares, com déficit de atenção e tudo o mais que a vida “moderna” nos oferece.

Por isso, é extremamente importante, especialmente para os homens, se mexerem. Estamos muito frustrados e morrendo de medo de ir mais fundo no nosso emocional. Na verdade, ficamos super acomodados com as mulheres porque a maioria não se banca, é carente e aceita um homem mais ou menos, que descarrega sua raiva no sexo, que ejacule logo e as deixe a ver navios. Eles, quando são dispensados, viram verdadeiros bebês, chorando porque perderam a “mamãe”.

Estamos vivendo uma época de crise profunda da masculinidade. Rejeitamos o modelo antigo de machão rígido, e, para não sentir raiva ou sensação de poder, viramos uns bocós. Por outro lado, muitos são super fechados, que só usam as mulheres, mas não tem o menor contato com o coração. Aquele que Fica com todas mas não ama nenhuma. E tem mulheres que adoram esses tipos.

A causa da ejaculação precoce é somente essa, não tem nada de fisiológico ou genético. É nossa castração psicológica, praticada principalmente por nossas mães na infância, que nos impedem de sermos homens, com potência sexual e energia masculina. Ou então vivemos nos vingando das mulheres por causa da raiva inconsciente que sentimos por nossas mães.

Se você conseguir enxergar que é uma coisa emocional, pode fazer algo a respeito. Está em suas mãos, então mexa-se!!!

Pare de demonizar a raiva

Aggression

Por Prem Milan

Lembro perfeitamente que lá na década de 1960, que os professores comentavam: “isso é atitude selvagem, vamos voltar para as selvas”. Diziam o quanto era importante a educação, a polidez, o não expressar sentimentos malévolos, principalmente a raiva. Sempre houve uma condenação da raiva. E mesmo assim o ser humano mostra-se cada vez mais violento, mais agressivo, mais insensível.

Todas as grandes transformações sociais que fizeram com que progredíssemos: derrubada de ditadores, de impérios opressores, entre outras, ocorreram graças ao combustível da raiva. Quando chegamos a um ponto de indignação em que não aguentamos mais, explodimos para mudar a situação. Sendo assim, a raiva é um agente de transformação. Sem ela nada acontece.

Existem dois tipos de raiva: a reprimida e a natural. Quando você reprime a sua raiva, ela vira violência, autoritarismo, imposição sobre as pessoas. Quando você a expressa, ela vira conflito, crescimento. Você quer ter poder sem raiva? Quem contou essa mentira? Os pais fazem quando repassam a ideia de que eles podem sentir raiva, os filhos não. Quem manda são eles, os pais, e ponto. Muitas vezes cometem as maiores atrocidades contra os filhos, que não podem fazer nada. Por quê? Porque são mais fortes, têm mais raiva, podem pisar em cima da criança.

O bebê às vezes chora porque está descarregando uma dor que ele sente, muitas vezes emocional, e chorar é bom. A criança faz pirraça, berra, chuta… Ela está pondo para fora a raiva, é excesso de energia, ela precisa botar externar, descarregar. Antes de dormir, a criança começa a importunar porque ela tem que criar um atrito para expressar a raiva e depois relaxar. Os pais não entendem, condenam. Dizem para ela não ser selvagem.

Há um grande equívoco com a raiva. Ou não. Ou é intencional mesmo do sistema. Castravam os eunucos, tiravam suas bolas para se tornarem dóceis. Porque a raiva é muito próxima da sexualidade. Existe uma raivinha ali junto, uma coisa de bicho, selvagem. É bonito, ninguém sai dando porrada nas mulheres. A raiva reprimida é que deixa as pessoas violentas no sexo. As fantasias de machucar, de subjugar, de dominar o outro estão presentes na sexualidade por causa de tanta repressão à raiva e isto acaba virando uma distorção.

Gente sem raiva é bom para muitos porque cria-se um bando de bundas-moles. Esses bundas-moles dizem: “eu não tenho raiva, sou uma pessoa civilizada”. Isto é uma idiotice total, baita burrice. Depois, eles descarregam a raiva sobre o próprio corpo. Se você tranca a raiva, começa a ter azia, problemas de estômago, problema nas pernas, nas juntas, o corpo fica rígido, duro. É o corpo que paga o preço.

Quantas mulheres se ferraram a vida inteira por serem submissas aos homens, por não terem força, não conseguirem se bancar? Foram trucidadas em relações, ficaram dependentes, carentes, se ferraram, se foderam porque negaram a raiva. Na nossa sociedade, menina não pode ter raiva, é feio. Basta olhar os brinquedos desenvolvidos para meninas. 99% deles são estúpidos para elas ficarem estúpidas, sem força, não desenvolverem seu poder, nada… E a maioria das brincadeiras dos meninos com espada, tiro, pular riacho, jogar futebol… Ou seja, tudo o que exercita a energia da raiva. Por isso a sociedade é totalmente dominada pelos homens. Mas se o homem desenvolve um pouco a raiva, tratam logo de reprimi-la. Ela tem que ser comprimida, comedida, para ele não ser questionador demais e não incomodar.

Um animal tem raiva. O touro bufando com o pé no chão quando se sente ameaçado. O leão urrando feroz, pulando, rugindo. O Tarzan soltava aquele berro porque tinha poder, era um grito de poder. Hoje em dia os heróis são só magnéticos, eles não têm corpo, não têm força… É só apertar um botão e jogam uma bomba nos videogames e jogos. São todos heróis bundas-moles, para todo mundo ser bunda-mole. Todos são dominados por um sistema estúpido que nos impõe o consumo de coisas desnecessárias, comidas poluídas e etc. E ninguém tem força para lutar contra tudo isso.

A culpa é a rainha da repressão da raiva. Toda raiva reprimida vira culpa. Você reprime e fica culpado, aí sente raiva por estar culpado e se sente culpado por sentir raiva, vira num ciclo sem fim. A repressão da raiva vira depressão, não existe mais força para viver. Quer um remédio para depressão? Vá transar, ative sua raiva! Mas uma pessoa deprimida que toma remédio, não incomoda, não enche o saco, paga suas contas em dia, ganha salário, tem plano de saúde é muito mais conveniente para essa sociedade doente.

A repressão gera doenças. Imagina você comprimir um vulcão, imagina a chama lá dentro, sem poder sair. Agora se imagine segurando a própria raiva: o seu corpo treme todo, você engole, faz uma força terrível, enrijece os músculos… Imagine quanta energia você gasta para segurar. O ideal é botar pra fora! Mas no mundo moderno as pessoas não conseguem. Antes, a gente usava muito o corpo, era uma forma de gastar a raiva. Correr, pular, subir em árvores, jogar futebol. Hoje em dia não se faz mais nada com o corpo, só movimentos prontos, na academia. A repressão só triplica.

Por isso, o bom é fazer meditação. Existe uma meditação específica para expressar a raiva porque não existe outros meios pra isso na sociedade. Não tem mais lugar nem pra correr, pra andar. É tudo um grande absurdo. Aí no trânsito buzinam, berram um pro outro. Descarregam, mas nunca solucionam a questão. Você tem que limpar a raiva para poder ter a raiva da situação real. Quando você a reprime, desconta em cima de um fato pequeno dez vezes mais energia. Normalmente em cima de alguém que você julga inferior. Mas quando está diante de alguém considerado superior a você, fica de quatro, todo cagado. Isso gera uma loucura na cabeça da gente.

Raiva e violência são coisas totalmente diferentes. A violência é gerada pela repressão. Quando uma pessoa reprime, brota uma raiva sem controle e estúpida. Minha mãe me batia de uma maneira que eu nem vou te contar… E conheço muitas histórias de pais violentos com seus filhos porque sou terapeuta. A violência come solta em cima de crianças com 5, 6, 7 anos, até ficarem marcadas. E ainda dizem “cala a boca, não reage”. Uma vez eu reagi com a minha mãe e levei um bofetão na boca que me deixou rodando até hoje. Mas se eu não burlasse as leis dela, eu seria um bundão apático, como tantos. As mulheres se queixam tanto de que os homens são bundões. Mas quanto mais bundões, mais elas gostam. Ficam mal comidas, porque bundão é ruim de sexo, não tem poder, não tem força, é o que eu chamo de pau de vento. Aí ficam insatisfeitas e se queixam, se lamentam, se lamuriam. São as “Helenas” da música do Chico Buarque.

A raiva tem que ser resgatada como uma fonte de energia. As escolas deviam ensinar isso, mas elas reprimem. A escola brasileira de maneira geral é muito burra porque criam seres estúpidos. A educação no Brasil foi deixada nas mãos da religião, só que os padres são as pessoas mais reprimidas, mais doentes do planeta. Áquelas pessoas que reprimem a sexualidade, pedófilos distorcidos sexualmente, foi encarregada a educação. Sabe quando eu vou respeitar essa educação? Nunca. Eu fui educado em colégio Marista, eu sei a atrocidade que é aquilo, eu sei o absurdo que é. Os conceitos absurdos. Eu sei quanto mal fez pra minha vida esses conceitos equivocados.

Raiva é fundamental na vida de todo ser humano, da criança principalmente. As crianças têm que brigar entre elas. Elas têm que aprender a usar sua raiva e a saber exercer o seu poder. Criança que nunca brigou vira bunda-mole. Nos colégios, a violência está representada através do bullying. Dez, doze garotos se aproveitando de um coitado. Nunca é parelho. Por quê? Por causa da repressão da raiva. Vinte descarregam em cima de dois, três. Eles pagam o pato. O bullying existe por causa da repressão da raiva nas famílias. As crianças descontam a merda de suas casas em cima de outros na escola.

A raiva é um agente transformador. É essencial para nossa vida, assim como a tristeza, assim como o amor. Não existe isso de a raiva ser pior que o amor. Raiva é força. Como você pode amar sem força? Quando você ama muito uma pessoa, também é capaz de sentir uma raiva muito forte. É diretamente proporcional. Mas a raiva não é má, ela nunca foi má. Geralmente depois de uma grande briga, as pessoas conseguem se encontrar porque a relação fica limpa.

Minha raiva sempre me ajudou a conquistar meus objetivos. Ela é limpa, clara. Não é reprimida, não faço as coisas por ódio. Eu expresso muito em meditação, quando estou limpo, vem uma energia forte de raiva para eu levar a frente meus projetos. E eu faço projetos incríveis na Comunidade Osho Rachana, onde moro. Se eu estivesse cheio de raiva reprimida, ressentido, magoado com as pessoas, não teria força para fazer nada.

Muita gente me acha grosso. E eu sou, falo na lata. Eu aprendi isso com a meditação. Dias desses, tive um momento super bonito com a minha parceira, mas no dia seguinte ela ficou doente. Ela queria me ver à noite e eu disse: “não quero nem olhar pra tua cara com essa energia de doente”. Ela me mandou uma mensagem: “porra, Milan!”. Eu não respondi. Dez minutos depois ela retornou: “é, eu acho que tu tem razão”. Pra ter essa postura, tem que ter poder. Ou então eu iria lá e ficaria de “ai benzinho, o que aconteceu?”. Ela ficou doente porque quis. É poder de se bancar em várias situações. Poder discutir com uma pessoa até o fim. Poder também é se dar conta de que errou, ceder.

Poder gera humildade. Raiva é energia. Mulheres, se um homem não tem raiva, vira as costas porque é um idiota. Eu quero uma mulher que tenha raiva, porque quando ela vai transar comigo, ela vira bicho. Que coisa boa. Mas vocês não gostam disso, vocês preferem aquela trepadinha mais ou menos. Talvez nem precise tomar banho depois. A raiva é muito fundamental, é muito importante na vida de cada um de nós. Resgate sua raiva. Para reprimir você gasta muita energia, depois que solta, ganha uma quantidade enorme de vida.

O que a selfie tem a ver com o Self

Three People selfie together with smartphone and stick isolated

Por Pavita

Andando pela praia ouvi uma menina, dentro da lagoa, gritando pra mãe: “look at me, mom! Look at me!” (olha pra mim, mãe, olha pra mim!), cena comum de criança querendo mostrar suas proezas pra mãe. De outro lado, uma outra cena cena muito comum na atualidade: uma moça de biquíni e um lindo chapéu, fazendo uma “selfie”, com a ajuda do famoso “pau de selfie”. Pensei comigo mesma, as duas estão pedindo a mesma coisa, “olha pra mim!”

“Selfies” viraram epidemia no nosso cotidiano – um mar de fotos na internet que podem se enquadrar em várias categorias. Tem os selfies puramente estéticos, tirados geralmente em academias, ou na praia, de biquíni/calção, ou em festas, mostrando a superprodução com direito a maquiagem e modelos “red carpet” – eu pessoalmente já presenciei vários sendo tirados no espelho do banheiro feminino no shopping… Aí tem a categoria turismo, onde os selfies aparecem em lugares variados para onde a pessoa viajou, mas às vezes os lugares não aparecem muito… Também tem os selfies “rebeldes”, tirados por adolescentes de todas as idades.

Mas todos eles partem da mesma premissa expressa tão honestamente pela guriazinha na praia: “olha pra mim!” É importante pra todo mundo ser visto, ser percebido, validado como pessoa e essa febre por “celebridades” manifesta um desejo de que este reconhecimento aconteça em escala global. E tá aí a internet pra tornar esse sonho de ser celebridade em realidade. Mas será que é disso que a gente precisa? Que aquele fulano que te adicionou no Facebook, e tu não tem certeza de onde conhece, “curta” a tua foto? Ou que 56 fulanos “curtam”? E se ninguém curtir tua publicação? teu mundo cai? Você se sente um cocô? O que acontece quando aquele numerozinho das “curtidas” aumenta? Substitui um olhar presente de um amigo, uma frase falada pela boca, um sorriso ao vivo?

Aí é que tá… de tanto que faltou esse contato ao vivo, desde antes da idade da guriazinha que pedia a atenção da mãe na praia, a gente passa a desacreditar nessa possibilidade de contato, de empatia. Mas a necessidade continua e a gente vai buscar na ilusão do mundo virtual! Onde vários desconhecidos vão “encher” esse buraco do nosso ego… só que é como uma bolha de sabão, dura bem pouquinho esse enchimento artificial e aí a gente tem que produzir a próxima isca de curtidas!

Chegada a hora em que as curtidas já não servem pra tapar o buraco, vamos à geração dos sistemas operacionais, tão bem ilustrado no filme “Her”. E tá aí a Serie, sistema operacional que já chegou no Brasil, pra satisfazer todos teus pedidos e te acompanhar até quando ninguém te aguenta por perto!

Minha amiga disse que ficou feliz de tirar uma foto pra um casal que pediu pra ela. Ela disse “hoje em dia, ninguém mais pede pra tirar foto!” Não precisar do outro faz parte da cultura da desistência do contato com outros seres humanos. Essa é a epidemia com a qual realmente dá pra se preocupar.

A nossa natureza não é assim. Experiências variadas mostram que as crianças tem um senso natural de compartilhar, de se importar umas com as outras. Mas não precisamos que cientista nenhum venha nos provar isso, já fomos crianças! Fomos assim! Nossos filhos são assim! A gente é que vai ficando cego pra nossa própria delicadeza e sensibilidade! Vivemos num mundo em que vulnerabilidade é quase palavrão! É sinônimo de se ferrar! No entanto, foi quando fomos os mais vulneráveis na nossa vida que aprendemos e crescemos o máximo. Não ser vulnerável implica em enrijecer, e isso nunca foi força real! Endurecer e se fechar em conceitos rígidos e “seguros” a respeito da vida só ajuda a aumentar o nível de loucura do planeta. Ou você acha que aquecimento global – corrupção – estupro – guerras – racismo – poluição – tortura – subjugação religiosa – miséria e fome – vícios em drogas lícitas e ilícitas – superpopulação – ditaduras políticas e religiosas – desigualdade social – e a lista continuaria por muitas linhas, não são sintomas de um mundo muito desconectado de suas necessidades e recursos? Ah, isso são problemas dos governantes? Nós criamos estes problemas todos juntos! Somos todos responsáveis!

Acho que a gente tem que aprender algo com esses gurizinhos e guriazinhas que andam nos chamando e pedindo pra olharmos pra eles. Vamos olhar pra eles mesmo, com nossa presença e com a humildade de quem reconhece que perdeu o fio da meada… Ao invés de entupir-lhes com nossos conceitos prontos e tão questionáveis, vamos aprender sobre confiança, sobre alegria, sobre cumplicidade e amizade com nossos filhos, sobrinhos, filhos de amigos, todas as crianças. Até a gente voltar a ouvir aquela voz bem inocente da criança que um dia a gente foi, que não tinha vergonha de pedir o que precisava, que não hesitava em ser quem era, que ainda não era cheia de julgamentos de que “deveria haver algo de errado com ela, então melhor aparentar outra coisa”…

Ao mesmo tempo em que a loucura instaurada é evidente, também tem muita gente se dando conta de que tá nas mãos da gente criar uma história melhor. Assim como as crianças, a gente pode recuperar a capacidade de se enxergar, de se perceber e trocar de verdade, recursos materiais, emocionais, energia de gente! A revolução já começou, se liga! Já tem gente por aí se enxergando, se tocando, se ajudando, se amando. Com gente real me enxergando e trocando comigo nesse nível, nem me lembro da plateia virtual pra me “curtir”.

Não estou falando pras pessoas pararem de tirar fotos suas e publicar, mas de dar uma olhada no que se está buscando, o que se está precisando realmente. Bora dar uma atenção maior ao Self do que à selfie?

Namastê!