Há vida depois dos 40

idosos

Por Prem Milan

Estou há alguns dias dando um workshop sobre bioenergética no País de Gales. A faixa etária das pessoas que estão participando chamou a minha atenção. Pessoas entre 40 são raras. Dos 50 para cima, mais ainda. Dos 60 em diante, inexistentes. Uma senhora de 67 anos se mostrou interessada em fazer a maratona de bioenergética. Mostrava uma disposição incrível, apesar de eu não tê-la estimulado muito por causa das ideias preconcebidas que muitas pessoas têm e também por notar que ela era frágil. Ao incentivá-la a fazer um determinado exercício pélvico, ela sentiu uma vibração e me perguntou, ao fim do workshop: ‘essa vibração é como a que sentimos no sexo? Porque eu já experimentei essa vibração no sexo’. Respondi positivamente e ela devolveu: ‘então vou procurar alguém para fazer sexo porque aí não preciso gastar dinheiro com workshop, sai de graça’. Parei e pensei que deveria ter estimulado essa senhora a continuar fazendo o workshop e lidar com as dificuldades físicas que apareceriam.

Eram 16 pessoas nesta maratona. Os mais jovens com 34, 35 e 39 anos, outros de 40 a 49 e uns que tinham entre 50 e 64 anos. A maratona foi pegada, forte, mas bonita, com pessoas a fim e muito ligadas à natureza. Isso tudo me fez pensar que no Brasil, as pessoas acima dos 40 anos parecem ter desistido, não querem buscar nada além de ter alguém ao lado para não se sentirem carentes. E deu. Muitas pensam: ‘já tive filhos, já conquistei isso e aquilo. Agora deixo o barco me levar até o fim da linha’.

E eu me questiono do porquê disso. A conclusão a que chego é a seguinte: isso é resultado de um grande estresse que acumulamos desde que iniciamos a vida adulta, principalmente com a inserção no mercado de trabalho, com a energia que as longas jornadas de trabalho nos consome. Os namoros começam a ficar mais sérios e pesados, nossa correlação entre amor e sexo começa a nos frustrar profundamente. Resumindo, nossa energia mais rica é sugada por todo o estresse que envolve os adultos nessa sociedade do consumo. A alegria vai embora. Sobram azedume, mau-humor, analgésicos para dor provocada pela tensão do dia a dia, antidepressivos, comida em excesso e uma ilusão de que a vida é isso e que você é O cara porque comprou meia dúzia de coisas.

A verdade é que tem muito mais vida. Você já pensou no custo que tem o seu dinheiro? Vale viver pela grana? Mesmo que ela custe a sua humanidade, o seu tesão, o seu amor, o seu emocional? Não está na hora de romper com esse padrão?

Você está consumindo a vida. Depois vai tentar alongá-la até os 80, 85 anos… Pra quê? Pra viver uma vida vazia? As pessoas estão mais preocupadas com o tempo de suas vidas, não com a qualidade delas.

Uma das coisas que notei aqui em Gales, é que o pessoal, pelo fato de morar em pequenas cidades muito próximas à natureza, têm um contato maior com o próprio corpo, tem mais consciência dele. A neurose dos grandes centros não os atinge tanto. Não vi nenhuma casa com mais de 3 andares, o comércio abre às 10 da manhã e fecha às 5 da tarde. Não há tanta carga de estresse. O objetivo do cara de 64 anos que estava lá na maratona de bionergética é realizar o amor dele. As pessoas não desistiram do amor! Que bom! A maioria deles tem um passado hippie. Fiquei feliz em ver pessoas assim. Jovens de 60 anos dando um baile em zumbis de 25, 30 anos fechados e cagados perante a vida.

Quarentões, cinquentões e sessentões não está morto quem peleia!!

2 comentários sobre “Há vida depois dos 40

  1. Há vida sim, depois dos 40. Eu que o diga. Tenho 58 anos e posso afirmar sem sombra de dúvida, que estou vivendo um dos melhores momentos de minha existência, no que se refere a vontade e a alegria de viver. De viver uma vida, sem peso, sem obrigações pré-estabelecidas por um padrão social caótico e que sucumbe dia a dia diante de tantas frustrações e perda de energia -essência de vida -porque é preciso trabalhar, ganhar dinheiro, ter o carro do ano, ser magra, bonita, morar numa casa maravilhosa etc. etc.etc…e a nossa a vida vai se esvaindo e sendo vampirizada por esses valores, que não trazem felicidade nenhuma. Já tive tudo isso, busquei muito desse padrão e não me sentia feliz, nem tão pouco serena. Hoje, amo de forma diferente, respeito a natureza, cuido do meu corpo e da minha saúde com mais respeito,contemplo a beleza nas pequenas coisas. Mas o caminho foi árduo, difícil. Me boicotei muito, chorei bastante…mas aprendi ! Vivo um amor lindo, com alegria, com inocência e com muita energia, sem frescuras e sem temores, sem medo do futuro… porque simplesmente eu não desisti de amar !

  2. Também me sinto bem mais feliz agora, depois dos 40. Tenho 46. Não vivo uma vida plena, tenho problemas, ainda tenho que trabalhar, mas enfrento a vida com mais tranquilidade, apesar de ser uma pessoa imatura e cheia de
    dúvidas, elas não me assustam mais, por que agora eu sei que são elas que me fazem seguir.

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