Sabe a razão de todo esse caos político no Brasil? Teus pais!

Strict father discipline naughty son.

Por Pavita

Isso mesmo, teus pais! Sei que será impossível sair ilesa ao comentar esse momento tão desvairado na política do país, mas vamos lá… Honestamente, estou muito longe de querer defender gregos ou troianos, de procurar defeito no adversário e, muito menos, de encontrar uma voz mais poderosa para seguir. Olho a divisão e a força das manifestações e só uma coisa me vem à mente: “pouquíssima gente tem realmente noção do que tem gritado tão acirradamente nas ruas ou nas redes sociais. Predomina o bonde dos maria-vai-com-as-outras e tanto faz de que lado essas outras estão.

Caiamos na real: a gente não cresce sendo educado pra usar nosso potencial de saber, de sentir, de explorar possibilidades. A gente é condicionado, desde muito cedo, a obedecer. Daí, quando vai chegando a adolescência, a gente tem uma escolha: continuar obedecendo ou reagindo às ordens. Em ambos os casos, o que mais vale é a mesma coisa: as ordens! Se eu estiver seguindo-as, ou reagindo a elas, de qualquer forma, minha ação é determinada por ordens, não é ORIGINAL nem AUTÊNTICA. E esta falta epidêmica de originalidade e autenticidade tem massacrado nossas vidas individualmente, socialmente, planetariamente. Nossas escolhas pessoais vão ficando cada vez mais limitadas e restritas pelos ambientes, companhias e tipo de informação a que temos acesso. Como poderia ser diferente para nossas escolhas sociais e políticas? Nossa vontade desesperadora de ter um pai ou uma mãe que vá salvar a nós, ao país, nos cega para a verdade de que nós somos absolutamente responsáveis por tudo que percebemos ao nosso redor. Percebe injustiça social? Você é responsável! Percebe que quem tá dirigindo o carro em que você está não para na faixa de pedestres? Você é responsável! Percebe que a cantina da escola do teu filho só vende veneno pras crianças? Você é responsável! Percebe que o deputado que você elegeu tá votando tendenciosamente? Você é responsável! Opa, peraí, pouca gente anda percebendo como os deputados estão votando, pois o compromisso do cidadão é votar nas eleições, né? Depois, quem se importa?

Gente, tudo que entra no meu campo de atenção, passa a ser minha responsabilidade.

Só que nosso conceito de responsabilidade está muito deturpado por essa educação guiada pela culpa e pela moral de cueca. Responsabilidade é a habilidade de responder à situação. Não de reagir, veja bem, responder implica em estar aberto pra deixar entrar a informação e perceber a minha atitude quando isso acontece. Uma capacidade que a gente foi perdendo… por que? Explico. Era uma vez uma criança que não gostava da energia das suas tias chatas, aquelas que queriam lhe sufocar de carinho pra preencher seus próprios buracos de carência. O que essa criança sentia quando isso acontecia? Vontade de sair correndo pra bem longe delas! O que a mãe a obrigava a fazer? “Não seja mal-educado, fulano, dá beijinho na titia”. Outra vez, essa criança tinha muita energia e alegria e queria pular e cantar brincando em casa. O que a mãe fazia? Botava ela na frente
da TV, “para se acalmar” e não fazer tanto barulho. Em outro momento, essa criança enchia o saco de ficar sentada por horas a fio na escola, ouvindo nada que a interessasse e ia conversar com o colega, que também estava de saco cheio. O que a mãe e o pai faziam? Morriam de vergonha de serem chamados pela professora que reclamava. Os pais, então, levavam o filho ao médico que lhe carimbava um selo de deficit de atenção na testa e receitava um remédio pra ele se “acalmar”. Essa criança cresceu e tocava muito bem violão, adorava música e queria muito ser músico. O que o pai fez? O convenceu a estudar Direito porque era muito mais promissor, e, no futuro, ele poderia herdar o escritório de advocacia do pai!

Somos criados e condicionados a fazer parte de um sistema que já apodreceu há muito
tempo! Por isso me parece um despropósito, a esta altura, querer apenas melhorar uma engrenagem de sistema que já é podre. Outro fator importante nesta equação do “engajamento político estilo boiada” é a nossa infinita carência. Especialmente a carência de significado na vida e a carência de validação, de apreciação, de se sentir parte de um grupo. Nossas vidas giram muito em torno de coisas que tem pouco, ou nenhum, significado pra nós. Não aprendemos nem fomos estimulados
a buscar aquilo que sentimos ter valor. O sistema decide o que tem valor e o que não tem, o que está “certo” e o que está “errado”. E vamos batendo o ponto e dando o melhor dos nossos dias, durante o melhor de nossas vidas, a um trabalho que não significa lhufas pra gente. Vamos a festas que não significam lhufas, assistimos aos filmes do Oscar, discutimos os assuntos que não nos dizem respeito… E ao percebermos uma boiada animada por uma causa, achamos que ali pode estar algum significado, já que a vida não tem nenhum mesmo. E de lambuja vão ter várias pessoas felizes com mais um no rebanho, pois faz mais barulho, e todos se sentem acompanhados. Por alguns momentos, ninguém vai lembrar da sua solidão. A única saída é, antes tarde do que nunca, pararmos para realmente nos perguntarmos quem somos. O que realmente sentimos e queremos para nossas vidas, individual e coletivamente. Mas o vício em nos desconectarmos do que realmente somos é forte. Não é fácil mudar isso de uma hora pra outra. Primeiro precisamos nos livrar de nossos pais. “Oh, que horror! Eles fizeram o melhor que puderam! Coitados!” Talvez eles realmente tenham feito o melhor que pudessem, só que a partir de suas consciências e corações limitados. As marcas e sintomas do condicionamento que nossos pais deixaram em nós, nos torna cegos, surdos e insensíveis ao mundo em que vivemos. O automatismo de seguir ou reagir cegamente à autoridade é um vício que começou na nossa relação com nossos pais, ou pais substitutos. E precisa ser curado se quisermos viver da forma que merecemos. Claro que não estou dizendo para você se livrar dos seus pais hoje, matar os velhinhos! Mas matar as ilusões e condicionamentos que herdamos deles e
que atuam “non-stop” na nossa vida.

Se tivéssemos tido a chance de continuar aprendendo naturalmente, como fazíamos quando crianças, chegaríamos espontaneamente a um espaço de se importar de verdade uns com os outros. Um lugar onde não cabe nem o pensamento da corrupção. A primeira coisa que se corrompeu foi nosso coração. Aprendemos a não confiar no ser humano depois de termos sido tão manipulados e submetidos. Mas esta não foi a verdade com a qual chegamos a este mundo. É possível viver juntos, em cooperação e amizade, a gente nasce com esse chip! E vale a viagem de volta à nossa natureza, que é profundamente sábia, de puro potencial expansivo. Quer mudar alguma coisa? O país, o mundo? Começa por ti! Você tá vivendo a SUA vida ou uma vida de obediência ou reação a um sistema?

2 comentários sobre “Sabe a razão de todo esse caos político no Brasil? Teus pais!

  1. Em parte concordo, mas é uma visão meio idealizada de nosso passado. As civilizações antigas se matavam e comiam os adversários, as vezes vivo. A corrupção hoje não é tão grande como apregoam, ou como as pessoas querem que seja, é das menores em toda a história da humanidade, pelo simples fato que há transparência e controle. O que hoje cresceu assustadoramente é a intolerância contra coisas que beneficiem aos outros. Se é para mim, está tudo certo se é para os outros, é demagogia barata e corrupção. Também é ingênuo pensar que uma criança possa ser educada sem algum tipo de imposição, se for deixada aos seus impulsos torna-se um antissocial da pior espécie. Ao contrário do que a autora afirma, nossos impulsos naturais, de criança, são os mais selvagens que existe, para uma criança o mundo existe para ela O convívio com os adultos é que ensina que isso tem limites. Na minha opinião o que caracteriza as pessoas hoje é o individualismo e o egoísmo, isso veio justamente de fazer todas as vontades e não dar limites. A maioria aceita essa ficção da imensa corrupção por não querer assumir as responsabilidade pelos problemas do pais e do mundo, assim lavam as mãos e dizem para si e para os outros que já fazem tudo o que podem, que o problema são os políticos, mas estão enganados…E os coxinhas que protestam são uma versão disso, são filhinhos mimados, não aceitam o diferente, acham que não tem liberdade….Claro que não temos, dividimos o mesmo espaço com outras pessoas, temos de respeitar o espaço e a opinião dos outros ora bolas!

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