Fraude Legal e Fraude Ilegal

milk

Por Prem Milan

É impressionante. Dia 16 de junho saiu uma reportagem da Zero Hora mostrando a descoberta de uma fraude no queijo em uma fábrica ali no interior (óbvio que essa fábrica não tem grande projeção e não faz anúncios nos veículos de comunicação). O mais interessante é que está na reportagem que não faz “mal à saúde”. É ridículo… Você está sendo fraudado com milho, farinha de milho e outras coisas, mas tudo bem, “não faz mal à saúde”.

E o pior não é isso. O pior é que o próprio queijo é uma fraude à saúde daqueles que tem um pouco de senso. Porque OFICIALMENTE você pode comer comidas podres, com agrotóxicos, porque são químicos legalizados, cujos efeitos só vão aparecer num câncer 20 anos depois. Então pode!

Da mesma forma, toda a química usada no leite não se configura num problema. Os danos não são imediatos, são a longo prazo, causados pela intoxicação dos produtos usados para que os queijos tenham uma aparência bonitinha. Por isso não aparecem em nenhuma “causa mortis”.

A “causa mortis” vai ser câncer, pancreatite, esclerose múltipla e por aí afora… Jamais vai estar ali, especificado, já que o organismo acabou sendo intoxicado por tantos outros produtos químicos ao longo do tempo. No futuro não vai ser possível precisar. Então pode.

E nós continuamos indo no mercado e comprando aqueles lindos queijos a preços exorbitantes, porque eles são garantidos. São garantidos por uma química, a qual você não vê, que não tem odor e é altamente palatável.

Essas grandes indústrias sugam tudo o que tem do leite e depois dão uma “garibada” para fazer o queijo. Isto acontece em queijos de vários tipos, dos mais finos aos mais chinelões. O queijo da pizza! Gente, daqui a um tempo, vai sair da Petrobrás! Vai ser feito com óleo. Pois é só botar um oleozinho, fazer um plástico meio macio e colocar alguns realçadores de sabor, que está pronto. Vai estar tudo bem.

Agora, em relação ao leite, a fraude começa já na vaca. Nós roubamos o leite dos terneiros para nós. É uma discussão ampla de como sustentar toda uma população. Primeiramente, há suspeitas de que o leite não seja necessário para as crianças! Teriam outras fontes de cálcio mais saudáveis. Isso, se aquele leite for natural. Mas as vacas tem que dar 30 a 40 litros de leite todo dia para render para o produtor. Solução: “academia” de vacas. Bombemo-as, com hormônio na ração. Desculpe, não é hormônio, é “Premix”, “complexo vitamínico”. Mas no “complexo vitamínico” existe uma coisa chamada “fator de crescimento”, que nenhuma fábrica sabe explicar… Você acha que fator de crescimento é o que? Viagra?

São hormônios disfarçados. Aí o leite vem bombado com a comida forçada nas vacas. Além disso, usam massa de soja, um produto extremamente tóxico que, em 2 a 3 anos, deixa a vaca absolutamente detonada. Não li em livro, criei vacas. E sei que é exatamente assim. A cevada é outro subproduto usado das cervejarias, faz menos mal para as vacas, mas elas também duram apenas de 4 a 5 anos. Imagine a qualidade do leite dessas vacas! Sem contar o banho químico que recebem. Todos os caminhões não são refrigerados e levam o leite para as fábricas onde ele recebe o tal do banho químico.

Presumo eu que esse banho químico deva ser florais de bach, homeopatia, ou até um reiki. É… Devem fazer um reiki no leite. Assim ele vai se conservar. Depois vai ser o queijo fantástico, dessas empresas finas que entontramos nos bons supermercados do ramo. Todos limpos e bonitos. Todos decorados, nossos olhos os vêem e chegam a saltar, mais do que quando você vê uma mulher pelada. Afinal de contas, a comida é muito mais importante do que o sexo. E esse robusto leite é manuseado dentro dessa fábrica com músicas clássicas para os operários estarem felizes ao fazer o queijo. Tudo muuuuito limpo!

Os produtos para conservar o queijo, penso eu, devem ser chá de camomila ou de hortelã… em alguns, eles devem até por uma mãe de santo para benzer. Eles chegam fresquinhos na sua mesa com atestato do secretário e do subsecretário do município. Todo mundo feliz pelo queijo saudável. A intolerância à lactose é uma doença moderna que deve ser genética. Nada a ver com as intoxicações, afinal de contas, nossas universidades produzem engenheiros químicos para promover o BEM-E$TAR de todos aqueles empresários generosos com o mundo, preocupados com a fome e a paz mundial.

E nós, gente da nova era, cheia de preocupações ecológicas naturalescas, vamos a nossa gôndola preferida do supermercado e orgulhosamente levamos esse queijo maravilho para casa. E o leite também… para ser mais cômodo, embalagens tetrapack que são uma maravilha da ciência. Aliás, eu concordo plenamente com isso, porque eu peguei um galpão aqui no sítio e forrei com tetrapack e é um ótimo isolante para calor! Agora, comprei essas embalagens num lugar de reciclagem. E não vou tomar esse leite! Encerrei a minha carreira de jumento há algum tempo.

Se você se sente ofendido, tudo bem. Leia um texto mais correto, de uma pessoa mais refinada, que vai tornar palatáveis as atrocidades e as burrices da gente. E assim como diz aquela música, “tudo está no seu lugar, graças a Deus”. Coelhinho da Páscoa, vem aí o Papai Noel, a ceia de natal. Vamos nos esbaldar com os perus, os chester, bonitos e esbeltos, criados ao ar livre, comendo pastinhos de amplos espaços, voando, criando músculos, é por isso que eu acredito em papai noel… Mas você não é responsável, né? Você é uma vítima, reclama, vota, muda o governo, e não tem nenhuma responsabilidade nisso! Não podemos fazer nada.

Desconfie do meu texto. Esse cara deve ser ligado à um bando de fanáticos naturalistas. Ah não, pera aí, ele citou a palavra sexo! Deve ser daquela seita do Osho que quer promover o sexo livre, quer que as pessoas transem bastante e fiquem felizes. Que absurdo! Esse cara quer suprimir todos os nosso prazeres reais na vida. Nosso prazer de poder comprar os produtos no supermercado para fazer aquele jantar, aquele lanche maravilhoso! Me lembrei de uma música bem babaca da ditadura do Tom e Ravel. “Você também é responsavel! Me ensine a ler e a escrever. Eu tenho a mão domável. Eu ensino a sede do saber!”

Mudaria essa música para: Você também é responsável. Não critique nada. Eu tenho meu cérebro cansado. Meu corpo estourado. Deixe eu me iludir mais uma vez.

Ninguém vai te dar uma vida mais natural e saudável, você vai ter que recuperar a naturalidade dentro de ti e a partir daí vai REALMENTE se interessar por uma vida mais natural.

Sabe o que eu realmente queria de presente para o dia dos namorados, meu amor?

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Por Prem Milan

Na verdade, na verdade, eu te digo: eu tenho aceitado as flores, os pequenos presentes, aquele jantar básico porque, na real, eu sempre tive medo de olhar para aquilo que realmente eu queria. Tenho até medo de sentir o que eu realmente queria, porque tem um ponto dentro de mim em que eu não acredito que mereça e, ao mesmo tempo, acho que tu não me darias. Por isso nem tento, parece que desisti há longo tempo… Eu acabo me conformando com essas pequenas coisas, tão convencionais – aquele jantar, aquela ida ao motel… Se eu olhar lá no fundo, fico até com vergonha das promoções dos restaurantes, dos motéis.

Eu tenho uma sensação estranha, mas não quero nem contactar- na real o amor virou uma chinelagem… Mas o presente que eu gostaria mesmo e que gostaria que se estendesse ao longo do ano é, em primeiro lugar, que tu colocasses um H maiúsculo na frente da palavra Homem, que eu realmente pudesse sentir a tua força ao me questionar, ao me dar um feedback, ao me beijar… Sentir que tu tens uma força, que tu sabes dizer não em determinados momentos, e que teu sim seja cheio de energia e não o de uma criança, carente, dependente.

Afinal de contas, desde criança eu sonhava com uma homem assim. Eu não sei por que, meu amor, acabei me conformando com tão pouco… Eu gostaria que nesse presente estivessem incluídos momentos em que tu reconhecesses teus erros, tuas angústias, tuas dificuldades; que teus sonhos fossem sonhos verdadeiros, e não meramente metas pequenas e plausíveis. Eu queria que tu te mantivesses sensual, mesmo que outras mulheres fiquem a fim de ti- eu prefiro correr esse risco do que ter um homem garantido ao meu lado, apático, sem graça. Morro de medo que tu fiques a fim de outras mulheres, mas quero aprender de uma vez por todas a lidar com isso. Tu nem sabes como eu fico triste porque tu escondes todas as atrações que tu sentes, e eu até percebo que tu estás te anulando, mas acabo encarando isso como sinal do teu amor por mim… Na verdade tu tens medo da vida, de sair da zona de conforto. Eu não queria que tu se escondesses atrás do nosso amor, porque isso causa sombra ao amor e a falta de sol impede que ele cresça e se desenvolva; eu acho que por essa falta de luz ele pouco a pouco está murchando. Eu gostaria que tu estimulasses a minha consciência para que eu não aceitasse mais essas coisas, e não me satisfizesse com essa falsa segurança.

Nesta noite, meu querido, eu gostaria que chegasses de surpresa, me beijasses um beijo quente, beijasses meu pescoço, lambesses meus seios, minhas costas, meu corpo todo e me fizesses sentir que tu estás presente, curtindo, não fazendo por mim. Eu gostaria que nós fizéssemos amor olhando no olhos, e que eu pudesse sentir teu derretimento. Que sentisses vários picos, entrando na tua força animal, urrando e berrando e depois descendo para os vales com movimentos suaves e rítmicos… queria sentir a emoção no teu olhar, sentir tuas lagrimas de contentamento escorrendo nesse momento, sentir teu corpo tremer de prazer… que não seja apenas gritos e descargas, e sim uma vibração, senti-lo perdendo o controle, me dizendo coisas que normalmente tu não dizes… que nós pudéssemos sorrir um para o outro durante essa transa, onde eu me sentiria tão cheia de energia que perderia a cabeça e daria gritos de amor e não de fantasias reprimidas. Que por muitos momentos essa qualidade fosse trazida ao nosso sexo e que, depois, nós pudéssemos simplesmente relaxar cheios de energia sentindo nossas respirações, simplesmente extasiados com nossa união. Que, com toda essa energia, nós pudéssemos olhar de frente para todos os problemas, todas as dificuldades que temos e poder buscar ajuda para trabalhá-las. Que tu simplesmente pudesses reconhecer tudo aquilo que te impede de viver esses momentos e não justificar com coisas como “estou muito estressado, estou com muito trabalho, muito preocupado”… Que tivéssemos a coragem de nos abrir e trabalhar essas questões, resgatar a nossa sexualidade… Na verdade, meu amor, eu tenho muita saudade de viver o amor, e o maior presente é realizá-lo.

Neste Dia dos Namorados, quanto custa o teu amor?

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Por Pavita Machado

Sério que a gente tá usando tempo e energia pra julgar errado o amor entre duas pessoas? Por que esse julgamento só acontece em relação aos homossexuais?

Enquanto vamos debatendo incessantemente sobre esta não-questão absurda, que tem servido mais como marketing de igreja e comércio do que a qualquer justiça social, a maior questão em relação ao amor vai passando batida…

Deveríamos aprender com as crianças, pois elas são as verdadeiras autoridades em questão de amor. Isto, é claro, antes de nós adultos as enchermos com nossos preconceitos e medos idiotas.

Criança ama. Quem aparecer pela frente. Geralmente a primeira figura que aparece é a mãe, depois o pai, e por isso mesmo este amor com os pais fica tão marcante. Porque é um amor muito puro, não corrompido, intenso e verdadeiro como ele só. E criança expressa seu amor – e tudo mais que sentir. Daí que essas primeiras pessoas que amamos tanto, que já são adultos com sua capacidade de amar bem bagunçada, têm respostas bem diferentes a esse amor puro de seus filhos. Talvez o pai ou a mãe não aguente o amor de seus filhos, com toda a sua intensidade e beleza. Talvez doa sentir tanta pureza e se dar conta do quanto a gente está desconectado deste espaço. E, inconscientemente, vamos enfiando os filhos na máquina do fazer/fazer/fazer, consumir/consumir/consumir, atingir/atingir/atingir, e sentir cada vez menos.

O buraco que vai ficando naquele lugarzinho que deveria ter sido alimentado com amor é largo e só vai aumentando com o tempo. Daí, chega uma hora em que a máquina onde todos estamos inseridos diz que existe a possibilidade de tapar essa cratera afetiva com o fantástico, maravilhoso, todo-poderoso: RELACIONAMENTO PERFEITO!

E, a partir deste momento, o foco na vida vai para a busca desta pedra preciosa, desta varinha mágica que vai me fazer feliz para sempre! Os conceitos do que é um relacionamento perfeito variam, mas existe o acordo universal de que ele é uma equação entre duas pessoas. E só. Faz-se um contrato, às vezes assinado em cartório, às vezes celebrado com festas e rituais da igreja consumista universal, onde muita grana rola solta, onde o que cada um está dizendo é que vai prover o outro de “amor” para sempre, contanto que a outra parte faça o mesmo. E só de um para o outro! Assim vai passando a carência e o patrimônio de pais para filhos…

A partir daí, segue-se uma vida tentando convencer a natureza de que este contrato faz sentido. De que eu só posso e devo amar esta pessoa, e que tenho todo o direito de exigir que ela ame só a mim! É aí que a porca torce o rabo valendo!

Nenhuma criança tem este tipo de bobagem na cabeça, de que só deve amar seus pais. Ela ama os pais porque ama, e quando vem a tia, o irmão, os amiguinhos, a primeira professora, ela ama também. Intensamente. E justamente porque ela está praticando o amar, o seu amor se mantém tão intenso e vivo.
Quando seguramos o amor pra honrar o contrato, ele começa a definhar… é o momento em que trancafiamos o passarinho livre que é o amor nas nossas gaiolas, por mais decoradas e caras que elas sejam.
O sistema adora! Como se vende perfume, flores, chocolate, roupas, joias, jantares, pernoites em moteis, milhares de artigos pra comprovar a validade desse contrato de amor…

As tais “provas de amor” só são tão necessárias porque não o sentimos, não confiamos nele. Bem lá no fundo sabemos que esse contrato não vem da nossa natureza, nossa natureza é liberdade e amor, sem condições. Faz parte da natureza humana amar, se importar, cuidar, curtir e tudo isso não pode se limitar a uma pessoa.

Veja bem, não estou dizendo que não se possa ter uma relação mais íntima de amor com uma pessoa, em absoluto. Muito pelo contrário, um relacionamento amoroso pode ser uma grande meditação na vida da gente, um impulso pra crescer. Estou questionando o absurdo de exigir que esta relação preencha toda tua necessidade de amor, de prazer, de carinho, de alegria, de troca afetiva. Questiono o fechamento pra amar outras pessoas, pra estar disponível ao amor delas, pra se importar com elas.
Fechamento não tem nada a ver com amor, é uma questão de segurança emocional e financeira! Vou ter companhia quando eu for um caco, uma velha frustrada e deprimida e meu patrimônio vai ficar nas mãos dos meus descendentes… só que não! Eu não vou ser uma velha frustrada e deprimida, porque não estou colecionando desamores pela vida. Não estou acumulando frustrações sexuais e afetivas que depois vão cobrar seu preço na minha menopausa e adiante. Não quero descendentes ricos num mundo pobre e miserável! Dá pra criar uma vida fora da caixa empacotada nos contratos seguros e mortos dos relacionamentos.

Segurança é o contrário do solo fértil pro amor, é um chão bem cimentado, bem lisinho, onde não tem como tropeçar, e nem como nada vivo brotar. Nem ciúme, nem dor, nem tesão, nem amor, até que sobrem dois zumbis que, na melhor das hipóteses, mantém viva a imagem da felicidade para sempre.

Só sei de uma coisa: esta “felicidade” de plástico nunca vai conhecer as alturas de uma sexualidade madura, de níveis de energia imensos ao fazer amor por horas, com o coração bem engajado. Nunca vai conhecer a beleza do silêncio compartilhado, onde as duas energias se fundem sem que nada precise ser feito e a comunicação acontece sem linguagem, nem esforço. Esta felicidade artificial não conhece a beleza de expandir na troca com outras pessoas, na criação de sonhos do coração, projetos que vão enriquecer mais do que apenas o casal, mas trarão frutos deste amor pros outros, pro planeta. E essa felicidade de mentirinha nunca vai ensinar amor de verdade às crianças.

O Amor não precisa de casamento. O Amor precisa de Liberdade. O Amor precisa ser Amado.