MEU SEXO É LAICO!

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Por Punya

“Com a “psique dolorida” despenteio-me
transgredindo ancestrais programações
desgarrando-me das mulheres internas
que, desde a infância, torcem o rosto para mim
pois não me encaixo no molde perfeito de seus sonhos,
pois me atrevo a ser esta louca falível, terna e vulnerável”

Gioconda Belli

A maioria das mulheres não vive o orgasmo. Elas encenam um. Já parou para pensar por quê?

Vamos começar pelo Congresso Nacional. O PL5069*, projeto de lei escrito por Eduardo Cunha, que defende a cultura do estupro, proíbe a venda de pílulas do dia seguinte e criminaliza o aborto é um dos exemplos mais recentes de como a sexualidade da mulher é reprimida em todas as esferas públicas e privadas.

Conversando com uma amiga portuguesa, ela não acreditava quando falava sobre esse projeto de lei. Ela me dizia: “Como assim? Que absurdo! A imagem que temos das mulheres brasileiras é como se fossem altamente liberais. Pelos biquínis, pelas danças, acreditava que as mulheres aqui eram mais soltas…”. Detalhe: em Portugal, o aborto é legal.

As mulheres desde pequenas são estimuladas a serem objeto para os homens. E isso começa em casa. Minha mãe sempre me estimulou a agir como uma princesa à espera do seu príncipe encantado. Só que uma princesa não tem sexualidade, ela não se masturba, não fala palavrão, ela não reclama de nada, ela tem compaixão por tudo, é doce, suave, amável. Ela não tem instinto, ela não tem sexo. Afinal, o conto de fadas acaba após o casamento no “felizes para sempre”…

Meus amores todos acabaram se perdendo neste ponto, na espera do tal príncipe. Durante várias relações eu não sentia que tinha permissão de ter prazer no sexo. De falar o que eu gosto, de ser solta, de rebolar, mexer meu corpo, respirar e deixar meu corpo fluir. Enfim, esta não permissão é uma prisão e as mulheres brasileiras vivem essa prisão.

No Brasil, a sexualização da mulher começa cedo para agradar aos homens, assim como a repressão por trás disso tudo. As mulheres aprendem a viver desesperadas por serem desejadas sexualmente pelos homens, por isso os biquínis minúsculos, os silicones, as bundas empinadas, mas na cama não sentem absolutamente nada. Às vezes chegam a rezar para que o sexo acabe logo: porque nós também aprendemos que nossos corpos não são nossos. Já ouvi várias mulheres falarem: “mais que dez minutos de sexo não dá”. Imagina o inferno que vive esta pessoa! Sou feliz de dizer, depois de tanta terapia bioenergética, que com certeza menos de uma hora de sexo não dá!

Na vida real, o amor de verdade inicia do encontro de dois corpos físicos. Algo bem concreto. O reflexo do orgasmo nada mais é do que uma entrega total à energia do corpo, estar completamente entregue a seu corpo e ao parceiro. Aí sim o orgasmo é possível. Não estou falando daquele orgasmo que você tem sozinha se masturbando ou transando mecanicamente. Estou falando aquele em que seu corpo acaba por fazer parte do universo, em que ele vibra, e você perde a noção do tempo. Aquele que você não vira para o lado e dorme exausta.

Onde eu quero chegar é que o discurso do Eduardo Cunha só tem ibope no Brasil porque ainda vivemos num país patriarcal onde a mulher não é tratada como igual desde a infância, e ela é ensinada a aceitar esta posição. E se nós não mexermos com a infância, a nossa infância, nunca vamos poder nos libertar de toda esta loucura. Uma liberdade real sobre nossos corpos, nossas vontades, nossos amores. Nunca as mulheres poderão ser amigas e amantes reais dos homens, nunca o amor poderá inundar o mundo porque pro amor resistir às nossas neuroses, precisamos de orgasmos múltiplos! E, para ter orgasmo múltiplos precisamos ter poder pessoal sobre nós mesmas. E, para ter poder pessoal, precisamos nos libertar do nosso passado.

*PL5069:  Registro de BO para comprovar violência sexual (somente quando houver “dano físico e psicológico”), proibição da profilaxia de gravidez (pílula do dia seguinte), punir profissionais de saúde que aconselhem a interrupção da gestação ou passem  informações sobre o direito das mulheres .

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“Por causa do medo e de uma sensação de rejeição deixei de viver muitas coisas…”

jwala

Por Prem Jwala

Como acontece com a maioria das pessoas, o começo da minha vida sexual não foi muito natural e relaxado.  Sempre carreguei um profundo sentimento de medo e rejeição em relação às mulheres. Lembro que, com uns 13, 14 anos, achava que nunca uma mulher iria se apaixonar por mim. Me cagava de medo de chegar em alguma mulher,  ou de simplesmente conversar sobre qualquer assunto. Para chegar nas festas era um horror, não fazia a menor idéia do que falar para as mulheres e era um sentimento de que eu tinha que fazer um personagem para agradar, se não, já era… me sentia feio e desinteressante. Porém, quando ia para as festas, algumas mulheres (não tão poucas assim) ficavam me encarando e, por mais que elas olhassem, eu não conseguia me convencer que estivessem afim. Continuava me cagando de medo de chegar nelas. Elas poderiam olhar duas, três, quatro vezes e eu dizia “se olhar mais uma vez, eu vou”… e não ia. Aí, pra não admitir que eu era um completo cagão, eu começava a botar defeito nelas- “não é tão bonita assim, na próxima eu chego”, e assim passava a noite e voltava pra casa solitário.

O único jeito de perder a vergonha era depois da terceira latinha de cerveja, mas aí geralmente não curtia tanto e nunca rolava com as gurias que eu realmente queria. Lembro de uma outra situação em que marquei um encontro com uma guria na praça da cidade, conversamos por três horas e eu não conseguia dizer que queria ficar com ela! Era uma situação muito bizarra, eu dizia na minha cabeça “cara, é obvio que ela tá a fim, o que ela tá fazendo aqui, três horas? Não é pelo teu papo.” E era óbvio que ela tava a fim só que, dentro de mim, era um medo terrível e uma sensação de que ela não seria a fim.

Para transar era a mesma coisa, sempre uma sensação de que eu não seria capaz e de que as mulheres não eram a fim, porém, quando eu me arriscava e chegava, as coisas rolavam e sempre tinha mulheres a fim. Mas o sexo nunca era uma coisa completamente preenchedora, sempre ficava um vazio depois, uma sensação de que tinha algo a mais, de que aquilo ali não era tudo, de que faltava algo. E eu também nunca me apaixonava por ninguém, imagina, era um risco enorme! Mantinha somente relações superficiais que, na maioria das vezes, não passavam de um único encontro e, outras tantas, eu tava tão bêbado que nem lembrava que tinha ficado com a pessoa .

Por causa desse medo e dessa sensação de rejeição deixei de viver muitas coisas, trocar com muitas mulheres na minha adolescência, e muitas vezes me senti péssimo por isso.

Hoje, olhando pra trás, vejo que essa sensação, esse medo, não eram reais. Olhando fotos dessa época, eu penso “bah, mas eu nem era feio! E as gurias até davam bola pra mim.” Então por que esse sentimento? Isso eu fui descobrindo com vários trabalhos terapêuticos que fiz, principalmente para desbloquear minha sexualidade: minha mãe me criou para ser o menino dela, o filhinho bonitinho, arrumadinho, maridinho dela. Ela se separou do meu pai quando eu tinha quatro anos e me colocou no lugar dele, me fez o homenzinho da casa, jogando o peso da sua carência sobre mim, me podando, me castrando, nunca me tratando como um homem e sempre como um menino, controlando e criticando o jeito como eu me comportava, me vestia, falava e tudo mais. Sempre me elogiando por ser um bom menino que tinha que ajudá-la a cuidar e dar o exemplo para minha irmã. Se eu ficava com raiva dela, se fazia de vítima, chorava ou me batia, abafando minha revolta. Se eu queria alguma coisa que não era o que ela queria, ela me manipulava pra eu mudar de idéia. Daí fui desenvolvendo essa profunda invalidação da minha energia masculina, de que eu poderia ser um homem atraente, poderoso e potente- mamãe não iria gostar. Assim fui ficando psicologicamente castrado.

Somente quando consegui expressar e desbloquear minha raiva fui resgatando minha energia masculina e sexual, aí consegui viver minha sexualidade, trocar com várias pessoas, ter experiências diferentes e também me envolver em intimidade. Consegui ter várias relações profundas com mulheres lindas e muito legais porém, em toda relação, aquele padrão da minha mãe vem e monta e aí, se eu deixo de expressar minha raiva na relação, as coisas que me incomodam com minha parceira, logo vou perdendo o tesão, ficando castrado, aquele velho menininho tentando agradar a mamãe… vou transando muito menos, comendo muito mais, engordando mais até que a relação explode por falta de energia.

E até hoje um termômetro de como anda minha energia, meu poder, minha abertura é minha sexualidade, se estou conseguindo me conectar com minha parceira, se estou fazendo só o básico, se estou acomodado, tudo isso aparece na cama, e quando estou com minha energia em cima rola uma abertura que se expande para outras coisas e pessoas também, fico mais amoroso com todo mundo, mais presente, mais ligado, mas também as coisas me incomodam mais. Se tem alguma situação não resolvida, não consigo simplesmente “fechar os olhos” e fazer de conta que não está acontecendo nada, aquilo fica me incomodando até eu resolver. E se não resolvo as situações vou abafando minha raiva e o ciclo começa todo de novo.

E tudo começou lá na minha infância, assim como com todo mundo, a educação sexual repressora me roubou a oportunidade de viver uma adolescência mais legal e assim chegar a idade adulta maduro e preenchido, e não carente e inseguro. Para os homens isso é muito importante pois geralmente se cagam de medo das mulheres, principalmente se elas forem fortes, e adoram aquelas bonequinhas sem poder que não ameaçam ninguém, e isso tem muito a ver com tua mãe. Assim como as mulheres que ficam carentes e desesperadas por um homem, se rebaixando, aceitando migalhas por causa da carência que tiveram de pai na infância. Cada um tem a sua história, mas o produto disso é essa sociedade aonde se vive muito pouco a sexualidade natural ( e se vive cada vez mais a pornografia e a distorção) e os shoppings e farmácias estão cada vez mais lotados.

I need somebody to love

Por Prem Milan

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Até os Beatles fizeram muito sucesso com essa música. “Necessitamos” – esta palavra que ronda nossas vidas. Nós vivemos em necessidade. Eu necessito de amor, eu necessito de carinho, de uma mulher, de um homem, eu necessito de segurança, e por aí a fora. É uma vida de dependência, de precisar do outro, do mundo, e isso é perfeitamente compreensível para uma criança, uma criança tem necessidades. Ela não consegue providenciar seu alimento, seu sustento, ela necessita que os pais os forneçam e isso é extremamente natural. Mas a criança necessita mais, tanto quanto comer, tanto quanto limpar sua bunda, ela necessita de alimento emocional, ela necessita ser amada. E isso não são palavras. Ela necessita do toque, do carinho, da compreensão, ela necessita que os pais tenham uma vida satisfatória e amorosa para poder dar esse alimento emocional, pois se eles não tiverem essa satisfação, eles estarão criando mais dependência, mais distorção.
A criança não necessita de medos, de fantasmas, de preconceitos. Ela necessita que os pais possam enxergar esse ser e ver as tendências, as propensões desse ser. A criança necessita ser enxergada, percebida. A criança não veio a este planeta para preencher os buracos dos adultos. Não veio para manter uma sobrevida nos casais, manter relacionamentos, dar razão para a vida dos pais, avós. Ela não veio para ser o grande cliente das lojas de brinquedos, móveis, roupas, farmácias, médicos, planos de saúde, restaurantes, shopping center. Mas infelizmente a criança tem sido usada para isso, e essa criança é você, que transformou sua vida num turbilhão de necessidades. As mulheres necessitam desesperadamente de um homem, se cegam totalmente, fantasiando a respeito de seus namorados, se sujeitando a vários tipos de humilhação interna para mantê-los. Leia-se isso como ir se adaptando aquele homem, fazendo um monte de coisas que não é sua onda para se adaptar a ele. Começando a gostar de coisas apenas para agradá-lo, sexualmente aceitando o mínimo: ejaculação precoce, transas desconectadas, sexo de descargas, pouca tesão… Ficando num estado regredido, com falas regredidas, com apelidos regredidos, investindo tudo na necessidade, sem jamais correr o menor risco. De contra-partida, cortando as bolas dele, para que fique dócil e jamais olhe para outra mulher. Isso vale para os homens também!
Mas, um tempo depois, a ilusão começa a cair e vem a frustração e a decepção. Aí começa a tentativa de reanimar esse cadáver. Quem sabe uma linda viagem, quem sabe uma oficina de conserto de casais, psicólogos, psiquiatras, grupos alternativos, que não são para crescer e sim para tentar manter o relacionamento. E o pior é que acabou ficando tão dependente, tão necessitado que tem que se adaptar aquela mediocridade, sexozinho de descarga (viva os sexshop com seus instrumentos, cremes e filmes), orgasmos superficiais e esporádicos. Mas com muita internet, muitas fotos no facebook, uma linda viagem para Natal, Fortaleza, Mussum, Guaporé… Aí você acaba sem força e acha que, se perder aquela miséria, aquelas migalhas, você vai morrer na rua da amargura, solteirona, assim como papai e mamãe diziam. E de quem é a culpa? É do amor! Amar é difícil, né? Sexo é complicado, né?
Somos adultos com necessidades de crianças. E você pergunta “o que fazer?!” Assim como eu falo para o meu neto, falo para vocês: move your ass!!! É isso que você tem que fazer! Quebrar com essa prisão, com essa limitação, criar o novo para sua vida. E, para criar o novo, você tem que destruir o velho. Assim como a Fênix que renasce das cinzas. Não é clicando no facebook, mas sim buscando ajuda e trabalhos que possam limpar a sua infância, que possam mexer com a sua programação de necessidade de mendicância, de um pouquinho de amor, aqui e acolá. Quebrando a mesmice que não te deixa sair do lugar, resgatando teu ser que era pleno abundante. Sim, para isso você vai ter que visitar seu passado ou vai ter que tomar comprimidinho para suportar o resto dos seus dias, anos e décadas… Ou inventar homens, mulheres, muito trabalho, muitos filmes, criar cachorrinhos, sei lá eu mais o quê.
Coragem, coragem, você pode mais! Há 40 anos atrás Raulzito já dizia isso.
E quando você começar a fazer isso, vai ficar menos necessitado, e todos a sua volta vão ficar putos, porque você começará ser um mau exemplo. Você estará mostrando que é possível e todos vão tentar destruir essa nova chama que está brotando em você. Todos mesmo! Pai, mãe, namorados, titio, até o porteiro do prédio! Por isso muitos começam e desistem. No Namastê eu vi muito isso. Muitas pessoas que saíram da tumba, respiraram, experimentaram a vida, voltaram para trás. A vida tem risco e desafios, as pessoas vacilam, querem dar o passo, mais um, mas aí tem esse bando de mortos puxando para trás, berrando “vem, volta! O futuro é perigoso! O amor pode acabar! É melhor viver no conforto, nossos caixões são tão fofinhos e ainda pega a internet!”
E as pessoas vão desistindo novamente… Não funciona, querem Brastemp com 20 anos de garantia. Conheço muitas pessoas que nem passam na rua do Namastê porque não querem relembrar que por um momento elas estiveram vivas. Vocês acreditam que tem um monte de gente que fala um monte de coisa a meu respeito, mas nunca teve coragem de dizer nenhuma coisa na minha frente? Nunca! E olha que eu tenho um monte de defeitos, mas sou um homem, tenho dignidade, nunca desviei de ninguém, nunca fugi de ninguém. Mas eu entendo essas pessoas, elas querem se apegar a distorções que elas criam para que possam estar com os mortos. Eu sou um homem perigoso, eu posso te acordar e não tenho medo disso! Ou você acha que essas pessoas tem medo que um homem de 60 seja capaz de agredi-los? Humilhá-los? Não! Quem fez isso com vocês foram seus pais, vocês tem medo de ser acordados! Porque dói. Quando você acorda e vê o quanto perdeu, dói. Mas essa dor e essa raiva vão fazer que você pare de perder e comece a ganhar sua vida!
As pessoas gostariam que a gente tivesse necessidade delas, que estivéssemos por aí desesperados para ter mais um clientinho, mais uma pessoa na comunidade mas, lamento informar a todos aqueles que preferem os mortos, que o Namastê está cheio de pessoas e a Comunidade Osho Rachana tem 8 pessoas vivendo em dormitórios provisórios porque está super-lotada. Não fique brabo com isso meu irmão, fique feliz que uma coisa alternativa deu certo. “Que bom que esses caras estão conseguindo criar coisas alternativas a esse sistema desumano que existe. Não é minha onda mas, que bom!” Deseje que nós continuemos a crescer, fique feliz que nós lutamos para não voltarmos ao mundo dos mortos. Talvez fosse um consolo para você que o Namastê ou a comunidade não dê certo, mas agradeça por sermos uma pedra no seu sapato. Alguém que te incomoda pela vida, que muitas vezes te coloca em xeque e que muitas vezes faz você pensar.
Há muita vida no Namastê e na comunidade, mas não é o único lugar- de novo: NÃO É O ÚNICO LUGAR. Há muita vida lá fora, explore! Procure sua onda. Se você acha que está no mundo dos vivos, que bom! Desliga essa merda e vai fazer amor!

Devido à realização sexual, cheguei aos 60 anos com gasolina azul!

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Por Prem Milan

Sim, hoje eu completo 60 anos muito bem vividos. Chego nesta idade jovem, cheio de idéias, cheio de inspiração, conduzindo vários projetos, curtindo meus netos e sem desistir do amor. Tive uma leve crise por birra com determinadas atitudes, mas continuo firme aí. Moro numa comunidade cheia de gente jovem e tenho energia para muita coisa. Crio muito, dou muitos grupos, tenho insights fortes e profundos e estou constantemente em movimento.
Busco constantemente o novo, explorando novos espaços, de ser mais eu, mais verdadeiro, mais profundo e conseguir levar meu conhecimento para todas as pessoas. Estou desenvolvendo o projeto da “casa do adolescente”, concretizando essa e outras idéias que podem ajudar a revolucionar a vida de muitos adolescentes. Estou levando em frente todo um trabalho com sexualidade, com o potencial sexual junto com a Pavita, que está mexendo profundamente com as pessoas e as levando a se abrirem muito mais para o sexo, para o amor, para o crescimento, o que é muito inspirador para mim e para meus parceiros.
Eu tô satisfeito e feliz com minha vida, nada me falta, não tenho nada a reclamar. Mesmo nos momentos mais difíceis, passamos por séries de dificuldades e tenho uma garra para enfrentar, uma disposição, uma alegria- eu sou o primeiro a dizer sim! Sim para vida, sim para energia, sim para novos espaços, sim para uma vida mais Osho, sim para uma vida mais libertária.
Eu atribuo tudo isso a minha satisfação sexual durante a vida. Eu vivi minha sexualidade. Mesmo que você não goste de mim e tenha muitas broncas comigo, é inegável, e você pode consultar todas as minhas parceiras. A única coisa que deixei com toda certeza é saudades, assim como tive grande parcela da ajuda delas para isso. Eu encarei e vivi a minha sexualidade, sou um homem satisfeito. Você pode escolher ter inveja de mim, tudo bem, tem tanta pessoa que tem inveja de mim, mas se eu fosse você eu ia querer estar perto de uma pessoa que viveu e realizou tanta coisa. Mas é escolha de vida para cada um… viver perto de mim não é fácil, são sempre desafios, são sempre avanços… não é uma coisa fácil, não é uma coisa cômoda, eu estou guardando minha comodidade para quando morrer, aí eu vou estar cômodo numa tumba, meu descanso vai ser em paz, agora não estou aqui para descansar.
Estou aqui para viver intensamente a vida em grandes goles, eu quero deixar muitas coisas para os meus filhos, para os meus netos, para os meus amigos, para meus parceiros, tô fazendo a diferença neste planeta e vou fazer a diferença. E eu falo tudo na frente, não falo pelas costas, às vezes sou muito inconveniente, e não me importo com isso. A minha inconveniência é sabia, não é inconveniência do atrolhado, do desconectado. Vem da satisfação sexual, e eu gosto de repetir muito isso, para que todas as pessoas tenham essa possibilidade, porque todo mundo tem essa capacidade.
Eu sou um gringo lá de Garibaldi, fui criado abaixo de milhões de preconceitos, tinha uma vergonha imensurável! Eu fui estudar no Rosário em 1973 quando, com 17 anos, não abria a boca de vergonha, não olhava para as gurias de tanta vergonha. Imagina se elas vissem que eu estava olhando… era uma repressão sexual absurda! O que me salvou um pouco ali eram as boates, os cabarés da vida, onde eu me sentia aceito, e não tenho nenhuma vergonha disso. Mas não foi ali que eu obtive a satisfação sexual, não. Ali foi um caminho que simplesmente eu encontrei para sobreviver a toda repressão, a toda vergonha que eu tinha. É obvio que mais tarde isso me levou a uma depressão, mas dessa depressão eu fiz um ponto de alavancar meu ser para um espaço mais alto. Aí eu consegui encontrar ferramentas como a bioenergética, os processos terapêuticos que mexem com a história de pai e mãe, e parceiras que me ajudaram a crescer, a virar um homem.
Desde o primeiro grande amor que se realizou com a Ivana, com a qual eu tenho dois filhos, e um tempo depois acabou e me impulsionou como ser humano. Eu sou muito grato a ela e todas as parceiras que vieram depois. À Veeresha sou excepcionalmente grato, foi realmente uma mestra tântrica como poucas pessoas nesse planeta, que eu tive a grande sorte de ter como parceira. Pessoa rara, que não é tântrica do ego, é tântrica do coração, da sua natureza intrínseca. E a todas outras parceiras que eu tive, Shanti, Shuyam, amores que apareceram nos entremeios, a Kinara, e agora a Jemima. Eu tenho uma característica sexual muito forte e profunda, não por ser especial, não! Eu simplesmente encarei minha sexualidade, acreditei no Osho, no Wilhelm Reich, não só na teoria como na prática eu levei uma vida em busca disso, e tive recompensa. Tive muitos prazeres, muitos orgasmos, múltiplos orgasmos masculinos, vivi isso profundamente.
É isso que me faz ter a vida que tenho e eu quero falar isso para que você pense a respeito da sua sexualidade. Do quanto vale a pena, do quanto entrando mais profundamente na sua sexualidade e conseguindo chegar no coração, você vai ter esse tipo de satisfação. Não adianta você querer ser espiritual, posições de flor de lótus, eu não consigo fazer essas posições…
Mas eu sou intenso pra caramba, então, não adianta ter essa espiritualidade superficial, esse silêncio aparente. Eu tenho um silêncio dentro de mim, eu tenho uma confiança incrível, eu consigo ser inteiro em cada coisa que eu faço. Tenho problemas? Óbvio que tenho problemas. Eu sou sessentão, jogo futebol e pego junto com a gurizada, não tenho a mesma agilidade, mas tenho muito experiência. Se eu fosse uma pessoa frustrada sexualmente, não estaria com 60 anos do jeito que estou. Eu estou como diz o Snoopy: “no pico da onda!”, sempre junto com essa gurizada que é fantástica.
Invista na sua sexualidade, invista na sexualidade totalmente. Descubra-se nela e a dirija para o coração, que você vai poder chegar aos 60 anos, cheio de energia, cheio de vida. Eu estou pronto para morrer, assim como estou pronto para criar, porque estou satisfeito. Tem muitas coisas para eu realizar, muitas! Mas eu realizo a partir da minha satisfação. Não estou querendo agradar você ou quem quer que seja, não preciso de amigos, nem de inimigos. Estes últimos tenho bastante e todos eles são ocultos, não sei por que, eles só operam na minha costas, nas minhas margens… na minha frente são todos mansinhos.
Não quero que todo mundo me ame, goste de mim, não sou candidato a nada, eu simplesmente quero que você volte a acreditar na vida, volte a acreditar na sua sexualidade, volte a acreditar no seu amor. Isso é o que importa, isso é o que leva a realização. Tem risco, tem momentos difíceis, mexe profundamente com a gente, mas essa saída é saudável.

Que os meus 60 anos e a minha satisfação façam uma diferença para você, que seja um toque de que a vida tem saída, que a sexualidade tem saída, que quando o sexo chega ao coração, o amor é bom e é fundamental para vida de cada um de nós, mesmo com os fracassos. Sempre temos o que aprender e o caminho para chegar ao amor não dependente, livre, realmente não pegajoso, é maravilhoso. Invista na sua satisfação sexual e isso vai fazer bem para seus filhos, para os seus amigos, para as suas parceiras e todas as pessoas na sua volta. Se você quer ser ecológico, transar legal é a maior ecologia que você pode fazer nesse momento. Uma energia boa para esse planeta, muito orgone, muita luz. Não desista da sua maior fonte de energia que é a sua sexualidade, não desista do seu coração que é a verdadeira espiritualidade deste planeta. Quem transa e ama profundamente está em comunhão com Deus, com Maomé, com Jesus, com Alá. Invista na sua sexualidade!
Um grande abraço e espero que este seja o presente que eu possa estar te dando neste momento.