I need somebody to love

Por Prem Milan

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Até os Beatles fizeram muito sucesso com essa música. “Necessitamos” – esta palavra que ronda nossas vidas. Nós vivemos em necessidade. Eu necessito de amor, eu necessito de carinho, de uma mulher, de um homem, eu necessito de segurança, e por aí a fora. É uma vida de dependência, de precisar do outro, do mundo, e isso é perfeitamente compreensível para uma criança, uma criança tem necessidades. Ela não consegue providenciar seu alimento, seu sustento, ela necessita que os pais os forneçam e isso é extremamente natural. Mas a criança necessita mais, tanto quanto comer, tanto quanto limpar sua bunda, ela necessita de alimento emocional, ela necessita ser amada. E isso não são palavras. Ela necessita do toque, do carinho, da compreensão, ela necessita que os pais tenham uma vida satisfatória e amorosa para poder dar esse alimento emocional, pois se eles não tiverem essa satisfação, eles estarão criando mais dependência, mais distorção.
A criança não necessita de medos, de fantasmas, de preconceitos. Ela necessita que os pais possam enxergar esse ser e ver as tendências, as propensões desse ser. A criança necessita ser enxergada, percebida. A criança não veio a este planeta para preencher os buracos dos adultos. Não veio para manter uma sobrevida nos casais, manter relacionamentos, dar razão para a vida dos pais, avós. Ela não veio para ser o grande cliente das lojas de brinquedos, móveis, roupas, farmácias, médicos, planos de saúde, restaurantes, shopping center. Mas infelizmente a criança tem sido usada para isso, e essa criança é você, que transformou sua vida num turbilhão de necessidades. As mulheres necessitam desesperadamente de um homem, se cegam totalmente, fantasiando a respeito de seus namorados, se sujeitando a vários tipos de humilhação interna para mantê-los. Leia-se isso como ir se adaptando aquele homem, fazendo um monte de coisas que não é sua onda para se adaptar a ele. Começando a gostar de coisas apenas para agradá-lo, sexualmente aceitando o mínimo: ejaculação precoce, transas desconectadas, sexo de descargas, pouca tesão… Ficando num estado regredido, com falas regredidas, com apelidos regredidos, investindo tudo na necessidade, sem jamais correr o menor risco. De contra-partida, cortando as bolas dele, para que fique dócil e jamais olhe para outra mulher. Isso vale para os homens também!
Mas, um tempo depois, a ilusão começa a cair e vem a frustração e a decepção. Aí começa a tentativa de reanimar esse cadáver. Quem sabe uma linda viagem, quem sabe uma oficina de conserto de casais, psicólogos, psiquiatras, grupos alternativos, que não são para crescer e sim para tentar manter o relacionamento. E o pior é que acabou ficando tão dependente, tão necessitado que tem que se adaptar aquela mediocridade, sexozinho de descarga (viva os sexshop com seus instrumentos, cremes e filmes), orgasmos superficiais e esporádicos. Mas com muita internet, muitas fotos no facebook, uma linda viagem para Natal, Fortaleza, Mussum, Guaporé… Aí você acaba sem força e acha que, se perder aquela miséria, aquelas migalhas, você vai morrer na rua da amargura, solteirona, assim como papai e mamãe diziam. E de quem é a culpa? É do amor! Amar é difícil, né? Sexo é complicado, né?
Somos adultos com necessidades de crianças. E você pergunta “o que fazer?!” Assim como eu falo para o meu neto, falo para vocês: move your ass!!! É isso que você tem que fazer! Quebrar com essa prisão, com essa limitação, criar o novo para sua vida. E, para criar o novo, você tem que destruir o velho. Assim como a Fênix que renasce das cinzas. Não é clicando no facebook, mas sim buscando ajuda e trabalhos que possam limpar a sua infância, que possam mexer com a sua programação de necessidade de mendicância, de um pouquinho de amor, aqui e acolá. Quebrando a mesmice que não te deixa sair do lugar, resgatando teu ser que era pleno abundante. Sim, para isso você vai ter que visitar seu passado ou vai ter que tomar comprimidinho para suportar o resto dos seus dias, anos e décadas… Ou inventar homens, mulheres, muito trabalho, muitos filmes, criar cachorrinhos, sei lá eu mais o quê.
Coragem, coragem, você pode mais! Há 40 anos atrás Raulzito já dizia isso.
E quando você começar a fazer isso, vai ficar menos necessitado, e todos a sua volta vão ficar putos, porque você começará ser um mau exemplo. Você estará mostrando que é possível e todos vão tentar destruir essa nova chama que está brotando em você. Todos mesmo! Pai, mãe, namorados, titio, até o porteiro do prédio! Por isso muitos começam e desistem. No Namastê eu vi muito isso. Muitas pessoas que saíram da tumba, respiraram, experimentaram a vida, voltaram para trás. A vida tem risco e desafios, as pessoas vacilam, querem dar o passo, mais um, mas aí tem esse bando de mortos puxando para trás, berrando “vem, volta! O futuro é perigoso! O amor pode acabar! É melhor viver no conforto, nossos caixões são tão fofinhos e ainda pega a internet!”
E as pessoas vão desistindo novamente… Não funciona, querem Brastemp com 20 anos de garantia. Conheço muitas pessoas que nem passam na rua do Namastê porque não querem relembrar que por um momento elas estiveram vivas. Vocês acreditam que tem um monte de gente que fala um monte de coisa a meu respeito, mas nunca teve coragem de dizer nenhuma coisa na minha frente? Nunca! E olha que eu tenho um monte de defeitos, mas sou um homem, tenho dignidade, nunca desviei de ninguém, nunca fugi de ninguém. Mas eu entendo essas pessoas, elas querem se apegar a distorções que elas criam para que possam estar com os mortos. Eu sou um homem perigoso, eu posso te acordar e não tenho medo disso! Ou você acha que essas pessoas tem medo que um homem de 60 seja capaz de agredi-los? Humilhá-los? Não! Quem fez isso com vocês foram seus pais, vocês tem medo de ser acordados! Porque dói. Quando você acorda e vê o quanto perdeu, dói. Mas essa dor e essa raiva vão fazer que você pare de perder e comece a ganhar sua vida!
As pessoas gostariam que a gente tivesse necessidade delas, que estivéssemos por aí desesperados para ter mais um clientinho, mais uma pessoa na comunidade mas, lamento informar a todos aqueles que preferem os mortos, que o Namastê está cheio de pessoas e a Comunidade Osho Rachana tem 8 pessoas vivendo em dormitórios provisórios porque está super-lotada. Não fique brabo com isso meu irmão, fique feliz que uma coisa alternativa deu certo. “Que bom que esses caras estão conseguindo criar coisas alternativas a esse sistema desumano que existe. Não é minha onda mas, que bom!” Deseje que nós continuemos a crescer, fique feliz que nós lutamos para não voltarmos ao mundo dos mortos. Talvez fosse um consolo para você que o Namastê ou a comunidade não dê certo, mas agradeça por sermos uma pedra no seu sapato. Alguém que te incomoda pela vida, que muitas vezes te coloca em xeque e que muitas vezes faz você pensar.
Há muita vida no Namastê e na comunidade, mas não é o único lugar- de novo: NÃO É O ÚNICO LUGAR. Há muita vida lá fora, explore! Procure sua onda. Se você acha que está no mundo dos vivos, que bom! Desliga essa merda e vai fazer amor!

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