Salvem os adolescentes!

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Por Milan

Salvem os adolescentes! Esse é um grito, um apelo, uma súplica para os pais, amigos, irmãos e tios de adolescentes. É um absurdo a situação que se encontram. Eu tenho uma filha, Punya, que facilita um grupo de adolescentes no Namastê. Nos próximos dois meses (Junho e Julho) ela vai parar com o grupo porque estão vindo poucos adolescentes. O que é muito triste, pois é um trabalho rico, mas muito rico mesmo. Eu tenho um filho adolescente que vai e eu sei da importância desse trabalho. Olho para o meu filho e vejo alguns problemas, como não conseguir se expressar. Eu também não me coloco com ele e isso cria uma distância. Por quê? Porque nossos adolescentes são educados pela internet, por um Facebook podre. Gente, olha o Facebook e vê o que é. Os nossos filhos vivem no Facebook. Vivem nas redes sociais. Eu sei que para os pais gera certo alívio porque assim eles não estão incomodando, mas não estão incomodando agora, no futuro vão incomodar terrivelmente. No futuro vai ser uma tragédia, uma baita tragédia. Isso deixa a pessoa vazia, ansiosa. O Facebook tira todo o conteúdo emocional dos nossos adolescentes. Eles ficam simplesmente vazios, com um papinho frau. Parecem todos descolados em sexo. Mentira! É tudo um personagem. Eles têm acesso a informações muito distorcidas sobre sexualidade, informações distorcidas sobre o amor. Na real, eles estão em sofrimento e não tem com quem falar. Os pais não ouvem. Os pais não estão interessados. Estão interessados em deixar eles na Internet porque pelo menos não perturbam. Isso é uma postura que fomos assumindo devido ao nosso sistema doido. Só que são nossos filhos. Como vai ser depois?

Acho gozado porque todo mundo concorda que 80% dos adolescentes fumam maconha, mas menos o teu filho, óbvio! Só teu filho se salvou. Eles nunca vão falar, nunca vão dizer. A gurizada vai para a maconha porque não tem nenhuma saída, não tem nenhum contato social. O vício em maconha ou em uma rede social é um dano enorme para um adolescente. Eu gostaria que vocês olhassem desesperadamente para isso. Eu sei que o mundo está nos constrangendo com o tempo, a gente não arruma tempo para nada, não consegue tempo para fazer coisa alguma. Não consegue por causa desse ritmo louco e nós vamos inserir nossos filhos nesse ritmo louco também. É isso que queremos para eles? É isso que queremos para o sangue do nosso sangue que são nossos filhos? A única coisa que queremos é que não nos perturbem? Eles são calados, quietos, mas por trás eles têm um monte de questionamentos, um monte.

Você reclama que eles não sabem fazer nada, mas onde vão aprender? Em uma tela de computador tu não aprende absolutamente nada. É uma coisa que desvincula eles da realidade. Por isso hoje em dia computador é droga braba. Porque passam horas e horas com certo conforto dos pais porque ficam quietos, se acalmam. Isso é pior que dar antidepressivo para eles. Se você leu o livro do George Orwell, 1984, é isso que está acontecendo. E tu te importas com o teu filho? Te importa que ele seja algo melhor que você, mais evoluído? Ou você desistiu? Simplesmente desistiu porque desistiu da tua vida e da vida dele. Olha, a minha experiência no Namasteen, por exemplo, é muito clara, eles ficam muito mais questionadores, eles vão bronquear mais em casa, mas isso é gente viva, morto não tem problema. Tu queres criar o quê? Carneiros? Que sobem, descem e não questionam nada, não tem boca para nada. É isso que tu espera do teu filho? É isso que vai te satisfazer? Você está ali um morto-vivo e não quer que ele incomode? Claro que ele vai incomodar. Claro que ele vai entrar em conflito. Conflito com os pais. Você foi adolescente e não entrou em conflito? O que teu pai fez? Mandou tu calar a boca? E tu engoliu. E hoje tu adota o mesmo sistema de vida dos teus pais emocionalmente. Você quer enxergar isso? Você quer ser realmente um pai que no futuro seu filho só vai te procurar no dia dos pais, no natal ou no ano novo para te dar um presente e por obrigação. Quando, na real, ele está a fim de fazer outra coisa.

A maioria dos adolescentes são monossilábicos: “sim”, “não”, e abaixam a cabeça. Por que tu acha que é assim? Porque tem um monte de coisas por trás. Porque eles não confiam, não falam. Se tu quer te iludir, te ilude. Se tu queres criar teu filho nessa vida careta, então cria.  Cria como um protótipo para a sociedade. Cria ele para estudar para o vestibular, para ele conseguir fazer aquilo que tu não fez, ou para ser um grande engenheiro, com um grande salário, mas e aí? Com uma vida medíocre, uma vida pobre. Conheço muitos engenheiros que jogariam seu diploma fora para poder amar de novo, para poder transar com prazer, com alegria, com êxtase. Não sei se vocês conseguem compreender isto. Mas é algo muito importante, afinal de contas para onde vai isso? Olha, eu gostaria que ao menos, talvez tu ache o Namastê uma coisa muito grande, que aquele pessoal é demais. Não sei qual o conceito que tu tem, mas você nem se informa porque não quer se incomodar. Para que as pessoas não te questionem se estiver toda hora no celular, por exemplo. Isso é muito doente, isso é uma droga. Celular é droga, droga forte. Não é mais um meio de comunicação, é uma maneira de se chapar, se desconectar da vida, sair fora.  Se você quer saber, faz um teste se você é viciado ou não. Passa um dia sem celular. Vai te dar a sensação que o mundo vai cair, parece que você está pelado. Experimenta. Fica um dia sem. Você vai ter noção de quanto tempo tu gasta. Mas você não se importa. Depois quando estiver mais velho faz terapia. A gente faz.

Eu trabalho há trinta anos como terapeuta, trinta anos. Conheço todas essas histórias de adolescentes. Tu vai ficar perguntando o que eu quero de ti com isso. Não quero nada de ti. Eu só quero isso para os meus filhos. Eu sei, eles ficam mais questionadores. Às vezes o teu filho vai te questionar sobre o que tu reclama porque tu faz igual. E aí o que tu vai fazer? O cara não é mais um boca aberta que só fica engolindo coisa. Mas isso é bom, é saudável, isso é ser humano, ou tu quer ser o quê? Carneiro?  Eu tenho filhos que discutem comigo não sobre abóbora, mas sobre sexualidade, sobre dificuldades que está tendo com namorado, sobre ejaculação precoce, sobre dificuldade de aprofundar no coração. Esse tipo de discussão. É um privilégio ter isso, poder saber quem eles são. Será que você está interessado nisso ou você só quer que seu filho seja um robozinho? O Namastê é uma saída. E pra ti que não vai ao Namastê tem um seriado chamado Merlí, feito em Barcelona, da Netflix. Vê com teu filho. Ou vê tu primeiro se quiser fazer uma censura. Vê as questões colocadas para ver se não dá uma luz. É o que a gente precisa, o que os adolescentes precisam: uma luz. Uma luz para essa vida, uma luz para poder viver de uma maneira mais saudável, mais amorosa. É um grito de desespero, sim, é preciso salvar, ACORDA! A maioria dos adolescentes está absurdamente viciado nisso e eles mostram um personagem que não são. Como se estivessem resolvidos, mas não estão! Estão sofrendo e tem medo. É tudo uma conversa da boca para fora. Porque ninguém contata com eles. É como na internet. Olha aquilo, não está todo mundo bonito, todo mundo bem? Todo mundo é legal, né?  Tu sabe que é mentira. Ou tu acredita que é real? Alguém posta alguma coisa verdadeira sobre si? Alguma coisa de conteúdo? Não, é só bobagem. Ninguém posta a verdade sobre si, que tem dificuldade nisso ou naquilo. Tu não conhece a pessoa. Tu conhece a fachada que ela inventa. Ela inventa uma fachada e tenta ser aquilo, mas entra no buraco porque não consegue ser uma imagem que projeta de si mesmo. Só que ele não vê que essa imagem é falsa, de um mundo distorcido, que foi dado à eles. Profundamente há uma necessidade de que você acorde. Salvem nossos adolescentes! Isso é para hoje!

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