Do tico cagado ao superman pênis

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Na minha adolescência eu fazia um esforço absurdo para transar mais do que 10 minutinhos. Cheguei a pesquisar várias técnicas que poderiam me ajudar a segurar a ejaculação. Aquela de fortalecer o músculo do períneo, de bater uma punheta antes de transar, e até pensar na vó no momento de gozar. Duvido que a maioria dos homens nunca tenha pesquisado como fazer para segurar aquela vontade louca de gozar.

Eu sentia muito medo de ser rejeitado pelas gurias, e no meio de toda essa insegurança, eu acabava frequentando assiduamente os puteiros de Porto Alegre. Lá era uma maravilha, o paraíso, o verdadeiro parque de diversões. Eu me sentia o cara mais gostoso do mundo, e quando as putas gritavam de “prazer” definitivamente eu me sentia super validado. Até a frustração de gozar rápido desaparecia, afinal de contas eu sabia que não importava, eu era validado igual.

Fiquei nessa onda durante alguns anos, ou ia nos puteiros, ou tomava um trago até sair da “casinha”, ou os dois juntos. Posso dizer tranquilamente que isso só acontecia porque eu ficava muito puto e frustrado quando ia nas festas e não rolava nada. Era muito pânico de chegar em alguma guria, tomar a frente, me arriscar. Obviamente eu sempre acabava procurando o caminho mais fácil, vulgo Farrapos.

Ainda assim o fato de gozar muito rápido me perturbava. Afinal, quando eu tinha a sorte de transar com aquela gata, meu deus, eu não podia fazer feio de jeito nenhum. Foi numa dessas que eu descobri o famoso azulzinho. Fui do genérico até o autêntico Viagra, com ‘V’ maiúsculo. Já experimentei muitos tipos de drogas para sentir prazer, relaxar e pirar o cabeção, mas o azulzinho é arrasador, era um companheiro que me ajudava a ficar extremamente seguro. Ele transformava meu tico cagado em um superman pênis. E posso descrever exatamente os efeitos.

Na verdade era um ritual. Eu combinava o encontro com a gata, levava para jantar (clássico) e quando tudo estava certo, no caminho para o motel ou qualquer que fosse o lugar, eu tomava o comprimido. Eu já sabia, 30 minutinhos antes. E então eu começava a sentir um calor pelo corpo todo, o coração começava a acelerar, o rosto ficava vermelho e quente. Nesse momento um tesão desproporcional começava a surgir do além até que milagrosamente o pau ficava duro tipo uma rocha. Confesso que era tão desproporcional que eu ficava com medo que a guria desconfiasse que eu tinha tomado algo.

Aí é como se tu te tornasse um super herói mesmo, afinal meu objetivo principal era sempre a validação. Para mim era muito importante manter a imagem, de jeito nenhum eu queria que ela falasse mal de mim para as amigas. Quando começávamos a transar era muito e muito tesão, e se o coração já dispara naturalmente, com o azulzinho parece que o coração vai sair pela boca. A vontade de gozar é normal. No primeiro sinal de prazer da companheira, tudo fica tenso e nada é capaz de conter a ejaculação. Mas então, novamente outro milagre, o pênis dá uma bobeada, mas voltava a ficar duro tipo uma rocha. Agora vem a parte estranha, o tesão diminui em uns 95%, e mesmo sem tesão a ereção permanece por muito tempo. A exata sensação que eu sentia é como se meu pênis fosse sempre duro. Eu não sentia mais nada. Na verdade, o que melhor descreve tudo isso é como se eu estivesse transando com uma parte do corpo que não é minha. Essa sensação é realmente bizarra. A partir desse momento a única intenção era proporcionar o máximo de prazer possível para a parceira até ela decidir parar. Então eu me sentia vitorioso. Ganhei dela, como se tudo fosse uma grande competição.

Isso aconteceu inúmeras vezes na minha vida, sempre a mesma coisa, e se por acaso eu sentisse que alguma coisa não estava legal eu já pensava rapidamente: “mandei ver, ah quer saber? Sou Foda! Ela deve estar pensando em mim até agora”. De alguma forma esse pensamento fazia eu me sentir melhor.

A sensação de ter tido uma boa performance sustentava algo dentro de mim, eu me sentia valorizado, era um ponto a mais no placar.

Fui longe nesta viagem, prazer só nas festas regadas a trago e puteiros, até que algo dentro de mim cansou e aquela rotina começou a perder a graça. Não era nada fácil, eu me sentia muito ansioso, e foi nas tentativas de acalmar a ansiedade que eu descobri a meditação. Como eu não tinha nada a perder comecei a meditar. Aos poucos passei a me interessar cada vez mais por mim. Arrisquei, me joguei de cabeça, e com a ajuda das meditações e da terapia bioenergética eu fui desmanchando cada viagem. Hoje aquela necessidade insuportável de validação já não tem a mesma força, abriram vários canais de preenchimento na minha vida, e minha sexualidade é natural, incrivelmente prazerosa. Continuarei neste processo bonito de resgate e, com toda certeza, vivendo uma vida mais plena, real e sentindo o verdadeiro prazer, o meu prazer.

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