Maconha e sexualidade

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Por João

Por dois anos da minha vida eu fumei maconha todos os dias em que eu respirei. No mínimo dos mínimos um baseado por dia e transei muito pouco ou quase nada durante todo esse tempo. Não que eu não gostasse da coisa, nem que eu fosse muito feio, ou super esquisito, nada disso. E, gente, eu tinha 21 anos, hormônios bombando… O fato é que, mesmo com tudo isso, eu conseguia me convencer facilmente que não precisava de sexo. Como? Aí entrava grande parte da minha falsa espiritualidade da época, que tinha como base um monte de textos e mais textos sobre mestres iluminados e a lenda da consciência do blá-blá-blá… Teoria pós-teoria, eu continuava estagnado, inerte. A realidade é que tanta maconha na minha cabeça abafava, e muito, qualquer emoção que eu pudesse sentir, incluindo meu tesão; consumia toda minha energia, e ainda criava uma falsa sensação de preenchimento.

Eu não digo tudo isso pra responsabilizar a maconha pelo estado lamentável que minha vida se encontrava, não mesmo! Antes disso era muito pior. Entre os meus 13 e 21 anos vivi uma adolescência de solidão, milhões de masturbações e apenas fantasias e mais fantasias. Desejava mil e uma mulheres e não tinha coragem de dar um simples “oi” para qualquer uma delas, tinha apenas amores fantasiosos. Lembro até hoje, de deitar na cama antes de dormir e ficar lá, com o olhar perdido pro teto a fantasiar como seria o dia em que eu criaria coragem e chegaria naquela guria que eu tanto desejava.  Absolutamente nada era concretizado. Não fossem as raras vezes em que o álcool me animou e me deixou desinibido, teria passado a adolescência no zero. Estudava com extremo desgosto, cumprindo automaticamente o papel social de ter que passar no colégio e depois faculdade. O que eu gostava realmente eu nem sabia o que era e tampouco importava.

Aos 24 anos, em meio aquela minha vida iludida do primeiro parágrafo, eu recebi um flyer do Namastê. Pela curiosidade e pela beleza da menina que me entregara o flyer, um dia caí de paraquedas nesse lugar. E que dia! Lembro-me de sentir meu corpo tão vivo, como há muito tempo não sentia. Já tinha viajado e bastante, mas aquilo era tão natural, apenas comigo, minha respiração e meu corpo. Foi incrível!

Nos meses que se seguiram fui me entregando cada vez mais às meditações ativas e à bioenergética e foi ficando cada vez mais claro que a maconha não servia mais para a minha vida. Reconheci que a maconha teve sua serventia no que diz respeito a quebrar com a minha caretice, a fugir dos meus problemas e a sobreviver na fossa. Mas nas vezes que fumei a seguir, comecei a reparar no que sentia, e em detalhes, como a energia em que eu estava ao acordar após ter fumado, e era nítido que acordava esgotado, pesado, seco. Fui me dando conta que usava a maconha muito mais para buscar inconsciência do que consciência. Buscava esquecer minhas preocupações, minha angústia, minha ansiedade, este mundo que parecia um verdadeiro inferno. Queria somente esquecer. E todos os meus prazeres eram esquecimentos. Quando tive consciência disso, minha mudança foi naturalmente acontecendo. As ilusões foram se desmanchando, fui parando de me enganar e as coisas comuns começaram a ter um valor significativo. No decorrer desse processo grandes mudanças aconteceram: comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a viver histórias de amor e hoje tenho o privilégio de viver com 60 amigos em uma comunidade rodeada de natureza.

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