O que é a sexualidade?

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Por Mateus Rocha

Está aí uma pergunta que durante a maior parte da minha vida sequer passou pela minha cabeça. Nasci e fui criado em um ambiente em que tudo era feito às escondidas. Não via trocas de afeto, não ouvia nem mesmo discussões. Falar sobre sexo, então? Imagina!

Pois é. Assim entrei na minha adolescência sem nenhuma informação que não fosse de revistas pornográficas ou vídeos surrupiados de alguma maneira. Não falava sobre o assunto nem com os meus amigos. Com as revistas era mais fácil, assim podia me esconder e me masturbar mais “tranquilamente”. Ainda assim com muito medo de ser descoberto. O tempo foi passando. Atravessei minha adolescência sem conseguir viver nada, absolutamente nada da minha sexualidade. Morria de medo de chegar nas gurias. Meu primeiro beijo deve ter sido lá pelos 15, 16 anos. Transar? Aos 20 anos! Na verdade, nem posso dizer que foi uma transa – de tanto medo que eu senti. Tinha pânico de ser descoberto. Nem preciso dizer que o encontro foi uma merda, tanto para mim quanto para minha parceira, tamanha a tensão que vivi naquela noite. Depois daquele dia, mais um longo tempo se passou até eu transar novamente. E depois foi igual. Mais uma vez uma tensão enorme – desta vez diluída um pouco após algumas cervejas. O resultado foi horroroso. Muita atrapalhação, ansiedade, brochadas ou, simplesmente, ejaculação em alguns minutos… Eu sentia muita vergonha perto dos meus amigos, por não ter experiência. Eu sentia mais vergonha ainda perto das mulheres, pois minha falta de prática diminuia ainda mais minha auto-estima. Me achava um lixo, tinha vergonha de chegar perto delas, e um medo enorme de ser rejeitado que estava estampado em minha cara.

Foi mais tarde, a partir de meus 24 anos, que comecei a sentir um pouco de prazer no sexo. Minhas primeiras experiências mais “relaxadas” foram com minha primeira namorada. A partir dalí tive momentos de muito prazer e amorosidade. Durante boa parte do tempo em que ficamos juntos, aproximadamente dois anos. Os últimos seis meses da relação foram uma catástrofe. Ainda tínhamos ímpetos de tesão um pelo outro, transávamos, mas já não sentíamos amor um pelo outro. Quando terminamos a relação, senti-me muito decepcionado e frustrado. Jurei para mim mesmo que jamais passaria por aquilo novamente. Daquela “decepção” amorosa, mergulhei num longo período de seca. Não queria mais saber de mulher. Não queria me envolver com ninguém. Fui fundo no meu trabalho, investi todo meu tempo na “minha carreira” e assim passaram-se anos. Eu acreditava mesmo que estava fazendo o que era certo para mim, e para o meu futuro. Mesmo depois, quando a tensão foi relaxando e eu comecei a sair novamente com mulheres, tinha encontros legais, mas que não passavam de “passatempo”. Eram transas rápidas, em que ou eu ou minha parceira tínhamos um breve momento de prazer, e depois dormíamos. Sempre que eu começava a me sentir apaixonado, acabava arrumando uma desculpa e parava de encontrar aquela pessoa. Ou era uma viagem, ou me enfurnava novamente no escritório, trabalhando.

Minhas transas eram como se eu vivesse uma “fissura”, uma vontade de saciar um desejo do corpo e pronto. Como quando me masturbava, tinha um momento rápido de excitação para logo em seguida ejacular e sentir aquele relaxamento. E parava por aí…

Sem me dar realmente conta, assim passaram-se 10 anos da minha vida! 10 anos! Foi quando percebi que algo estava errado, e decidi mudar as coisas. Isso iniciou um longo processo de mudanças na minha vida, entre elas o ambiente em que vivia e em que trabalhava. Passei a mexer mais com meu corpo, praticar esportes, e procurar me relacionar com outras pessoas, indo ao encontro de novas amizades. Além de esportes, comecei a meditar e a olhar profundamente para a minha vida. Basicamente, o fato de mexer com meu corpo e estar em contato com outras pessoas, trocar experiências, histórias e dificuldades, fez com que eu começasse novamente a gostar de mim mesmo, melhorando minha auto-estima e me dando motivação para buscar as mudanças que procurava. E isso refletiu também na minha sexualidade. Fui descobrindo novas sensações… que a transa podia durar mais tempo, que o prazer depois de uma transa poderia ser muito maior do que uma simples ejaculação, além de “detalhes” simples, como a troca de carinho, a excitação que isso provocava, as sensações de arrepio e calor que aconteciam em meu corpo. Sem dúvida, trabalhar o corpo, meditar e me relacionar com amigos, muitos amigos, mudou muitas coisas em minha vida!

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Mamãe me ajuda!

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Por Franklin G.

Ainda lembro do verão em que conheci a Laura. Foi o meu primeiro namoro sério e eu estava completamente apaixonado por ela. Na época nós dois ainda éramos muito inexperientes com o sexo, mas é claro que eu nunca admitia isso. Eu ficava tão tenso quando estava sozinho com ela, que nossa primeira vez demorou para acontecer. No fim, foi ela que tomou a iniciativa, mas o nervosismo foi tanto que acabei broxando. Foi a minha primeira broxada e foi muito marcante. Simplesmente deu um nó na minha cabeça: como era possível broxar com tanta paixão e tanto tesão?! Quando estava sozinho em casa, sentia um tesão avassalador e, na presença da mulher que eu amava tanto, a energia morria totalmente.

Nessa época eu não confiava em absolutamente ninguém para conversar sobre o assunto e tive que lidar com tudo sozinho enquanto me sentia, obviamente, o último dos homens. A situação se repetiu ainda duas ou três vezes até que conseguimos ter penetração e, quando finalmente rolou nossa primeira transa… eu ejaculei em menos de 5 minutos! Meses esperando por aquele momento e tudo acabou tão rápido que eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ao menos tinha conseguido manter uma ereção suficiente para que acontecesse nossa primeira vez. Na próxima, haveria de ser diferente, certamente iria durar mais tempo. Mas não durou. A cada nova transa, minha tensão só aumentava e a ejaculação sempre vinha precocemente. Como tinha muita energia, conseguia transar duas, três vezes em sequência, quase sem intervalo (às vezes, quando estava bêbado, até mais vezes). Isso amenizava o problema, mas não resolvia, pois a Laura nunca chegou ao orgasmo comigo. Mesmo assim ela sempre foi muito compreensiva. Compreensiva demais. A situação se repetiu ao longo dos dois anos e meio em que estivemos juntos e ela nunca reclamou. Na verdade, o assunto era tabu para os dois e não nos sentíamos à vontade para falar sobre nossa sexualidade. Eu nunca havia conversado sobre essa questão com ninguém. Achava até que o que estava acontecendo com a gente podia ser normal. Como consequência, nosso amor foi se deteriorando até o dia em que ela me traiu. Foi a desculpa perfeita para acabar o relacionamento e me livrar daquele fardo que eu carregava. Após alguns dias de tristeza e invalidação, se seguiu um sentimento de alívio junto com a certeza de que eu nunca mais queria passar por aquela situação.

Quando comecei a sair com a minha segunda namorada, Catarina, fiz de tudo para me manter numa posição de controle, me sentindo dominante na relação. Dessa vez eu tinha que ser “o cara” e era ela que iria me admirar e depender de mim. À primeira vista, a estratégia funcionou, pois, sem a tensão inicial de ter que agradar, eu conseguia controlar a ejaculação da maneira que eu quisesse. Praticamente eu podia decidir exatamente a hora em que queria ejacular. O sentimento de controle e as transas mais longas melhoraram a minha auto-estima, mas ainda parecia que faltava alguma coisa. Da mesma forma que a Laura não chegava ao orgasmo, a Catarina também gozou poucas vezes comigo. Estava confuso, mas claro que sempre existia a possibilidade de ser um problema dela e não meu. Com o passar do tempo, fui eu que perdi o interesse na relação, me afundei no trabalho e nos estudos e comecei a me afastar cada vez mais dela. O resultado disso tudo foi mais um final melancólico de relacionamento, mas dessa vez com uma diferença: no lugar da sensação de alívio, fui tomado por um sentimento de indignação e a certeza de que eu queria mais pra minha vida.

Resolvi procurar uma clínica

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Caso 1 – Vicente L.

Marquei a consulta pelo 0800. Chegando lá no dia fui encaminhado para uma sala em separado, onde o atendente me passou um formulário com uma breve anamnese da minha saúde. Entrego a ficha e sou encaminhado para o primeiro médico. Me pergunta sobre o meu problema. Há quanto tempo venho brochando, se tenho parceira, se ela sabe que estou na clínica, se é problema em ter ou manter a ereção e se me masturbo. Depois disso, ele me esclarece que o problema pode ser físico ou “psicogênico”, sendo que se precisar de cirurgia, a clínica não cuidará do problema. Então sou encaminhado para os exames.

Outro médico vai e me busca para fazer os exames. Ele começa fazendo perguntas que estão em um formulário no computador, “vamos fazer isso daqui rápido para não perdermos tempo com bobagem”. Faz duas ou três perguntas, não muito diferentes daquelas feitas pelo primeiro médico e vamos para o exame.   Apalpando meu pênis e logo indica que a musculatura está ok. O segundo exame, um ultrassom, verifica que a circulação está normal. Já no terceiro exame, um vibrador com diferentes intensidades na glande, conclui que está dentro dos parâmetros. Depois dos exames, me diz: “seu problema é de origem psicogênica, rapaz. Você está como o jogador de futebol que vai bater o terceiro pênalti depois de ter errado outros dois, vai muito tenso para transar, aí não consegue mesmo. Mas vamos providenciar o tratamento. Vamos te treinar, tirar o goleiro para você bater o pênalti. Depois, vou te avisar que o goleiro somente pulará para o lado esquerdo. Por fim, quando você estiver pronto e confiante novamente, deixaremos você bater sem ajuda nenhuma”. Então me explicou no que consistia o tratamento/treinamento: “enviaremos para a sua residência os remédios que nós mesmos fabricamos para ajudar no seu problema, são dois ansiolíticos e um remedinho para ajudar a circulação”. Ele indicou que precisaria de seis meses de tratamento e o meu problema estaria resolvido. Era só retornar a cada sessenta dias para checar o andamento do tratamento e o resultado da medicação. Simples assim, com três comprimidos ao dia, tudo estava resolvido, nunca foi tão fácil.

Passo para outra sala. O atendente passa a máquina do cartão. R$ 250,00 a consulta. Espero um pouco mais e sou chamado pelo primeiro médico. Ele me questiona, então, se havia ficado claro o tratamento, se havia entendido tudo. Então ele puxa um papel e me apresenta o custo do tratamento: R$ 8.800,00, parceláveis em até dez vezes. Fiquei atônito ao saber do valor, falei que pensei que sairia com uma receita para comprar os remédios, mas ele disse que não, esse não era o procedimento da clínica. Falei para ele que teria que pensar sobre o tratamento, que o valor era muito elevado. Ele me responde: “o senhor é que está com o problema, você é que sabe se vale a pena ou não resolver isso”.

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Caso 2 – Camilo T.

A decisão de ir numa clínica para tratamento de ejaculação precoce não é nada fácil, e se tu decide é porque o negócio já tá incomodando muito, já chegou no limite do desespero. Então vamos lá, respirei fundo e decidi marcar uma consulta na tal famosa clínica especialista em Tratamentos para Ejaculação Precoce, Disfunção Erétil e Falta de Libido.

A promessa para a primeira consulta é descobrir o grau e a extensão de meu problema para, em seguida, sair com uma proposta de tratamento. A clínica teve um cuidado impecável para manter a integridade da minha identidade, tudo é muito discreto. Me levaram para uma salinha de espera que é individual para cada cliente. Ali meu coração parecia que ia sair pela boca, que sensação ruim. Bom, primeiro preenchi um questionário básico com perguntas padrão sobre minha saúde física, histórico de doenças etc.

Após preencher este questionário fui chamado pelo primeiro médico. Fui direto ao ponto, eu disse que tinha ejaculação precoce e que minha namorada estava ficando irritada com esse meu problema. Me perguntou quanto tempo durava a transa, eu disse que no máximo 5 min. Neste momento ele disse que a ejaculação precoce afeta 1 em cada 3 homens sexualmente ativos, e ali eles poderiam me ajudar, que sim, existia um tratamento. E sem muito mais perguntas me colocou para fazer os exames. Pensei, ufa foi rápido. O exame durou apenas 30 segundos. Ele colocou um aparelhinho que emite uma vibraçãozinha na ponta do meu pênis, e pediu para eu avisar quando o aparelho parasse de vibrar. Logo depois usou outro aparelhinho que mediu o fluxo de sangue do meu pênis. E após esses 30 segundos, milagrosamente, o doutor tinha o diagnóstico completo do meu problema e um tratamento! O resultado é: Hipersensibilidade no pênis!

O doutor logo disse que isso é sim um problema que deve ser tratado o mais rápido possível para não ficar mais grave e que, se não tratado, a consequência seria também a disfunção erétil. Na verdade, com o segundo exame, ele me mostrou que eu  já apresentava sintomas de disfunção, devido a um baixo fluxo de sangue no pênis. Na visão do médico o problema é somente físico e o tratamento é uso de medicamentos. Ele traz a solução com muita naturalidade, igual quando um médico te receita um antibiótico ou um anti-inflamatório para curar algum probleminha no corpo.

Quem passa os valores é o segundo médico no qual fui encaminhado pelo primeiro para me dizer como funcionaria na prática o tratamento. E é muito simples, tomar 2 remédios todo dia, e o tratamento teria uma duração de no mínimo 1 ano. Eu teria um acompanhamento, ir 3 vezes na clínica, de 4 em 4 meses, fazer os exames novamente e avaliar se continuo tomando os remedios na mesma dosagem. O valor total do tratamento é R$ 9.000,00. Nessa altura do campeonato eu já nem questionava mais o médico, só disse que precisava pensar e avaliar melhor a proposta. Aí resolvi buscar outro tratamento porque não queria tomar remédio.

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Caso 3 – Leonardo B.

Depois de um tempo convivendo com impotência, tomei coragem e fui numa clínica que trata do assunto. Chegando lá fui recepcionado e encaminhado para uma sala reservada. Fomos para os exames que seriam feitos ali mesmo, utilizando dois aparelhos. Com o primeiro, de forma bastante simples, ele constatou uma hipersensibilidade no meu pênis, que seria a causa dos problemas de ejaculação precoce. No segundo, ele concluiu que a circulação de sangue no meu pênis era muito baixa e este seria o motivo do meu problema de impotência.

Segundo o médico, o tratamento seria muito simples e que dentro de 12 meses, seguindo a risca com acompanhamento periódico, eu estaria curado. Entrei para consulta com um segundo médico e ele olhou os meus exames e falou a mesma coisa que o outro. Aí ele me mostrou uma lista, nela dizia que atualmente eles atendem mais de 500 homens e foi citando alguns de 20 anos de idade com casos que, segundo ele, eram mais graves que o meu.

De volta ao assunto do tratamento, ele disse que saindo dali eu já seria encaminhado para o farmacêutico da empresa que daria início ao processo,  já me entregando os remédios e agendando as próximas visitas. Deixou claro que eu já veria resultados em poucos dias. Mas que eu não deveria me iludir e parar os remédios, pois caso parasse o problema poderia voltar e até mesmo se agravar. Nesse momento pegou na gaveta da mesa um frasco de remédios e disse que o tratamento era simples: eu só precisava tomar aquele remédio todos os dias com disciplina.

Finalizando as explicações sobre o tratamento, fomos para a parte financeira: o tratamento custa aproximadamente R$ 8.000,00 e pode ser pago de diversas maneiras.

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Caso 4 – João G.

Oi Milan. Eu sou o João, fiz Namastê há 6 anos atrás e queria a sua orientação. Meu pai está com problema de ejaculação precoce e impotência. Eu queria levar ele para o Namastê, mas ele tem vergonha, medo, não acredita… então resolvi procurar uma clínica aqui no Rio de Janeiro. Fui eu fazer a consulta para ver como era, se era sério ou não. Cheguei lá e falei como se tivesse ejaculação precoce e impotência. Fiz os exames de hipersensibilidade e fluxo sanguíneo com os aparelhos que eles tem lá e para minha surpresa, os dois deram como se eu tivesse ejaculação precoce e impotência.

Só para ter uma idéia, o normal dentro de uma faixa de 0 a 15 é ter 8 de sensibilidade. Quanto menor o número maior a sensibildiade e os resultados mostraram que eu tinha 2 de sensibilidade. Eu fiquei muito chocado porque eu não tenho ejaculação precoce. Fiz os exames apenas para checar o trabalho para o meu pai. Cara, os preços que eles me deram foram chocantes: R$ 15.000,00 durante 1 ano. E eu ia receber em casa mensalmente um spray que ia colocar embaixo da língua. Além de fazer uma consulta a cada dois meses.

Eu saí da clínica meio decepcionado e queria saber sua opinião já que eu fiz terapia no Namastê e queria muito que meu pai fosse, mas ele não quer ir de jeito nenhum.

RESPOSTA MILAN: Olha, na idade e condição do teu pai, talvez ele não tenha a disponibilidade ou até a possibilidade de mexer com o corpo e as questões emocionais envolvidas e isso é uma decisão que só cabe a ele. Mas ele precisa ser tratado porque o pior é sofrer com a impotência e a ejaculação precoce. Já ouvi falar desses exames e sempre achei estranho, pois isso depende muito do estado emocional da pessoa e os médicos geralmente não levam isso em conta. Mesmo assim, tenta descobrir se outras pessoas que fizeram tratamento ali tiveram resultados e esclarece teu pai sobre todas as possibilidades, para ele fazer a melhor escolha

Performance e Sexualidade

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Por José S.

Minha vida sexual se resumia a transas de no máximo 10 minutos com alguma mulher que eu tivesse acabado de conhecer ou alguma amiga que, assim como eu, estivesse precisando. Mas se limitava a uma transa e se repetia tão raro como um eclipse. E eu achava que tava super bem. Transava no máximo quatro vezes por ano, não durava 10 minutos cada e no fim eu só queria que a pessoa do meu lado sumisse imediatamente. Mas tinha tanta vergonha de todo o ato em si, que não conseguia nem sair e nem pedir pra pessoa ao meu lado se retirar. Seria falta de respeito. Eu tinha um modelo de transa na minha cabeça. Tenho que chupar a mulher, fazer no mínimo duas posições e ela tem que gemer. Tem que estar bom pra ela, tenho que fazê-la gozar, sorrir, curtir o momento.

Então minha vida sexual se resumia a um serviço no qual eu sempre me avaliei muito mal e me sentia péssimo por fazer. Mas tinha que fazer. Tinha que transar, mesmo que de vez em quando, tinha que transar. Como assim, você é homem, mora no Rio de Janeiro e não transa com ninguém? E com isso tudo na cabeça como seria possível curtir realmente o momento, o ato, o sexo? Se o tempo inteiro eu estava pensando nas consequências disso. “O que vão achar de mim se for bom? E se não for? Como ela vai contar pras amigas? Se não for bom todo mundo vai saber! O que meus amigos vão achar quando eu disser com quem foi e como foi?” As mulheres que eu transava tinham que estar nos padrões de beleza do meu ambiente. E eu tinha que ser bom e legal com todas elas. Mulher fora de padrão eu só ficava quando era alguma amiga e batia aquele “foda-se”. Mas essas eu não contava pra todo mundo.

Onde eu ficava nesse quadro? Eu transava com as mais “gatas e gostosas” pra agradar meus amigos e ficar com um status “top” entre eles. Eu tinha que ser bom, transar bem e ser legal com todas que eu transasse. Por mais que elas não me dessem nada, queria agradá-las e manter um bom status entre as mulheres. E eu? Nunca parei pra pensar em mim. Tava bom pra mim se elas fossem um modelo padrão e se elas curtissem a transa. Isso era o que eu acreditava ser bom. Isso era o que eu precisava.