Performance e Sexualidade

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Por José S.

Minha vida sexual se resumia a transas de no máximo 10 minutos com alguma mulher que eu tivesse acabado de conhecer ou alguma amiga que, assim como eu, estivesse precisando. Mas se limitava a uma transa e se repetia tão raro como um eclipse. E eu achava que tava super bem. Transava no máximo quatro vezes por ano, não durava 10 minutos cada e no fim eu só queria que a pessoa do meu lado sumisse imediatamente. Mas tinha tanta vergonha de todo o ato em si, que não conseguia nem sair e nem pedir pra pessoa ao meu lado se retirar. Seria falta de respeito. Eu tinha um modelo de transa na minha cabeça. Tenho que chupar a mulher, fazer no mínimo duas posições e ela tem que gemer. Tem que estar bom pra ela, tenho que fazê-la gozar, sorrir, curtir o momento.

Então minha vida sexual se resumia a um serviço no qual eu sempre me avaliei muito mal e me sentia péssimo por fazer. Mas tinha que fazer. Tinha que transar, mesmo que de vez em quando, tinha que transar. Como assim, você é homem, mora no Rio de Janeiro e não transa com ninguém? E com isso tudo na cabeça como seria possível curtir realmente o momento, o ato, o sexo? Se o tempo inteiro eu estava pensando nas consequências disso. “O que vão achar de mim se for bom? E se não for? Como ela vai contar pras amigas? Se não for bom todo mundo vai saber! O que meus amigos vão achar quando eu disser com quem foi e como foi?” As mulheres que eu transava tinham que estar nos padrões de beleza do meu ambiente. E eu tinha que ser bom e legal com todas elas. Mulher fora de padrão eu só ficava quando era alguma amiga e batia aquele “foda-se”. Mas essas eu não contava pra todo mundo.

Onde eu ficava nesse quadro? Eu transava com as mais “gatas e gostosas” pra agradar meus amigos e ficar com um status “top” entre eles. Eu tinha que ser bom, transar bem e ser legal com todas que eu transasse. Por mais que elas não me dessem nada, queria agradá-las e manter um bom status entre as mulheres. E eu? Nunca parei pra pensar em mim. Tava bom pra mim se elas fossem um modelo padrão e se elas curtissem a transa. Isso era o que eu acreditava ser bom. Isso era o que eu precisava.

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