Vazio após a transa

dhirendra01

Por Joaquim de Abreu

Aos 20 anos acabei um relacionamento. Acabei nada. Levei um grande pé na bunda. Fui trocado por outro. Eu não acreditava que tinha recebido um fora! Fiquei tão mal que não queria me apaixonar por mais ninguém. Botei na minha cabeça que iria transar com o maior número de pessoas e vezes possíveis. Transava toda semana com novas mulheres, mas toda a mulher que eu ficava não preenchia o vazio que sentia. Eu achava que era uma questão de quantidade, mas toda a transa era a mesma coisa de sempre, era igual a uma masturbação. Até eu estar com a mulher era uma alegria, mas quando começava a transar, perdia um pouco a alegria e pensava em qualquer outra coisa durante o sexo, menos no ato em si. Na real, para mim não fazia muita diferença o tempo da transa.

Eu só transava mais tempo para ficar com uma imagem boa. Mas quando vinha a hora de gozar, eu sentia alívio. E junto uma sensação ruim de asco, de repugnância, uma sensação de que não precisava ter feito aquilo… aí batia um arrependimento de ter trazido ela para minha casa, vontade de fazer ela sumir. Às vezes, eu falava para mim mesmo que era porque tinha bebido demais na noite anterior, mas com o tempo essa sensação foi aumentando, foi acontecendo mais vezes, até que acontecia sempre. No começo, era isso… eu entrava nos meus delírios. Me perguntava porque eu sentia aquilo. Achava que o problema era a mulher que estava comigo. Sempre arranjava um defeito – uma era feia, a outra era chata, a outra eu não conseguia conversar, ou então muito nova, muito velha… eu sempre ia ter uma desculpa. Então, eu fui vendo que não importava quem era a mulher, isso sempre acontecia, e estava perdendo o tesão. Transar, eu transava, mas aquela sensação ruim sempre vinha depois de cada transa.

Um dia, transei com uma amiga que não transava fazia tempo. Era uma amiga e eu a evitava exatamente por isso, para não me apegar. Depois de transar com ela não deu aquela sensação ruim. Eu olhei para ela e deu vontade de ficar junto, de transar de novo ou apenas ficar ali. Isso me deu mais medo ainda. Fiquei estranho, mas escolhi não ver mais ela. Mesmo ela me procurando, inventei algumas desculpas esfarrapadas. Sentia que se eu ficasse mais vezes iria acabar gostando dela. Eu não confiava nela, agia muito impulsivamente, e eu podia acabar me ferrando. Sumi da vida dela. Mas percebi que tinha a ver com a minha escolha de não me apaixonar novamente. Eu escolhi não me apaixonar e o sexo ficou vazio. Entre mexer no coração ou ter sempre as mesmas transas, escolhi as mesmas transas com aquela sensação ruim no final. Com isso, cada vez bebia e me drogava mais. As drogas me davam mais prazer que o sexo.

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