Os pais do Rosário

pais do rosario

Eu fiquei muito estarrecido e chocado ouvindo a Rádio Gaúcha sobre a manifestação dos pais do Rosário e suas reivindicações. Primeiro, eram três, quatro, cinco pais com uns deputados do PSL e se autodenominando que eles estão defendendo a Escola sem Partido, eles já são um próprio partido. E as reivindicações deles é que a escola não traga nenhum conteúdo além do cristão e o da família. E esse é um partido. Partido cristão, partido da família. Vão criar um bando de jumentos, que não sabem pensar. Vão pensar só por aquela ótica. A ótica cristã, a ótica da família. Só pode dar jumentos. Vão negar quem? Querem negar quem? Daqui uns dias Freud vai ser um criminoso de guerra. Daqui a uns dias… Marx já é, né? Engels, Einstein vão execrar, eles não vão poder nem ouvir o nome do Einstein, porque afinal de contas, ele botava a língua de fora. Einstein era irreverente, não era um cristão. Vão negar a vida, tudo, que absurdo! Eu acho ridículo, sabe? Mas eu tava ouvindo a Gaúcha e ouvi o tal de Paulo Germano falando e adorei o que ele falou. Adorei a coragem dele de chegar e encarar esses pais cristãos. Queria dar pessoalmente os parabéns pra esse cara porque ele teve a coragem de encarar esses malucos cristãos, sabe? Esses talibã cristão, entendeu? E eu vou reproduzir no nosso blog a coluna dele para que vocês vejam. Eu acho isso muito legal e também vai ser tema do Namasteen no Namastê essa coluna e discutir a respeito de ter idéias mais amplas.

Por Prem Milan

Segue abaixo a matéria do colunista Paulo Germano da ZH do dia 5 de agosto

Protesto no Rosário: pais contra doutrinação se comportam como doutrinadores
Justamente por ser contra qualquer lavagem cerebral, me agrada que os professores ofereçam conteúdos diferentes dos que as famílias já transmitem – e tentam impor – às crianças

Dois deputados e uma secretária municipal foram apoiar, na manhã desta segunda-feira (5), o protesto de pais que exigia, em frente ao Rosário, o fim de uma suposta doutrinação ideológica no colégio. Não foi. A culpa pela briga foi da insanidade que eles próprios vêm incentivando – no caso dos três políticos, vão me perdoar, vocês reproduzem o mesmíssimo divisionismo que o PT  praticava. E foi essa beligerância, essa intolerância no convívio entre visões divergentes, que levou aqueles meninos a se esbofetearem em frente ao professor.
Aliás, não havia nada de errado no vídeo que o professor apresentava quando os ânimos se acirraram: era uma entrevista com o sociólogo Sergio Adorno sobre as motivações (veja que irônico) da violência urbana no Brasil. Claro, pode-se discordar de cabo a rabo do que diz Adorno – e é justamente esse senso crítico que se espera de um bom aluno. Mas, definitivamente, não é senso crítico o que os pais querem.
O que eles querem é que o aluno, na escola, só tenha contato com o que a família concorda. Ora, justamente por ser contra qualquer tipo de doutrinação, proselitismo ou lavagem cerebral, a mim agrada que os professores ofereçam conteúdos diferentes dos que os pais já transmitem – e tentam impor – às crianças. Senão, para que serve o colégio?
O aluno ideal, como já escreveu Contardo Calligaris, é o que contesta os pais com o que aprendeu no colégio e contesta o colégio com o que aprendeu com os pais. Se a escola e a família são os grandes instrumentos de formação – e deformação – dos jovens, não pode ser saudável que as duas “concordem” o tempo todo. Pelo contrário: é a divergência entre elas que cria o espaço de conflito necessário para o aluno encontrar sua própria autonomia.
Até porque, no fim das contas, como os jovens poderão discordar de alguma coisa – seja no marxismo, seja na Bíblia – se mal sabem do que se trata? Impedir alguém de entrar em contato com tudo o que me desagrada, como se fosse eu o padroeiro da verdade, o guardião da certeza ou o mensageiro da luz, não é só defender a mediocridade. É, agora sim, praticar doutrinação.

A história da repressão sexual

repressão sexual II

Por Aiman

A História da repressão sexual começa na tua casa! “Ahh… mas e a sociedade, a religião, a cultura?” Não, não se engane. Tudo história da carochinha… Você conheceu as regras da , que não podem chorar, que você tem que cuidar o que fala, que não pode ser vulgar… Ou só o fato de não se falar sobre sexo, não se tocar no assunto, você aprende que tem algo de errado naquilo, e consequentemente com você que sente aquilo.

Quando você cresce, só depois que você entende que tudo isso tem a ver com a cultura, com a religião, e com a história. Antes de tudo, você aprendeu com seus pais, eles com os pais deles, e estes com seus pais e aí vamos parar em Adão e Eva. Só aí que talvez a história passe a ter alguma relevância.
Moisés foi o primeiro a colocar leis repressoras. Muito inteligente, inventou toda a história do Monte Sinai, esperou uns relâmpagos e desceu com resumo da “constituição de Deus”. Seu intuito era organizar aquela sociedade marcada pela divisão entre hebreus e egípcios e uma falta de critério, onde se matava por qualquer coisa as relações eram sem parâmetro algum. Nos mandamentos, começou com Deus, depois foi para os pais, até tabular as leis que regem nossa sociedade até hoje: “não pecar contra castidade” e “ não desejar a mulher do próximo”.
Esse parâmetro foi, aos poucos, determinando o que hoje chamamos de família, que na verdade foi criada única e exclusivamente para proteger e preservar a propriedade privada. Se uma mulher tem relações com vários homens, o homem não pode saber quem é seu herdeiro, não pode saber para quem iria passar seus bens, daí, astuto, Moisés instituiu o adultério como proibição, com o consentimento de nada mais, nada menos que Deus. E isso está presente até hoje.
Com o cristianismo, anos depois, A repressão se tornou oficial. Veja, uns quantos bispos se juntaram e decidiram quem seria e como seria o judeu da Galileia, que se autointitulava “Messias”. Existem registros muito sério de que Jesus de Nazaré realizava rituais pagãos e que a culminância era o encontro sexual. No português claro: eles buscavam Deus através do sexo. Além disso, a pessoa que deveria seguir levando seus ensinamentos para o mundo seria, não os apóstolos, e sim Maria Madalena, uma mulher! Há quem diga ainda que ela (Madalena) era sua esposa.
Como os adeptos de Jesus cresciam no Império Romano, um determinado Constantino I decidiu unir os bispos e determinar que o cristianismo era a religião oficial de Roma e que Jesus era divino e Madalena uma prostituta. Esconderam daí todos os evangelhos e registros que pudessem provar o contrário e chamaram de evangelhos apócrifos. Numa só canetada subjugaram a mulher, tornaram um homem divino retirando o sexo das relações. retirando do sexo o caráter divino e tornando algo sujo e usado unicamente para manter a família.
Como a capacidade sexual de uma mulher é infinitamente maior que a do homem, o homem através do patriarcado tratou de colocar a mulher abaixo. A função da igreja aposólica romana na idade média era caçar toda mulher que fosse livre sexualmente e que não obedecesse, queimando-as, torturando-as, massacrando-as.Na dinâmica da família, a mulher se tornou uma serviçal do lar e reprodutora.
É muito forte isso. A mulher foi tão fortemente reprimida e impedida de sua sexualidade total que hoje é comum pensar que o homem É poligâmico e a mulher monogâmica. O homem pode frequentar o prostíbulo enquanto a mulher fica em casa tomando conta dos filhos. Quando que na verdade é a mulher que tem a capacidade para estar com quantos homens ela quiser. O homem, basta ejacular que vira um peso morto, só serve para roncar. Já a mulher tem a capacidade de ter múltiplos orgasmos e multiplicar o seu prazer, com um ou quantos homens ELA desejar.
Pare e pense um pouco, socialmente o puteiro serve como um estratagema muito horroroso da repressão: ele existe para que os homens não comecem a desejar “a mulher dos outros homens”. Existem mulheres especiais para isso, daí não existe ameaça à família e se mantém a mentira e a ordem da sociedade e para a produção.
Se pensar nos sentido da produção, dentro do capitalismo moderno, podemos acrescentar à família, à essa moralidade podre, a educação disseminada para todos. O que chamamos de educação hoje, nada mais é, do que uma preparação para o mercado de trabalho, a criação de um exército de reserva onde, principalmente pela ação da igreja, também é repassado esses valores distorcidos.
Agora, um problema muito sério é que nos últimos anos do capitalismo aconteceu também movimentos de liberação de tentativa de se libertar dessa repressão. Isso acabou trazendo a tona um aspecto muito triste da repressão: tudo que fica abafado que fica trancado apodrece. Daí essa disseminação da pornografia e da perversão sexual fruto de tantos anos de repressão. Muita gente acabou indo para o outro lado vivendo uma sexualidade bagaceira e superficial, que inclusive hoje tem áres de sofisticação, com massagens tântricas e o escambau. Basta você entrar na internet e ter acesso a isso hoje em dia. É um mercado que movimenta bilhões.
Tudo isso é fruto desse histórico de repressão e violação da naturalidade humana. E quem é o ator principal nessa história é a família. A família é podre porque foi desenhada pela repressão, pela violação da natureza humana, desde sua origem. É o Veículo de perpetuação dos valores distorcidos, é a roda que gira todo essa máquina