Emoções reprimidas: o freio da sua vida

 

 

 

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Todos nascemos com um grande potencial a ser desenvolvido como seres humanos. A vida deveria ser uma autopista sem limite de velocidade para ser desbravada e curtida, mas a maioria de nós está se arrastando e muitos estão completamente parados. É como se estivéssemos com um BMW em uma estrada alemã, mas andando a 20 Km/h com o freio de mão puxado. Olho ao meu redor e vejo poucas pessoas se realizando, fazendo coisas que realmente lhes dão prazer. Enquanto isso, a vida passa. Cada vez mais, vejo gente buscando nos remédios, nas drogas, na TV e na Internet rápidos momentos de alívio para depois voltar à sua rotina diária.

Acontece que a maioria das pessoas se afastou tanto dos seus sentimentos que elas nem sabem mais o que elas realmente gostam ou precisam para se realizar. Para fumar um baseado ou assistir uma série, você não precisa sentir muito. Pelo contrário, vai ficar anestesiado. Ao assistir um episódio de um uma série, a pessoa sente um prazer momentâneo; mas, ao final, o sentimento de vazio é tão grande que ela se sente impelida a assistir o próximo capítulo e depois outro e outro. Essa é a lógica do binge-watching e as operadoras de streaming adoram! Agora para viver um grande amor, para cultivar uma amizade profunda, para encarar uma grande aventura, para viver esses momentos que fazem a vida realmente valer a pena, você precisa estar em contato direto com suas emoções. Se estiver amando verdadeiramente e intensamente um(a) parceiro(a), um(a) amigo(a), um trabalho, um projeto, o que quer que seja, então a raiva, a dor, o medo, a alegria, o tesão, serão inevitáveis. Essas são capacidades básicas de cada um de nós, mas são cada vez mais reprimidas. Um indivíduo conectado, satisfeito e realizado não é interessante para a sociedade do consumo. E com todas essas emoções reprimidas é impossível levar uma vida preenchedora.

Quando iniciei o meu processo de autoconhecimento, eu não imaginava quanto choro, raiva, medo, alegria havia reprimido. Isso sem falar na sexualidade, tão pouco explorada até então. Eram tantas emocões reprimidas que eu precisava de um gasto imenso de energia para conter tudo isso. Só quando comecei a fazer terapia, foi que entendi que não funcionava simplesmente jogar tudo pra baixo do tapete. Quando comecei a expressar a dor e a raiva contidas é que fui perceber quanto mal aquilo me fazia. Também fui percebendo como meu corpo se moldou ao longo dos anos pra carregar todo esse lixo. Os ombros caídos pra frente fechando meu peito e impedindo o coração de sentir. O abdômen, centro do poder pessoal, flácido e sem tônus. As pernas tensas de medo. No sexo, às vezes brochava, às vezes gozava rápido demais. Quando conseguia transar, não me sentia conectado com minha parceira.

Aos poucos fui revisitando e compreendendo melhor a minha história. Na infância, para manter o papel de bom moço, filho único bem comportado e aluno nota dez, muitas vezes eu precisei engolir o meu choro e a minha raiva. Chorar e gritar de raiva não era aceitável para aquele personagem que eu fazia. Sem confiar nas minhas emoções, fui me tornando um adulto inseguro, tímido e deprimido. Quando comecei a entrar em contato com essas emoções nas meditações e sessões de bioenergética, fui me tornando mais leve, seguro e extrovertido. Expressar a dor e a raiva reprimidas abriu espaço para histórias de amor muito profundas, amizades verdadeiras, uma guinada na minha vida

profissional e muitas outras aventuras. Na sexualidade, fui soltando a culpa e os preconceitos: a ejaculação precoce diminuiu, enquanto o prazer e a conexão com minha parceira aumentaram muito. Fazer as pazes com as minhas emoções foi como tirar o freio e seguir o fluxo da vida.

Talvez você não fosse o(a) certinho(a). Talvez fosse o(a) revoltado(a), o(a) destrutivo(a) ou o(a) pervertido(a), mas não conseguia entrar em contato com a sua alegria ou criar uma conexão de amor. No fundo, a lógica é a mesma: emoções reprimidas que ficam distorcidas, deformam o corpo e/ou viram doença. Pra mudar o rumo dessa história, é preciso ter coragem de se conhecer e, aos poucos, resgatar o corpo e o coração.

 por Anand Naveen