O medo é uma armadilha que prendeu o amor

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José Angelo Gaiarsa – fragmento do livro Sexo Reich e Eu

Era uma vez um rato que de repente se encontra em uma gaiola. Ele estava faminto e logo que entrou sentiu o cheiro do queijo. O queijo estava bem no centro de um estranho prato circular.  E quando, de água na boca e coração batendo rápido de antecipação, ele tocou o prato com uma das patas, levou um choque elétrico violento que o fez dar uma pirueta no ar.

Logo que tocou o chão, correu para o canto da gaiola mais distante daquilo que mais queria. E lá ficou até que a fome, crescendo, foi lhe dando coragem para outra tentativa. E ele se achegou, e levou outro choque, e deu outra pirueta de tortura e de novo se recolheu ao canto distante da gaiola. E ficou esperando, esperando, esperando, até que a fome o iludiu de novo e ele voltou, e se machucou, e fugiu…

Ficou muitas horas assim, indo e vindo entre a fome e a dor, entre a fome e o medo, entre o medo e a esperança de comer. Mas a cada novo ensaio o rato parava um pouco mais longe do canto afastado e um pouco mais próximo do prato fatídico. Por fim aquietou-se a uma pequena distância do prato, mas sem tocá-lo!

O visitante que chegasse ao laboratório nesse momento se encantaria com o ratinho tão bem-educado que se mantêm assim, tão quietinho tão próximo a um naco de queijo! Sua surpresa seria muito, porém, se ele tentasse fazer com que o rato se mexesse. Tudo se passaria como se o bicho estivesse pregado no chão. E o visitante ficaria muito perplexo. Tudo tão lógico não é?

É assim que me sinto diante de uma mulher, desde que nasci. Espero que para o leitor tenha sido diferente. Mas não creio, nem que o leitor jure. Vamos falar então de nossa dor comum.

PROCURE SAIR DESSA ARMADILHA

Por Milan

Ser homem significa não ter medo. Quer dizer, nós somos criados desde pequenos como se não pudéssemos sentir medo. O pior disso tudo é que a gente acha que não tem medo. É quase impossível um homem admitir que tem medo de uma mulher, e desculpe, todos os que eu conheci tem medo de mulher. Eu aprendi comigo mesmo. Eu nunca achei que tinha medo das mulheres, mas eu não entendia porque quando me tocava o coração eu não chegava perto delas. Eu sempre tinha uma justificativa: não me deu bandeira, até que não me interessava tanto… Era muito difícil sentir.

Na verdade eu tinha muito medo da minha mãe, mas muito medo mesmo, pois aquela mulher que eu amava tanto podia me machucar, me ferir.  E isso ela fez muitas vezes . Daí, a cada mulher que tocava meu coração, me vinha automaticamente um impulso dentro que eu não decifrava como medo, mas era um impulso de desviar, de se afastar, de não concretizar. Olha, precisou muita bioenegética para eu sentir lá dentro o medo que eu tinha e como eu transferia isso para todas as mulheres. Como isso foi trágico para minha adolescência e para boa parte da minha vida adulta. Quantos amores eu perdi! Quantos amores! E essa é a coisa mais preciosa, por isso que dói muito. Já detonei muito dinheiro, mas não traz 1% da dor que traz os amores que eu deixei de viver. Que saudade! Por outro lado eu sou muito grato porque eu descobri isso. Eu pude desbloquear meu medo das mulheres e não perdi mais amores. Vivi muitos. Eu só lamento os que eu perdi porque foi muito bom os que eu vivi. Então eu posso fazer essa comparação. Nós homens temos que ter essa humildade e buscar ajuda o quando antes para podermos sair desta armadilha.

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Vazio após a transa

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Por Joaquim de Abreu

Aos 20 anos acabei um relacionamento. Acabei nada. Levei um grande pé na bunda. Fui trocado por outro. Eu não acreditava que tinha recebido um fora! Fiquei tão mal que não queria me apaixonar por mais ninguém. Botei na minha cabeça que iria transar com o maior número de pessoas e vezes possíveis. Transava toda semana com novas mulheres, mas toda a mulher que eu ficava não preenchia o vazio que sentia. Eu achava que era uma questão de quantidade, mas toda a transa era a mesma coisa de sempre, era igual a uma masturbação. Até eu estar com a mulher era uma alegria, mas quando começava a transar, perdia um pouco a alegria e pensava em qualquer outra coisa durante o sexo, menos no ato em si. Na real, para mim não fazia muita diferença o tempo da transa.

Eu só transava mais tempo para ficar com uma imagem boa. Mas quando vinha a hora de gozar, eu sentia alívio. E junto uma sensação ruim de asco, de repugnância, uma sensação de que não precisava ter feito aquilo… aí batia um arrependimento de ter trazido ela para minha casa, vontade de fazer ela sumir. Às vezes, eu falava para mim mesmo que era porque tinha bebido demais na noite anterior, mas com o tempo essa sensação foi aumentando, foi acontecendo mais vezes, até que acontecia sempre. No começo, era isso… eu entrava nos meus delírios. Me perguntava porque eu sentia aquilo. Achava que o problema era a mulher que estava comigo. Sempre arranjava um defeito – uma era feia, a outra era chata, a outra eu não conseguia conversar, ou então muito nova, muito velha… eu sempre ia ter uma desculpa. Então, eu fui vendo que não importava quem era a mulher, isso sempre acontecia, e estava perdendo o tesão. Transar, eu transava, mas aquela sensação ruim sempre vinha depois de cada transa.

Um dia, transei com uma amiga que não transava fazia tempo. Era uma amiga e eu a evitava exatamente por isso, para não me apegar. Depois de transar com ela não deu aquela sensação ruim. Eu olhei para ela e deu vontade de ficar junto, de transar de novo ou apenas ficar ali. Isso me deu mais medo ainda. Fiquei estranho, mas escolhi não ver mais ela. Mesmo ela me procurando, inventei algumas desculpas esfarrapadas. Sentia que se eu ficasse mais vezes iria acabar gostando dela. Eu não confiava nela, agia muito impulsivamente, e eu podia acabar me ferrando. Sumi da vida dela. Mas percebi que tinha a ver com a minha escolha de não me apaixonar novamente. Eu escolhi não me apaixonar e o sexo ficou vazio. Entre mexer no coração ou ter sempre as mesmas transas, escolhi as mesmas transas com aquela sensação ruim no final. Com isso, cada vez bebia e me drogava mais. As drogas me davam mais prazer que o sexo.

O que é a sexualidade?

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Por Mateus Rocha

Está aí uma pergunta que durante a maior parte da minha vida sequer passou pela minha cabeça. Nasci e fui criado em um ambiente em que tudo era feito às escondidas. Não via trocas de afeto, não ouvia nem mesmo discussões. Falar sobre sexo, então? Imagina!

Pois é. Assim entrei na minha adolescência sem nenhuma informação que não fosse de revistas pornográficas ou vídeos surrupiados de alguma maneira. Não falava sobre o assunto nem com os meus amigos. Com as revistas era mais fácil, assim podia me esconder e me masturbar mais “tranquilamente”. Ainda assim com muito medo de ser descoberto. O tempo foi passando. Atravessei minha adolescência sem conseguir viver nada, absolutamente nada da minha sexualidade. Morria de medo de chegar nas gurias. Meu primeiro beijo deve ter sido lá pelos 15, 16 anos. Transar? Aos 20 anos! Na verdade, nem posso dizer que foi uma transa – de tanto medo que eu senti. Tinha pânico de ser descoberto. Nem preciso dizer que o encontro foi uma merda, tanto para mim quanto para minha parceira, tamanha a tensão que vivi naquela noite. Depois daquele dia, mais um longo tempo se passou até eu transar novamente. E depois foi igual. Mais uma vez uma tensão enorme – desta vez diluída um pouco após algumas cervejas. O resultado foi horroroso. Muita atrapalhação, ansiedade, brochadas ou, simplesmente, ejaculação em alguns minutos… Eu sentia muita vergonha perto dos meus amigos, por não ter experiência. Eu sentia mais vergonha ainda perto das mulheres, pois minha falta de prática diminuia ainda mais minha auto-estima. Me achava um lixo, tinha vergonha de chegar perto delas, e um medo enorme de ser rejeitado que estava estampado em minha cara.

Foi mais tarde, a partir de meus 24 anos, que comecei a sentir um pouco de prazer no sexo. Minhas primeiras experiências mais “relaxadas” foram com minha primeira namorada. A partir dalí tive momentos de muito prazer e amorosidade. Durante boa parte do tempo em que ficamos juntos, aproximadamente dois anos. Os últimos seis meses da relação foram uma catástrofe. Ainda tínhamos ímpetos de tesão um pelo outro, transávamos, mas já não sentíamos amor um pelo outro. Quando terminamos a relação, senti-me muito decepcionado e frustrado. Jurei para mim mesmo que jamais passaria por aquilo novamente. Daquela “decepção” amorosa, mergulhei num longo período de seca. Não queria mais saber de mulher. Não queria me envolver com ninguém. Fui fundo no meu trabalho, investi todo meu tempo na “minha carreira” e assim passaram-se anos. Eu acreditava mesmo que estava fazendo o que era certo para mim, e para o meu futuro. Mesmo depois, quando a tensão foi relaxando e eu comecei a sair novamente com mulheres, tinha encontros legais, mas que não passavam de “passatempo”. Eram transas rápidas, em que ou eu ou minha parceira tínhamos um breve momento de prazer, e depois dormíamos. Sempre que eu começava a me sentir apaixonado, acabava arrumando uma desculpa e parava de encontrar aquela pessoa. Ou era uma viagem, ou me enfurnava novamente no escritório, trabalhando.

Minhas transas eram como se eu vivesse uma “fissura”, uma vontade de saciar um desejo do corpo e pronto. Como quando me masturbava, tinha um momento rápido de excitação para logo em seguida ejacular e sentir aquele relaxamento. E parava por aí…

Sem me dar realmente conta, assim passaram-se 10 anos da minha vida! 10 anos! Foi quando percebi que algo estava errado, e decidi mudar as coisas. Isso iniciou um longo processo de mudanças na minha vida, entre elas o ambiente em que vivia e em que trabalhava. Passei a mexer mais com meu corpo, praticar esportes, e procurar me relacionar com outras pessoas, indo ao encontro de novas amizades. Além de esportes, comecei a meditar e a olhar profundamente para a minha vida. Basicamente, o fato de mexer com meu corpo e estar em contato com outras pessoas, trocar experiências, histórias e dificuldades, fez com que eu começasse novamente a gostar de mim mesmo, melhorando minha auto-estima e me dando motivação para buscar as mudanças que procurava. E isso refletiu também na minha sexualidade. Fui descobrindo novas sensações… que a transa podia durar mais tempo, que o prazer depois de uma transa poderia ser muito maior do que uma simples ejaculação, além de “detalhes” simples, como a troca de carinho, a excitação que isso provocava, as sensações de arrepio e calor que aconteciam em meu corpo. Sem dúvida, trabalhar o corpo, meditar e me relacionar com amigos, muitos amigos, mudou muitas coisas em minha vida!

Mamãe me ajuda!

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Por Franklin G.

Ainda lembro do verão em que conheci a Laura. Foi o meu primeiro namoro sério e eu estava completamente apaixonado por ela. Na época nós dois ainda éramos muito inexperientes com o sexo, mas é claro que eu nunca admitia isso. Eu ficava tão tenso quando estava sozinho com ela, que nossa primeira vez demorou para acontecer. No fim, foi ela que tomou a iniciativa, mas o nervosismo foi tanto que acabei broxando. Foi a minha primeira broxada e foi muito marcante. Simplesmente deu um nó na minha cabeça: como era possível broxar com tanta paixão e tanto tesão?! Quando estava sozinho em casa, sentia um tesão avassalador e, na presença da mulher que eu amava tanto, a energia morria totalmente.

Nessa época eu não confiava em absolutamente ninguém para conversar sobre o assunto e tive que lidar com tudo sozinho enquanto me sentia, obviamente, o último dos homens. A situação se repetiu ainda duas ou três vezes até que conseguimos ter penetração e, quando finalmente rolou nossa primeira transa… eu ejaculei em menos de 5 minutos! Meses esperando por aquele momento e tudo acabou tão rápido que eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ao menos tinha conseguido manter uma ereção suficiente para que acontecesse nossa primeira vez. Na próxima, haveria de ser diferente, certamente iria durar mais tempo. Mas não durou. A cada nova transa, minha tensão só aumentava e a ejaculação sempre vinha precocemente. Como tinha muita energia, conseguia transar duas, três vezes em sequência, quase sem intervalo (às vezes, quando estava bêbado, até mais vezes). Isso amenizava o problema, mas não resolvia, pois a Laura nunca chegou ao orgasmo comigo. Mesmo assim ela sempre foi muito compreensiva. Compreensiva demais. A situação se repetiu ao longo dos dois anos e meio em que estivemos juntos e ela nunca reclamou. Na verdade, o assunto era tabu para os dois e não nos sentíamos à vontade para falar sobre nossa sexualidade. Eu nunca havia conversado sobre essa questão com ninguém. Achava até que o que estava acontecendo com a gente podia ser normal. Como consequência, nosso amor foi se deteriorando até o dia em que ela me traiu. Foi a desculpa perfeita para acabar o relacionamento e me livrar daquele fardo que eu carregava. Após alguns dias de tristeza e invalidação, se seguiu um sentimento de alívio junto com a certeza de que eu nunca mais queria passar por aquela situação.

Quando comecei a sair com a minha segunda namorada, Catarina, fiz de tudo para me manter numa posição de controle, me sentindo dominante na relação. Dessa vez eu tinha que ser “o cara” e era ela que iria me admirar e depender de mim. À primeira vista, a estratégia funcionou, pois, sem a tensão inicial de ter que agradar, eu conseguia controlar a ejaculação da maneira que eu quisesse. Praticamente eu podia decidir exatamente a hora em que queria ejacular. O sentimento de controle e as transas mais longas melhoraram a minha auto-estima, mas ainda parecia que faltava alguma coisa. Da mesma forma que a Laura não chegava ao orgasmo, a Catarina também gozou poucas vezes comigo. Estava confuso, mas claro que sempre existia a possibilidade de ser um problema dela e não meu. Com o passar do tempo, fui eu que perdi o interesse na relação, me afundei no trabalho e nos estudos e comecei a me afastar cada vez mais dela. O resultado disso tudo foi mais um final melancólico de relacionamento, mas dessa vez com uma diferença: no lugar da sensação de alívio, fui tomado por um sentimento de indignação e a certeza de que eu queria mais pra minha vida.

Resolvi procurar uma clínica

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Caso 1 – Vicente L.

Marquei a consulta pelo 0800. Chegando lá no dia fui encaminhado para uma sala em separado, onde o atendente me passou um formulário com uma breve anamnese da minha saúde. Entrego a ficha e sou encaminhado para o primeiro médico. Me pergunta sobre o meu problema. Há quanto tempo venho brochando, se tenho parceira, se ela sabe que estou na clínica, se é problema em ter ou manter a ereção e se me masturbo. Depois disso, ele me esclarece que o problema pode ser físico ou “psicogênico”, sendo que se precisar de cirurgia, a clínica não cuidará do problema. Então sou encaminhado para os exames.

Outro médico vai e me busca para fazer os exames. Ele começa fazendo perguntas que estão em um formulário no computador, “vamos fazer isso daqui rápido para não perdermos tempo com bobagem”. Faz duas ou três perguntas, não muito diferentes daquelas feitas pelo primeiro médico e vamos para o exame.   Apalpando meu pênis e logo indica que a musculatura está ok. O segundo exame, um ultrassom, verifica que a circulação está normal. Já no terceiro exame, um vibrador com diferentes intensidades na glande, conclui que está dentro dos parâmetros. Depois dos exames, me diz: “seu problema é de origem psicogênica, rapaz. Você está como o jogador de futebol que vai bater o terceiro pênalti depois de ter errado outros dois, vai muito tenso para transar, aí não consegue mesmo. Mas vamos providenciar o tratamento. Vamos te treinar, tirar o goleiro para você bater o pênalti. Depois, vou te avisar que o goleiro somente pulará para o lado esquerdo. Por fim, quando você estiver pronto e confiante novamente, deixaremos você bater sem ajuda nenhuma”. Então me explicou no que consistia o tratamento/treinamento: “enviaremos para a sua residência os remédios que nós mesmos fabricamos para ajudar no seu problema, são dois ansiolíticos e um remedinho para ajudar a circulação”. Ele indicou que precisaria de seis meses de tratamento e o meu problema estaria resolvido. Era só retornar a cada sessenta dias para checar o andamento do tratamento e o resultado da medicação. Simples assim, com três comprimidos ao dia, tudo estava resolvido, nunca foi tão fácil.

Passo para outra sala. O atendente passa a máquina do cartão. R$ 250,00 a consulta. Espero um pouco mais e sou chamado pelo primeiro médico. Ele me questiona, então, se havia ficado claro o tratamento, se havia entendido tudo. Então ele puxa um papel e me apresenta o custo do tratamento: R$ 8.800,00, parceláveis em até dez vezes. Fiquei atônito ao saber do valor, falei que pensei que sairia com uma receita para comprar os remédios, mas ele disse que não, esse não era o procedimento da clínica. Falei para ele que teria que pensar sobre o tratamento, que o valor era muito elevado. Ele me responde: “o senhor é que está com o problema, você é que sabe se vale a pena ou não resolver isso”.

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Caso 2 – Camilo T.

A decisão de ir numa clínica para tratamento de ejaculação precoce não é nada fácil, e se tu decide é porque o negócio já tá incomodando muito, já chegou no limite do desespero. Então vamos lá, respirei fundo e decidi marcar uma consulta na tal famosa clínica especialista em Tratamentos para Ejaculação Precoce, Disfunção Erétil e Falta de Libido.

A promessa para a primeira consulta é descobrir o grau e a extensão de meu problema para, em seguida, sair com uma proposta de tratamento. A clínica teve um cuidado impecável para manter a integridade da minha identidade, tudo é muito discreto. Me levaram para uma salinha de espera que é individual para cada cliente. Ali meu coração parecia que ia sair pela boca, que sensação ruim. Bom, primeiro preenchi um questionário básico com perguntas padrão sobre minha saúde física, histórico de doenças etc.

Após preencher este questionário fui chamado pelo primeiro médico. Fui direto ao ponto, eu disse que tinha ejaculação precoce e que minha namorada estava ficando irritada com esse meu problema. Me perguntou quanto tempo durava a transa, eu disse que no máximo 5 min. Neste momento ele disse que a ejaculação precoce afeta 1 em cada 3 homens sexualmente ativos, e ali eles poderiam me ajudar, que sim, existia um tratamento. E sem muito mais perguntas me colocou para fazer os exames. Pensei, ufa foi rápido. O exame durou apenas 30 segundos. Ele colocou um aparelhinho que emite uma vibraçãozinha na ponta do meu pênis, e pediu para eu avisar quando o aparelho parasse de vibrar. Logo depois usou outro aparelhinho que mediu o fluxo de sangue do meu pênis. E após esses 30 segundos, milagrosamente, o doutor tinha o diagnóstico completo do meu problema e um tratamento! O resultado é: Hipersensibilidade no pênis!

O doutor logo disse que isso é sim um problema que deve ser tratado o mais rápido possível para não ficar mais grave e que, se não tratado, a consequência seria também a disfunção erétil. Na verdade, com o segundo exame, ele me mostrou que eu  já apresentava sintomas de disfunção, devido a um baixo fluxo de sangue no pênis. Na visão do médico o problema é somente físico e o tratamento é uso de medicamentos. Ele traz a solução com muita naturalidade, igual quando um médico te receita um antibiótico ou um anti-inflamatório para curar algum probleminha no corpo.

Quem passa os valores é o segundo médico no qual fui encaminhado pelo primeiro para me dizer como funcionaria na prática o tratamento. E é muito simples, tomar 2 remédios todo dia, e o tratamento teria uma duração de no mínimo 1 ano. Eu teria um acompanhamento, ir 3 vezes na clínica, de 4 em 4 meses, fazer os exames novamente e avaliar se continuo tomando os remedios na mesma dosagem. O valor total do tratamento é R$ 9.000,00. Nessa altura do campeonato eu já nem questionava mais o médico, só disse que precisava pensar e avaliar melhor a proposta. Aí resolvi buscar outro tratamento porque não queria tomar remédio.

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Caso 3 – Leonardo B.

Depois de um tempo convivendo com impotência, tomei coragem e fui numa clínica que trata do assunto. Chegando lá fui recepcionado e encaminhado para uma sala reservada. Fomos para os exames que seriam feitos ali mesmo, utilizando dois aparelhos. Com o primeiro, de forma bastante simples, ele constatou uma hipersensibilidade no meu pênis, que seria a causa dos problemas de ejaculação precoce. No segundo, ele concluiu que a circulação de sangue no meu pênis era muito baixa e este seria o motivo do meu problema de impotência.

Segundo o médico, o tratamento seria muito simples e que dentro de 12 meses, seguindo a risca com acompanhamento periódico, eu estaria curado. Entrei para consulta com um segundo médico e ele olhou os meus exames e falou a mesma coisa que o outro. Aí ele me mostrou uma lista, nela dizia que atualmente eles atendem mais de 500 homens e foi citando alguns de 20 anos de idade com casos que, segundo ele, eram mais graves que o meu.

De volta ao assunto do tratamento, ele disse que saindo dali eu já seria encaminhado para o farmacêutico da empresa que daria início ao processo,  já me entregando os remédios e agendando as próximas visitas. Deixou claro que eu já veria resultados em poucos dias. Mas que eu não deveria me iludir e parar os remédios, pois caso parasse o problema poderia voltar e até mesmo se agravar. Nesse momento pegou na gaveta da mesa um frasco de remédios e disse que o tratamento era simples: eu só precisava tomar aquele remédio todos os dias com disciplina.

Finalizando as explicações sobre o tratamento, fomos para a parte financeira: o tratamento custa aproximadamente R$ 8.000,00 e pode ser pago de diversas maneiras.

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Caso 4 – João G.

Oi Milan. Eu sou o João, fiz Namastê há 6 anos atrás e queria a sua orientação. Meu pai está com problema de ejaculação precoce e impotência. Eu queria levar ele para o Namastê, mas ele tem vergonha, medo, não acredita… então resolvi procurar uma clínica aqui no Rio de Janeiro. Fui eu fazer a consulta para ver como era, se era sério ou não. Cheguei lá e falei como se tivesse ejaculação precoce e impotência. Fiz os exames de hipersensibilidade e fluxo sanguíneo com os aparelhos que eles tem lá e para minha surpresa, os dois deram como se eu tivesse ejaculação precoce e impotência.

Só para ter uma idéia, o normal dentro de uma faixa de 0 a 15 é ter 8 de sensibilidade. Quanto menor o número maior a sensibildiade e os resultados mostraram que eu tinha 2 de sensibilidade. Eu fiquei muito chocado porque eu não tenho ejaculação precoce. Fiz os exames apenas para checar o trabalho para o meu pai. Cara, os preços que eles me deram foram chocantes: R$ 15.000,00 durante 1 ano. E eu ia receber em casa mensalmente um spray que ia colocar embaixo da língua. Além de fazer uma consulta a cada dois meses.

Eu saí da clínica meio decepcionado e queria saber sua opinião já que eu fiz terapia no Namastê e queria muito que meu pai fosse, mas ele não quer ir de jeito nenhum.

RESPOSTA MILAN: Olha, na idade e condição do teu pai, talvez ele não tenha a disponibilidade ou até a possibilidade de mexer com o corpo e as questões emocionais envolvidas e isso é uma decisão que só cabe a ele. Mas ele precisa ser tratado porque o pior é sofrer com a impotência e a ejaculação precoce. Já ouvi falar desses exames e sempre achei estranho, pois isso depende muito do estado emocional da pessoa e os médicos geralmente não levam isso em conta. Mesmo assim, tenta descobrir se outras pessoas que fizeram tratamento ali tiveram resultados e esclarece teu pai sobre todas as possibilidades, para ele fazer a melhor escolha

Performance e Sexualidade

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Por José S.

Minha vida sexual se resumia a transas de no máximo 10 minutos com alguma mulher que eu tivesse acabado de conhecer ou alguma amiga que, assim como eu, estivesse precisando. Mas se limitava a uma transa e se repetia tão raro como um eclipse. E eu achava que tava super bem. Transava no máximo quatro vezes por ano, não durava 10 minutos cada e no fim eu só queria que a pessoa do meu lado sumisse imediatamente. Mas tinha tanta vergonha de todo o ato em si, que não conseguia nem sair e nem pedir pra pessoa ao meu lado se retirar. Seria falta de respeito. Eu tinha um modelo de transa na minha cabeça. Tenho que chupar a mulher, fazer no mínimo duas posições e ela tem que gemer. Tem que estar bom pra ela, tenho que fazê-la gozar, sorrir, curtir o momento.

Então minha vida sexual se resumia a um serviço no qual eu sempre me avaliei muito mal e me sentia péssimo por fazer. Mas tinha que fazer. Tinha que transar, mesmo que de vez em quando, tinha que transar. Como assim, você é homem, mora no Rio de Janeiro e não transa com ninguém? E com isso tudo na cabeça como seria possível curtir realmente o momento, o ato, o sexo? Se o tempo inteiro eu estava pensando nas consequências disso. “O que vão achar de mim se for bom? E se não for? Como ela vai contar pras amigas? Se não for bom todo mundo vai saber! O que meus amigos vão achar quando eu disser com quem foi e como foi?” As mulheres que eu transava tinham que estar nos padrões de beleza do meu ambiente. E eu tinha que ser bom e legal com todas elas. Mulher fora de padrão eu só ficava quando era alguma amiga e batia aquele “foda-se”. Mas essas eu não contava pra todo mundo.

Onde eu ficava nesse quadro? Eu transava com as mais “gatas e gostosas” pra agradar meus amigos e ficar com um status “top” entre eles. Eu tinha que ser bom, transar bem e ser legal com todas que eu transasse. Por mais que elas não me dessem nada, queria agradá-las e manter um bom status entre as mulheres. E eu? Nunca parei pra pensar em mim. Tava bom pra mim se elas fossem um modelo padrão e se elas curtissem a transa. Isso era o que eu acreditava ser bom. Isso era o que eu precisava.

Maconha e sexualidade

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Por João

Por dois anos da minha vida eu fumei maconha todos os dias em que eu respirei. No mínimo dos mínimos um baseado por dia e transei muito pouco ou quase nada durante todo esse tempo. Não que eu não gostasse da coisa, nem que eu fosse muito feio, ou super esquisito, nada disso. E, gente, eu tinha 21 anos, hormônios bombando… O fato é que, mesmo com tudo isso, eu conseguia me convencer facilmente que não precisava de sexo. Como? Aí entrava grande parte da minha falsa espiritualidade da época, que tinha como base um monte de textos e mais textos sobre mestres iluminados e a lenda da consciência do blá-blá-blá… Teoria pós-teoria, eu continuava estagnado, inerte. A realidade é que tanta maconha na minha cabeça abafava, e muito, qualquer emoção que eu pudesse sentir, incluindo meu tesão; consumia toda minha energia, e ainda criava uma falsa sensação de preenchimento.

Eu não digo tudo isso pra responsabilizar a maconha pelo estado lamentável que minha vida se encontrava, não mesmo! Antes disso era muito pior. Entre os meus 13 e 21 anos vivi uma adolescência de solidão, milhões de masturbações e apenas fantasias e mais fantasias. Desejava mil e uma mulheres e não tinha coragem de dar um simples “oi” para qualquer uma delas, tinha apenas amores fantasiosos. Lembro até hoje, de deitar na cama antes de dormir e ficar lá, com o olhar perdido pro teto a fantasiar como seria o dia em que eu criaria coragem e chegaria naquela guria que eu tanto desejava.  Absolutamente nada era concretizado. Não fossem as raras vezes em que o álcool me animou e me deixou desinibido, teria passado a adolescência no zero. Estudava com extremo desgosto, cumprindo automaticamente o papel social de ter que passar no colégio e depois faculdade. O que eu gostava realmente eu nem sabia o que era e tampouco importava.

Aos 24 anos, em meio aquela minha vida iludida do primeiro parágrafo, eu recebi um flyer do Namastê. Pela curiosidade e pela beleza da menina que me entregara o flyer, um dia caí de paraquedas nesse lugar. E que dia! Lembro-me de sentir meu corpo tão vivo, como há muito tempo não sentia. Já tinha viajado e bastante, mas aquilo era tão natural, apenas comigo, minha respiração e meu corpo. Foi incrível!

Nos meses que se seguiram fui me entregando cada vez mais às meditações ativas e à bioenergética e foi ficando cada vez mais claro que a maconha não servia mais para a minha vida. Reconheci que a maconha teve sua serventia no que diz respeito a quebrar com a minha caretice, a fugir dos meus problemas e a sobreviver na fossa. Mas nas vezes que fumei a seguir, comecei a reparar no que sentia, e em detalhes, como a energia em que eu estava ao acordar após ter fumado, e era nítido que acordava esgotado, pesado, seco. Fui me dando conta que usava a maconha muito mais para buscar inconsciência do que consciência. Buscava esquecer minhas preocupações, minha angústia, minha ansiedade, este mundo que parecia um verdadeiro inferno. Queria somente esquecer. E todos os meus prazeres eram esquecimentos. Quando tive consciência disso, minha mudança foi naturalmente acontecendo. As ilusões foram se desmanchando, fui parando de me enganar e as coisas comuns começaram a ter um valor significativo. No decorrer desse processo grandes mudanças aconteceram: comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a viver histórias de amor e hoje tenho o privilégio de viver com 60 amigos em uma comunidade rodeada de natureza.

Alguma coisa está errada comigo

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Todos os meus amigos compartilhavam o quanto eles eram foda na cama. Eu me sentia muito mal com isso, era o único que não conseguia ter uma boa experiência no sexo. Alguma coisa estava errada comigo.

Lembro-me aos 23 anos, quando eu transava com a minha namorada, que todo o encontro sexual era uma frustração. Eu ejaculava nos primeiros 5 minutos de penetração. Eu sentia muita tensão no meu corpo, só funcionava na segunda vez (meia hora depois), e era em torno de 15 a 20 minutos. Era tudo muito controlado, a mulher não podia fazer muito som ou se mexer muito, porque eu ejaculava logo. Apesar de ejacular, que muitos pensam que é sinal de prazer, eu não tinha prazer durante a transa e no final eu só sentia o alívio da tensão que carregava.

Eu fiz várias coisas para mudar a situação. Pesquisei na internet técnicas para aguentar mais, mas elas não mudavam nada, a tensão continuava. Outra coisa que experimentei foi preservativos e produtos que retardam a ejaculação. Também não funcionava, ou eu gozava nos primeiros 10 minutos ou eu brochava por causa do retardante. Também experimentei me masturbar meia hora antes de transar com a namorada, e não fazia grande diferença. Passava muitas horas por dia na internet pesquisando soluções, “pacotes mágicos” para solucionar o problema, técnicas de massagem e de masturbação, nada trazia resultado, frente a uma mulher pouco ou nada era diferente.

Me sentia frustrado e mal porque eu não conseguia satisfazer a mulher, não conseguia ter o desempenho esperado, me sentia pouco homem, era isso que passava na minha cabeça. Eu não pensava em mim, como era para mim a experiência. Só tinha prazer me masturbando, num encontro com alguém a experiência era horrível. Se alguém me perguntasse sobre as melhores transas que já tive, eu não conseguiria falar, até os meus 26 anos eu não tive.

Tinha pavor que algum dos meus amigos soubesse ou que descobrisse e andasse a espalhar por aí do meu problema e que todos zoassem e rissem de mim. Eu só pensava que alguma coisa estava errada comigo e não sabia o que era. Com tudo o que experimentei para solucionar o problema, eu pensava que não era ejaculação precoce, pensava que era algo mais grave e eu guardava como segredo. Eu me tinha conformado que não havia solução mesmo, que era assim mesmo, que tinha que viver com isso pro resto da minha vida.

Já fiquei dois anos sozinho, sem transar com ninguém. Esse problema me impedia de eu chegar nas mulheres ou de deixar que elas chegassem. Eu evitava o problema, para não me sentir mal e frustrado, era certo que isso ia acontecer em qualquer encontro sexual. Eu achava que transar não é algo assim tão importante numa relação amorosa, na minha vida. Por muito tempo eu fiquei frustrado com esse problema, me sentia pouco homem, tive poucos encontros amorosos e poucas experiências sexuais por causa disso e isso me impediu de viver o meu prazer, o prazer no meu corpo.

Do tico cagado ao superman pênis

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Na minha adolescência eu fazia um esforço absurdo para transar mais do que 10 minutinhos. Cheguei a pesquisar várias técnicas que poderiam me ajudar a segurar a ejaculação. Aquela de fortalecer o músculo do períneo, de bater uma punheta antes de transar, e até pensar na vó no momento de gozar. Duvido que a maioria dos homens nunca tenha pesquisado como fazer para segurar aquela vontade louca de gozar.

Eu sentia muito medo de ser rejeitado pelas gurias, e no meio de toda essa insegurança, eu acabava frequentando assiduamente os puteiros de Porto Alegre. Lá era uma maravilha, o paraíso, o verdadeiro parque de diversões. Eu me sentia o cara mais gostoso do mundo, e quando as putas gritavam de “prazer” definitivamente eu me sentia super validado. Até a frustração de gozar rápido desaparecia, afinal de contas eu sabia que não importava, eu era validado igual.

Fiquei nessa onda durante alguns anos, ou ia nos puteiros, ou tomava um trago até sair da “casinha”, ou os dois juntos. Posso dizer tranquilamente que isso só acontecia porque eu ficava muito puto e frustrado quando ia nas festas e não rolava nada. Era muito pânico de chegar em alguma guria, tomar a frente, me arriscar. Obviamente eu sempre acabava procurando o caminho mais fácil, vulgo Farrapos.

Ainda assim o fato de gozar muito rápido me perturbava. Afinal, quando eu tinha a sorte de transar com aquela gata, meu deus, eu não podia fazer feio de jeito nenhum. Foi numa dessas que eu descobri o famoso azulzinho. Fui do genérico até o autêntico Viagra, com ‘V’ maiúsculo. Já experimentei muitos tipos de drogas para sentir prazer, relaxar e pirar o cabeção, mas o azulzinho é arrasador, era um companheiro que me ajudava a ficar extremamente seguro. Ele transformava meu tico cagado em um superman pênis. E posso descrever exatamente os efeitos.

Na verdade era um ritual. Eu combinava o encontro com a gata, levava para jantar (clássico) e quando tudo estava certo, no caminho para o motel ou qualquer que fosse o lugar, eu tomava o comprimido. Eu já sabia, 30 minutinhos antes. E então eu começava a sentir um calor pelo corpo todo, o coração começava a acelerar, o rosto ficava vermelho e quente. Nesse momento um tesão desproporcional começava a surgir do além até que milagrosamente o pau ficava duro tipo uma rocha. Confesso que era tão desproporcional que eu ficava com medo que a guria desconfiasse que eu tinha tomado algo.

Aí é como se tu te tornasse um super herói mesmo, afinal meu objetivo principal era sempre a validação. Para mim era muito importante manter a imagem, de jeito nenhum eu queria que ela falasse mal de mim para as amigas. Quando começávamos a transar era muito e muito tesão, e se o coração já dispara naturalmente, com o azulzinho parece que o coração vai sair pela boca. A vontade de gozar é normal. No primeiro sinal de prazer da companheira, tudo fica tenso e nada é capaz de conter a ejaculação. Mas então, novamente outro milagre, o pênis dá uma bobeada, mas voltava a ficar duro tipo uma rocha. Agora vem a parte estranha, o tesão diminui em uns 95%, e mesmo sem tesão a ereção permanece por muito tempo. A exata sensação que eu sentia é como se meu pênis fosse sempre duro. Eu não sentia mais nada. Na verdade, o que melhor descreve tudo isso é como se eu estivesse transando com uma parte do corpo que não é minha. Essa sensação é realmente bizarra. A partir desse momento a única intenção era proporcionar o máximo de prazer possível para a parceira até ela decidir parar. Então eu me sentia vitorioso. Ganhei dela, como se tudo fosse uma grande competição.

Isso aconteceu inúmeras vezes na minha vida, sempre a mesma coisa, e se por acaso eu sentisse que alguma coisa não estava legal eu já pensava rapidamente: “mandei ver, ah quer saber? Sou Foda! Ela deve estar pensando em mim até agora”. De alguma forma esse pensamento fazia eu me sentir melhor.

A sensação de ter tido uma boa performance sustentava algo dentro de mim, eu me sentia valorizado, era um ponto a mais no placar.

Fui longe nesta viagem, prazer só nas festas regadas a trago e puteiros, até que algo dentro de mim cansou e aquela rotina começou a perder a graça. Não era nada fácil, eu me sentia muito ansioso, e foi nas tentativas de acalmar a ansiedade que eu descobri a meditação. Como eu não tinha nada a perder comecei a meditar. Aos poucos passei a me interessar cada vez mais por mim. Arrisquei, me joguei de cabeça, e com a ajuda das meditações e da terapia bioenergética eu fui desmanchando cada viagem. Hoje aquela necessidade insuportável de validação já não tem a mesma força, abriram vários canais de preenchimento na minha vida, e minha sexualidade é natural, incrivelmente prazerosa. Continuarei neste processo bonito de resgate e, com toda certeza, vivendo uma vida mais plena, real e sentindo o verdadeiro prazer, o meu prazer.

Ser natural, eis a questão

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Nós vivemos num mundo onde enlouquecidamente queremos ser felizes e saciados. Corremos desesperadamente para esse conceito do que é ser feliz. Talvez a questão não seja essa na vida. Acredito que para uma pessoa ser feliz ela tem que ser natural. Temos que resgatar nossa naturalidade. Não a naturalidade do homem das cavernas, mas uma naturalidade amadurecida, preservada e agregada à consciência, à evolução. Infelizmente, o que nós vemos é uma destruição da naturalidade do ser humano, substituída por uma evolução distorcida a tal ponto que uma das coisas mais naturais virou fonte de medo e sofrimento. Sem a sexualidade não existiríamos. Será que você se deu conta que nasceu através de uma relação sexual? Que a relação sexual é uma das maiores fontes de prazer e alegria do ser humano? A grande maioria das espécies transam para se reproduzir, quase que exclusivamente durante o cio, mas que eu saiba, homens e mulheres não precisam de cio para transar. Trouxemos em nós a característica dos animais. Nós também somos animais.

Toda questão de sobrevivência, poder e sexualidade que tem no animal tem também no homem.  Só que no homem começa uma evolução em que a sexualidade se expande para o coração. A diferença de ser humano começa a partir do momento em que você tem a capacidade de amar. Talvez você diga que tem uma cachorrinha que é amorosa e te ama muito. Só que não! Sua cachorrinha é condicionada, ela não sabe dizer não. Talvez muitos seres humanos também sejam condicionados a amar e não saibam dizer não. Existem muitas mulheres e homens que viram cachorrinhos dos seus parceiros. Muitos vão defender que o ser humano é humano a partir do pensamento. Desculpe, Hitler e Stalin pensavam e você os considera humanos? Aquilo que os alemães fizeram na segunda guerra e mundial é humano? O que Stalin fez na Rússia matando milhões, deixando congelar, é humano? Então a capacidade de pensar, de raciocinar é uma qualidade a mais do ser humano, mas isso não nos torna humano. Nos tornamos humanos a partir da capacidade de amar, de escolher, é essa capacidade humana que temos que resgatar. O distúrbio com a sexualidade, a repressão sexual, causou uma sexualidade absurdamente distorcida. O prazer sexual foi substituído por uma descarga. As pessoas mais descarregam na sexualidade do que tem prazer. Se você se apaixonou uma vez na vida, você lembra da qualidade do seu sexo.  Neste momento era totalmente diferente. A partir dessa vida antinatural começaram os distúrbios sexuais: ejaculação precoce, impotência, perversões. Tudo isso adicionado a uma alimentação horrorosa, excesso de comida, vida sedentária e tudo mais.

Um passo fundamental é o resgate de nossa sexualidade de uma forma natural. Este é o primeiro passo. O segundo vai ocorrer naturalmente. A sexualidade vai chegar ao coração. Mesmo que não chegue imediatamente o primeiro passo tem que ser dado. Nós aqui do Namastê estamos há 20 anos tratando questões sexuais de uma forma natural. Nossos resultados são muito bons, mas primeiro a pessoa tem que ter coragem e alguma dedicação. Melhora muito! Não são longos tratamentos, com dois meses você já começa a ter resultado. Muitos me perguntam: “O que você acha do Viagra?”. Você pode ver matérias de pessoas que tomaram Viagra, elas deram seu relato. Não é o meio mais indicado, mas tem pessoas que não tem saída. Só que muitas dessas pessoas que tomam Viagra tem outra saída. Apenas tem medo e vergonha de tratar seu emocional.

Nós resolvemos entrar a fundo na sexualidade e fomos conversar com pessoas que fizeram outros tratamentos para problemas sexuais as quais descreveremos nos próximos textos que serão publicados neste blog. Resolvemos criar esta série de textos sobre a sexualidade masculina com o intuito de informar e falar sobre o que ninguém fala. Iremos omitir os nomes das pessoas que escreveram os textos por cuidado, mas apesar independente disso fica muito evidente as formas de tratamento utilizadas pela maioria dos homens. Principalmente com remédios. Eu não as invalido, as consequências para uma pessoa com impotência e ejaculação precoce são arrasadoras. Detonam suas vidas. Só trazem infelicidade, tristeza e faz gerar outras doenças com toda certeza. Com absoluta e total certeza! Então, às vezes, a pessoa tomar remédios porque não tem outra possibilidade pode ser melhor do que continuar sendo impotente ou tendo ejaculação precoce constantemente. Não acho que esse seja o tratamento melhor. O ruim é que pessoas que podem fazer tratamentos mais naturais não fazem e acabam tomando remédio por não conhecer outros tipos de terapia ou por comodidade. Muita gente que toma antidepressivo, que toma Viagra ou similares, poderiam perfeitamente se tratar com outras técnicas terapêuticas. O chocante de tudo isso é que quem toma Viagra ou faz esses tratamentos não são só pessoas de idade avançada, muitas pessoas dos 20 aos 45 anos tomam.

É obvio que ninguém fala, a maioria alega que é uma garantia, uma segurança, e isto vai detonar sua sexualidade natural, por preguiça emocional. Isto é terrível! Esperamos que esta série de textos te inspire a querer resolver a tua sexualidade. Não deixar mais ela de lado, porque se não, tudo está perdido. Eu te afirmo com certeza que tua vida vai ser um vazio sem isso. Os depoimentos a respeito de tratamento com remédios que serão relatados nos próximos textos que divulgaremos neste blog não são para invalidar este tipo de tratamento, pois se você não consegue tratar de outro jeito é preferível que tome remédio, que vá às clínicas que são mais sérias do que não fazer nada. Sempre a saída natural através do corpo, da expressão emocional, são preferíveis. O importante é que você dê esse passo. Aqui apresentaremos as várias saídas que tem. A vida sexual é uma das formas mais profundas de você chegar ao coração. Distorções sempre vão ter, mas passando por elas, você poderá depurar e chegar a uma condição mais natural que te leve ao coração. Esta é a grande viagem do ser humano!