Bem-vindo à relação livre

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Por Prem Milan

O bicho pegou nesse texto. Aí todo mundo tem que mostrar as unhas e isso é muito bom! Não adianta ganhar mais, fazer 300 terapias ou 5000 meditações se não soubermos lidar com a questão do amor! A única coisa que temos por certo é que o casamento, as relações “fiéis”, mesmo aquelas mais modernas, onde se tem “companheiros” e companheiras”, todas caem no lugar comum: o fracasso! Isto é muito óbvio. Existe muita gente desesperada que se detona emocionalmente e fisicamente e se gruda em relações baseadas na culpa, não no amor, que até existiu em algum momento, mas depois deu lugar à insegurança.

Estamos muito mais preocupados em impedir a felicidade do outro do que propiciá-la. Algo está errado nisso! As relações não duram mais. E as que duram são normalmente forçadas. Não tem brilho. Sou um terapeuta que trabalha basicamente com questões de pai e mãe. E todos os filhos tem questões gravíssimas com os seus pais! Aqueles que não enxergam os erros carregam uma culpa absurda e idolatram o que é impossível. Levamos todo esse lixo para nossas relações. Minha mãe nunca me validou como homem, como pessoa bonita, legal. E como ela faria isso se a relação dela com os homens é frustrada. Para ela, todos são bobos aproveitadores. Como uma mulher que não sentiu prazer, que teve poucas alegrias pode validar o sexo oposto? Acho que que minha mãe nunca teve sequer um orgasmo. Como ela poderia me validar? Lá no fundo, ela ficava puta da cara! A sexualidade é preconceito, foi isso o que ela teve, foi isso que ela fez comigo. Perceber minha sexualidade? Jamais!! Sexo é sujo, pornográfico.

Me lembro bem de uma das transas de maior êxtase da minha vida. Minha parceira gritava extasiada e eu também. Eu ouvia uma vozinha lá no fundo: “é uma puta. Vai fazer isso com os outros”. Ainda bem que eu ouvi essa voz, que normalmente a gente não ouve e broxa. Por ouvi-la, pude combatela. Nela se traduzem  todos os preconceitos que eu recebi da minha família, especialmente da minha mãe. Meu pai foi um excepcional mestre a me ensinar a ganhar dinheiro e levar projetos adiante. A nível de amor, prazer e alegria foi péssimo!!! Minha mãe foi excepcional ao me ensinar a ter princípios, mesmo que eu achasse os dela equivocados. Mas no quesitos alegria, carinho e sexualidade foi péssima. Vira e mexe aparece algum idiota que pensa: “esse cara não amou a mãe dele”. Amei muito mais do que imaginam. Tanto que tive coragem de ser verdadeiro com ela. É preciso coragem para ser verdadeiro. Por isso confundimos amor com lambeção. Ora, eu quero uma mulher pra brigar, discutir, ter prazer e alegria, não para ser o meu chaveirinho!

Nós chamamos de prostituta, ou prostituto, aquele que troca sexo por dinheiro. Como chamaríamos a pessoa que troca afeto por segurança? Aí vão falar que relações abertas tem a ver com libertinagem… O que você preferem? Uma puta ou uma freira? Na real, tudo é puro medo!

Existe uma questão muito fundamental nisso tudo e acho que a relação livre é o primeiro passo. As pessoas precisam ver do que precisam para se completarem como pessoas, com seus parceiros e parceiras. Quanto mais completas, mais vividas e intensas forem as suas experiências, mais profundas e mais abundantes serão as trocas. O caminho às vezes é árduo, mas muito mais excitante, alegre, inspirador e vivo. Olha a tumba que são os casamentos! Olha a tumba dessas relações escravas! Começamos tudo dando um passo de cada vez. Você vai errar, vai se atrapalhar, mas com toda certeza estará desbravando caminhos em vez de andar em círculos! Isto sim é viver! E não tem esse papo decom a parceira ideal vale à pena fechar a relação”. Isso é MENTIRA!! Seja honesto consigo mesmo. Depois, até os seus filhos terão mais facilidade para lidar com esta questão. Porque nós estaremos mais felizes. Este é um projeto para uma vida bela, é o verdadeiro autoconhecimento. Este é o verdadeiro rebelde.

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Relacionamento aberto ou fechado?

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Por Prem Milan

Eu sempre me deparei com esta questão. Há mais de trinta anos. E minha posição sempre foi a favor do relacionamento FECHADO porque para mim possibilitava uma relação mais profunda. Permitia criar uma intimidade maior, uma parceira melhor, uma energia de construção. Trazia um relaxamento, um tranquilidade… Olha, foram várias vezes que essa questão veio à tona, com várias parceiras, e sempre no meu trabalho eu apoiava o relacionamento fechado. Quando batia uma história forte com alguém eu tinha que encarar… Mas para chegar a bater uma história eu tinha muitos e muitos desvios. Mas eu sempre acreditei em relacionamento fechado.

Hoje, 2014, depois de fazer uma profunda revisão da minha vida com todos os relacionamentos que vivi, chego à conclusão que durante mais de trinta anos, a respeito deste quesito eu fui um BUNDÃO! Porque na real, esse “relacionamento fechado”, que traz profundidade, que traz parceria, que traz relaxamento, na prática é pura mentira! Traz é desconfiança, pouca energia, pouca satisfação. A única tranquilidade que traz é infantil… Como uma criança que tem a chance de dormir com a mãe ou com o pai. Porque todos os relacionamentos fechados, acabam virando projeções de pai e mãe.

Na verdade, eu fui a favor do relacionamento fechado por medo da rejeição, medo de ser trocado, ciúme, posse! Mas mesmo assim, na minha vida aconteceu tudo isso: rejeição, ciúme, posse. E sou grato por tudo isso ter acontecido porque senão eu estaria morto. Então, a verdade mais profunda é que eu nunca pensei em função do amor, ou o que era melhor por amor. Sempre pensei em função das minhas limitações e meus dos meus medos. Para justificá-los, distorci relações, que aos pouco vão se tornando perversas, para justificar meu fechamento.

Na verdade, vão existir as relações abertas que acontecem por amor e ou por loucura. Mas até a loucura vem à tona e não fica escondida numa capa espiritualizada. Como eu sempre me incomodei com essa situação, muitas vezes eu me perguntava “Qual a diferença entre a minha relação e um casamento cristão?”. Juro que a diferença estava só na teoria, a embalagem que eu punha nos meus relacionamentos era mais bonita.

Depois de destruir amores por me reprimir, eu adotei para minha vida a seguinte condição: se me bateu, vou viver a história. E fiz isso! Sempre que bateu fui viver a história. Não foram muitas seguidas, mas aconteceu. E minhas parceiras idem. Eu tinha uma tese que era bem boa: se eu sentia atração, eu não falava, porque se eu falasse ia me encher de culpa e eu nunca tomaria um atitude a respeito do que realmente sentia. Então eu vivia a minha verdade e depois lidava com o bafo que dava. Já é uma forma um pouco aberta…

E isso posso te dizer: toda vez que eu encarei meu tesão com outras pessoas tive um up nos relacionamentos. Eu nunca me separei por ter ido viver outra história, ou por minha parceira ter ido viver outra história. A separações se deram sempre pela inanição causada por relacionamentos fechados.

Pensando cá com os meus botões agora que meus hormônios estão mais “cansados”, vejo que por pensar assim, devo ter desviado de muitas histórias interessantes. Pois o fechamento não permitia que muita gente chegasse. E eu também não percebia a energia que era jogada para mim. Esta é a válvula de segurança do relacionamento fechado. Cá pensando devo ter perdido muitas histórias interessantes, deixado de viver muitos amores e de me tornar um homem mais completo. Acho que minhas próprias histórias teriam sido mais suculentas do que foram.

Mesmo tendo uma relação fechada eu tinha uma vida muito dinâmica, estava sempre buscando. Eu sou um revolucionário, eu busco o novo! E isto me trouxe muitos riscos e muitas aventuras. Então minha perda foi pequena. Mas a grande maioria das pessoas na vida normal estão perdendo muito! E eu não quero ser melhor que você, quero te alertar para a importância disso tudo. Não sou excepcional. Nasci numa cidade muito pequena com muito mais preconceito do que você. Com um pouco de coragem, você pode ir muito mais longe do que eu fui.

A verdade é que e olhando para os relacionamentos fechados, vejo que mais do que satisfação, eles trazem tristeza, muita frustração. As pessoas se acomodam e entram num tédio, ficam reacionárias, chatas, manipuladoras e egoístas. Sempre fugindo de todo mundo. Sempre querendo programas à dois. Acaba que a coisa principal do casal é a janta. Cometem as maiores babaquices “em nome do amor”. Regridem “em nome do amor”. Se tornam contra tudo o que é livre. Se tornam carentes e dependentes. O poder pessoal, principalmente das mulheres, é totalmente destruído. É muito lixo “em nome do amor”. Ora, será que isso não deixou de ser amor há muito tempo?

Você olha para as pessoas e não vê nenhum brilho, nenhuma amor. Mas o papo é forte, e a principal palavra que rege essas relações é comodidade. Como diria Raul Seixas “eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Na real a relação fechada, o nome correto e justo é relação ESCRAVIZADA. E o nome real para relação aberta é relação LIVRE, porque você é livre. Você está aí com outra pessoa, por escolha e não por falta de opção, e não por medo.

Eu sei que existe a relação aberta babaca. O cara que não consegue amar, que está com alguém e sai transando com todas e acha que está numa relação aberta. Aí é só transar… o que não é ruim, mas o amor não rola! Relação livre é quando você ama mesmo e mesmo assim tem essa abertura.

Tem uma gurizada na Comunidade Osho Rachana que abriram suas relações. Na real, não abriram suas relações, tiraram as algemas, saíram da desconfiança no amor e estão confiança no amor. Porque eles estão com aquela pessoas por que querem. E aí se pintar outra história elas estão livres para escolher a partir de si mesmo, se querem vive-las ou não, pois não tem um parceiro ou parceira ameaçando, impedindo.

É óbvio que elas passam por conflitos. Mas estão nisso. Agora, se você está toda hora querendo caçar e ter outras histórias, acabe tua relação porque ela morreu! Mas deixar essa porta aberta para que se bater você possa viver, é confiar no amor, é confiar no taco. Isto é muito mais liberdade, muito mais amor do que ficar sendo “back de buceta” (back significa zagueiro em futebol), por favor… Se dê conta!!!

À esse povo eu digo “estou com vocês”. Pode baixar porrada, que a nossa consciência e o nosso amor não tem medo de reacionários! Nós estamos criando o novo! E o importante é que não seja uma competição, é importante que quando pintar uma história, que realmente você esteja sentindo, que vá viver. E que você não dê nenhuma pista, e que você nunca queira saber isso do seu parceiro, porque isso não interessa, para criar a verdadeira liberade. Isto é profundidade. Aí você vai trabalhar o seu ciúme de verdade! E pode ficar tranquilo, não vai ser uma chuva toda hora. Mas o fato de estar se sentindo livre muda totalmente a relação.

Você não precisa estar se cuidando, você não precisará armar defesas para que ninguém chegue em você. Você anda livre leve e solto. E vai ter muito mais energia para todas as outras coisas!

Todos condenam o casamento cristão. Todos os espiritualistas, sejam eles do osho, budistas, ou do cu fincado. Mas a verdade é uma só: acabam tendo uma relação cristã porque a posse, o ciúme continuam ali. Podem colocar sobrenomes lindos que vão desde profundidade, conexões da alma, vínculos de vida passada. Tudo é posse! Casamento cristão.

O início da liberdade começa na relação livre. Daqui a algum tempo você vai até se esquecer dessa palavra. Hoje em dia todas as relações são um problema. Porque o homem internamente está culpando a mulher pela sua frustração. E a mulher faz a mesma coisa com o homem.

Obrigado por vocês estarem tentando isso! Você estão trazendo o novo! Que bom! E tem muita gente que não quer tentar isso. Tudo bem! Você pode simplesmente olhar e encarar “cara, eu não consigo encarar isso”. É muito melhor do que tentar derrubar a liberdade dos outros. Se eu sou escravo, eu tenho que quebrar minhas correntes e não tentar acorrentar os outros para não ter nenhuma referência de liberdade.

Eu sei, vai dar muito pau isso. Mas que bom que estão tentando, estão se expondo. Vocês vão passar por dores, por raivas, por desesperos, mas vão crescer, vão se satisfazer e se tornar maduros. Vocês vão sentir o sabor de uma sexualidade profunda. Vão ter êxtases que a imensa maioria jamais sonhou. Vocês vão voar nas asas da liberdade. Vocês serão orgulho para seus filhos e netos, porque terão histórias lindas para contar.

Eu passei por muitas situações dessas e sou agradecido. Respeito o espaço de cada um. Mas de alto e bom tom, não diga que tem uma relação aberta. Diga que você tem uma relação LIVRE.

E que todos os caretas vão beijar a mão do padre!

A Política da Mamãe

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Por Prem Milan

A Política da Mamãe
Fiquei muito decepcionado com a política no Brasil nos últimos tempos, principalmente com o PT, um partido em que militei e lutei durante muitos anos. Já cedo, antes do PT começar a ganhar poder, eu já pressentia que o próprio PT ia se deteriorar. Nós não tínhamos a menor consciência a respeito de nós mesmos e atribuíamos todas as nossas dificuldades e problemas a algo que estava fora de nós e, na realidade, estava dentro. Não havia a menor vontade de transformar a si próprio, pois todos nós atribuíamos ao sistema o problema, o qual não deixa de ser verdade, mas nós também fazíamos parte do sistema e o reproduzíamos internamente. Então, toda nossa boa vontade, todo nosso humanismo, todo nosso revolucionarismo, acabavam contaminados pela nossa base interna.
A política não vai resolver nada. Porque a política é o ato de você dar poder a alguém para que faça a transformação para você. Isso não é possível. Ninguém, pode transformar nada por você. Deixei de ser militante, porque compreendi que a minha neurose ia me impedir de eu viver o amor, a alegria, o prazer e a bem-aventurança. Aí percebi que eu tinha que mudar a mim mesmo e através disso eu poderia tocar as outras pessoas.
Conheci muito bem o Lula dos anos 80. Não esqueço jamais a campanha de 89 pela beleza, pela solidariedade humana. As pessoas estavam ali porque acreditavam. Aquela derrota para o Collor de Mello foi algo fatal para os nossos corações. A partir disso, Lula e o PT se desvirtuaram e começaram a fazer concessões pra chegar ao poder. Não conseguiriam concorrer com PSDB, que tem “profissionais” muito tarimbados, sabem esconder tudo! Haja visto que durante o governo deles, ninguém nunca foi preso por corrupção. Pelo menos durante o governo do PT foi possível investigar. Mas acima de tudo é doloroso ver o PT assumir as práticas do PSDB e cometer os mesmos atos de se aproveitar pessoalmente das vantagens. Isso significa botar o dinheiro no bolso. Manter o mensalão que os outros governos criaram. A vergonha é que o PT acabou fazendo o mesmo que eles faziam, só que agora em nome do socialismo, o que é a mesma merda!
Apesar de toda essa bandalheira na política, eu não deixo de votar. Óbvio que vou votar. Vou tapar meu nariz, vou votar! O baixo nível é demais, é estarrecedor. A falta de conhecimento, a falta de alguma ideologia, a falta de qualquer critério é extremamente vergonhosa.
Resolvi escrever isso porque ouvi no radio a mãe de um candidato falando para o filhinho não brigar e o filhinho dizendo: “sim mãe, eu não vou brigar”. Até achei que ele estava concorrendo a presidente da creche! Fiquei chocado com o candidato a governador dizendo “mãezinha eu não vou brigar”! Tipo “eu não tenho malvadeza, só tenho coisas boas, esqueçam meu passado…” Gente! Honestamente, me sinto tratado como débil mental! E talvez esse cara vá ganhar mesmo a eleição para governador! Uma pessoa que faz uma propaganda desse tipo? Ai, my god!! E aí, quando eu vejo país afora é tudo nesse nível. Tudo tão pequeno…
Realmente, a politica não vai resolver nada, absolutamente, nada! As diferenças são mínimas entre os candidatos. Mas tem, alguma diferença! Como era bom o tempo que pelo menos o PT tinha alguma ideologia. O PSOL agora tem um pouquinho… A Luciana Genro era disparada a melhor candidata. Tem cérebro e coerência! A Dilma e o vaselina do Aécio não chegam nem perto dela. Mas ela não reflete a realidade de nossas consciências… Na real, a consciência nossa é pra ter candidatos que nem esse, que vai obedecer à mamãe. Provavelmente, no dia da posse ele vai cantar “o bom menino não faz pipi na cama, o bom menino obedece aos mais velhos…”
É triste… Mas esses políticos são o reflexo de nossa inconsciência. Não só na política, mas nossa inconsciência PESSOAL! Os políticos usam esse apelo, porque nós pessoalmente em nossas vidas agimos como crianças regredidas, temos medo de tudo e de todos. Em nossas amizades, nós nunca damos a real. Viramos um bando de vaselinas. Se alguém dá a real, se alguém confronta, todo mundo vira as costas. Só que a vida emocional das pessoas não melhora, cada vez mais estamos tomando antidepressivos.
Eu sou de uma época que se uma pessoas usasse algum remédio psiquiátrico ela teria vergonha. Ela faria tudo antes de chegar a esse ponto. Hoje em dia isso virou solução. As pessoas não têm vergonha de dar Ritalina para crianças!! Médicos pediatras chegam ao cúmulo de receitar remédios psiquiátricos para crianças! Isso é crime!!! Isso é uma vergonha! É declarar o ser humano como incapaz! Você assume uma incapacidade. E você sabe porque nós nos tornanos incapazes? Porque temos medo de tudo. Investimos em relações pobres para não ficarmos sozinhos. Queremos evitar a dor emocional e caímos em depressão. E, se nós não voltarmos para uma busca pessoal e tivermos relações mais ricas, mais verdadeiras, nós sempre teremos políticos pobres. Teremos que votar num politico que obedece a mãe!!
Ora, amo minha mãe. Relação de mãe e filho é uma relação de amor muito profunda. Agora, os conceitos que minha mãe tinha para a vida não posso levá-los, pois eram uma tragédia! Os conceitos que tinha sobre sexo, amor, liberdade e prazer eram muito pobres. Ela viveu muito pouco o amor, a sexualidade e o prazer. E eu tenho certeza que a alma da minha mãe não quer que eu seja frustrado como ela foi em vários desses quesitos. Por amor à ela, tenho que ser muito mais que ela e andar muito à frente.
Agora esse apelo por mãe é horrível. E ainda por cima usando um conceito horrososo que é evitar o conflito. Conflito é fundamental em nossas vidas, principalmente se conseguimos resolvê-los. Por isso os amores acabam muito rapidamente. Conflitos são os atritos fundamentais para manter os amores vivos. Homens e Mulheres se amam e se atraem porque estão em conflito por serem dois seres diferentes!
O teu voto não é uma solução, mas a consciência sim! Todos nós somos responsáveis por a política ter virado esse atraso, esse desrespeito ao mínimo de nossa consciência. E se nós quisermos que isso pare, temos que mudar. Temos que ter a coragem de encarar nossos fantasmas emocionais, temos que resgatar a verdadeira amorosidade, não essa amorosidade de igreja! Eu fico chocado quando vejo candidatos fazendo jogos hipócritas dessas igrejas, de todas as espécies. E todas as igrejas são manipuladoras, todas vão contra a natureza do ser humano. Só criam culpa, tristeza e angústia. As igrejas criam isso em nós desde crianças, seja ela de qual matriz for. Não sou ateu, tenho uma espiritualidade e essa espiritualidade tem como regra básica o que todas as religiões falam e não praticam: que deus está em toda parte e lugar, portanto, ele está dentro de mim. E minha missão nessa vida é cada vez mais resgatar esse deus e não adorar deuses fora, que permitem que eu seja sacana porque depois sou perdoado por umas rezas. Se ele está dentro, minha responsabilidade é muito maior e minha consciência tem que ser também.
Infelizmente, essa idiotice que está aí é o que nós merecemos.

Como nossos pais…

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Por Shuyam

Fique sentado na frente da TV

Não faça força pra tentar entender

A intenção é esconder de você

O que é fácil de ver”

Não estou a fim de escrever só mais um texto sobre como a televisão faz mal e todo o blá blá blá da boca pra fora! Vivo sem televisão em casa há nove anos e vai tudo muito bem, obrigada! Juro que não faz falta. Mas eis que, ao permitir que minha filha de dois anos assistisse a um filme no meu laptop por mais de uma vez, a ficha foi caindo… Fiquei chocada com o grau de hipnose em que a guria entrou! Até prender seu cabelo foi possível!!! Trocar as fraldas e roupas, que geralmente tem dado mais trabalho nesta fase de “deixa-que-eu-faço-sozinha-mamãe”, foi uma barbada! Claro que eu posso dizer que o filme é muitíssimo indicado para uma criança, afinal, era um documentário sobre um tipo de escola alternativa com muitas crianças e etc. Sim, posso justificar, argumentar que é só um pouquinho, que é importante pra criança, mas a real é que aliena, sim! Se eu deixar, ela fica horas a fio em frente a todas aquelas cores e sons.

Já ouvi tantas coisas… Que vai ajudar no desenvolvimento da fala e do vocabulário, que estimula a criatividade, entre outras bobagens. Agora, se você apoia e concorda com os conceitos que são passados pro teu filho, aí eu só tenho a lamentar… E pela criança! Não acho que a Galinha Pintadinha, a Pepa, o Patatá e outros “personagens” têm feito muita falta pra minha filha. Mas voltando ao ponto desse texto, vamos combinar que a TV não seja o vilão da estória e vamos olhar pra comodidade que é deixar os pequemos ali, na companhia dessa babá perfeita!!!! Custa bem baratinho, não tem encargos salariais, está disponível em todas as casas (e em todos os quartos) ajuda a trocar roupas, dar comida (quem não gosta de comer em frente a TV?), ensina musiquinhas, nos permite tomar banho com calma, arrumar a casa ou ter tempo pra atualizar aqueles contatos, eventos e outras bobagens do fakebook!

Enquanto isso, a tua criança vai ficando domesticada, domada. É verdade! Uma criança com seu instinto, sua energia selvagem e sua alegria geralmente incomoda! Eu sei! Várias vezes me peguei querendo uma filha um pouco mais quietinha… Mas aí , basta eu olhar pra dentro de mim, para ver que merda ter sido uma menina quietinha e comportada, com medo de tudo, principalmente de incomodar minha mãe. Como era pra ti? Errado ter muita energia na tua casa? Será por acaso que você se tornou um adulto sério, chato, sedentário, sem energia pra nada e que não consegue se divertir? Olha, se tu acha que a tua vida está boa assim, não é problema meu. Mas te liga porque o teu filho pode estar querendo e precisando de outras coisas, ou melhor, ele pode estar precisando de você… É verdade!

Qual teu ganho nisso tudo? Já se deu conta que a criança “amansada” desse jeito te protege de entrar profundamente em contato com esse ser pequeno que quer argumentar, dizer “não”, brincar, subir e descer as escadas??? Se você quer deixar seu filhote em frente a TV, ok, mas não se engane. Não está fazendo bem a ele! Não engane a si próprio!! Tu acha que relaxa em frente a TV?? Só dorme com ela ligada? Ela te relaxa ou te desconecta? Se é um alívio deixar a criança ali, se pergunte se o alívio maior não é poder se desligar do que acontece contigo mesmo. Um filho nos põe em contato com o que há de mais profundo, misterioso e difícil de encarar em nós mesmos. São pequenos espelhos, enxergando e refletindo como realmente estamos.

E somos nós, os pais, os verdadeiros vilões da estória. Ou melhor, os que podem se responsabilizar e tentar fazer diferente. Lembra que a tua atitude e presença valem muito mais do que qualquer coisa, mesmo que erradas, mesmo que você esteja triste ou se sentindo mal. Que tal dar a real pro teu filho? Não teria sido bom pra você se tivesse visto os teus pais tristes e com problemas (na verdade isso você via!) e se eles te dissessem o que estava de fato acontecendo? Você se sentiria mais conectado com eles, com mais confiança na tua percepção. Mas eles te mandavam brinca lá fora ou… VER TV!!! Foi assim que você começou a acreditar que o que sentia era errado… Então, não se engane, não engane a tua criança! Ela sabe, vê e sente tudo isso. Só depende de ti ajudá-la a confiar em si mesma.