Pra Valer a Vida Ame!

por Prem Milan

 

Qual é a graça de passar a vida sem amar ou amar pouco? Qual o sentido? O amor é algo fundamental para o ser humano. É a partir daí que você começa a se conhecer como pessoa, como ser humano. Talvez você ache que o ser humano é humano pelo fato de raciocinar, pensar… Ora, Hitler pensava e raciocinava. Todos os malucos que estavam com ele, queimando e colocando os judeus em câmara de gás, estavam raciocinando. Agora, com certeza, não sabiam o que era o amor.

O ser humano se torna humano a partir do amor. Era isso que nós devíamos conhecer, muito mais que as máquinas, muito mais que eletrônica, os computadores. Deveríamos ter um estudo mais desenvolvido sobre o que é o amor. Amor não é aquilo que o padre fala na igreja. Não é uma frase feita cuspida pelo prefeito da cidade pra convencer os desavisados. Amor é LIBERDADE; uma energia incrível que pode propiciar o crescimento de si próprio e dos outros. O amor tem frutos. Quando o amor não consegue partilhar com outras pessoas seus conhecimentos, suas conquistas, sua expansão, esse amor é falso, deteriorado. É apenas uma compensação de suas carências infantis, pois o amor de verdade sempre gera criação. Quando você se isola num relacionamento e se afasta de seus amigos, isso não é amor! Isso é medo, é egoismo. O amor é gracioso.

E também às vezes o amor é forte, se expressa em verdades que são contundentes. Uma pessoa que ama profundamente às vezes tem um indiginação contra a opressão, a injustiça. O amor nunca foi, nem nunca será MELECA! Muito menos chantagem, manipulacão, ciúme ou inveja! Isso aprendemos lá desde muito pequenos. Quando um irmão começa a disputar com o outro o amor do pai e da mãe eles começam a perder a capacidade de amar. Eles entram num jogo. Um jogo devido à carência. Viver sem amar é atravessar o oceano trancado no porão de um navio! O amor é que tem a capacidade de transformar, de quebrar com sua rigidez. De transformar seu corpo, de transformar sua saúde física e mental.

Na nossa vida é um fator fundamental que precisa de tempo, espaço, energia. Nós investimos tanta energia em coisas chatas, sem graça. Muitas vezes criamos ilusões a respeito do amor, fantasias. E como ele não corresponde a nossos planos, nos decepcionamos. Nós estamos sempre querendo colocar tudo em trilhos, com idéias pré-concebidas, mas o amor não é uma linha reta. Amor é selvagem, caminha por meios diversos, linhas tortas.

Nós estabelecemos regras idiotas, “devemos amar para sempre. Que bobagem! Quem invetou isso foi a religião, os padres. Exatamente aqueles que não conhecem o que é o amor! Nós nos queixamos porque muitas vezes o amor não dá certo, mas qual a energia que investimos no amor, honestamente? Nosso dia-a-dia é entupido de coisas chatas e mecânicas. No resto do dia, com o resto que sobrou, você quer amar? Não se engane… Se você não colocar uma prioridade ao amor, já era… É a mesma coisa que os pais fazem com os filhos. Dão para eles o resto da energia que sobra do dia ou dos seus interesses banais. Veja uma criança e sua energia. Ela larga qualquer brinquedo para ficar com os pais, para dar uma cambalhota, pular nos seus ombros.

Amor não é uma exploração é um crescimento! Tem várias maneiras, profundidades, aromas, alcances. Olhe de frente pra sua vida e seja honesto consigo. Veja se está dando essa importância ao amor. O amor não precisa de carro, não precisa de uma super casa. Amor precisa de calor, afeição e doçura. A grande desculpa para não amar, é “ah, se eu tivesse grana, amar seria mais fácil”. Mentira! Então os ricos amam mais? Mentira! É possível achar mais amor numa favela que num bairro burguês.

Eu acredito em vidas passadas, não sei bem ao certo quais as regras, mas acho que as pessoas de setores médios e altos, privilegiados materialmente, e que não vivem o amor, provavelmente na outra vida devem voltar como rato, ou coisa assim…

Talvez você fique chocado, mas fico muito mais chocado com a falta de amor, a falta de contato. Não estou falando de amor de relacionamento. Abra a cabeça, á algo maior! Amor por amigos, por uma causa. Hoje não vejo um amor por uma causa qualquer que seja com algum conteúdo.

O amor é aquilo que nutre a vida, é a respiração da alma. Sem ele só nos resta os números, as contas, as posses… Tudo isso é muito chato. Quando eu estiver morrendo, quero estar revendo os meus amores, partilhando esse momento, rindo, chorando juntos. Não pretendo estar com um advogado dividindo posses para A ou B. Coisa chata. Prefiro morrer encantado com lembranças, com pedidos de perdão, sorrisos e principalmente grato por tudo o que vivi, e poder chorar pelo que não pude viver. A maior herança que um pai pode deixar para um filho é ter contribuido para a capacidade dele de amar. E a maior herança que podemos deixar para nossos amores é poder relembrar os êxtases, as alegrias, os momentos de força transformação e a solidarieade nas quedas.

Pra valer a vida ame, seja inteiro, não se engane.

 

Escrevemos todos esses textos porque acreditamos profundamente no amor. O amor não precisa ser ensinado, criado. Você já nasce com toda essa capacidade de amar. A única coisa que nós podemos fazer é tirar as barreiras que o impedem. Nossa intenção cm esses textos é que eles lhe estimulem a tirar essas barreiras para que o amor possa fluir, esse amor que já está dentro de você. Nascemos com todo amor possível, alias, com mais amor do que podemos conter. Nascemos dessa energia que se chama amor. Olhe para uma criança e, se seus olhos ainda não forem cegos, você verá a inocência e a graciosidade. Nós, adultos, temos obrigação de ser uma evolução daquela criança e nosso amor tem que ser mais evoluído, mais maduro.

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Da Solidão Virtual ao Amor Real

Por Shanti Lu

A vida humana prescinde de relacionamentos e era mesmo impossível que o tal mundo virtual não entrasse também nessa área de nossas vidas. No entanto, sendo imprescindível que a gente tenha contato com outros seres humanos, precisamos refletir acerca da qualidade das relações que estamos estabelecendo e as conseqüências disso.

A internet está sendo cada vez usada não só para iniciar um contato com alguém, mas também como fonte de (pseudo) preenchimento emocional. Assim, o que era pra ser apenas mais uma facilidade da vida moderna, virou um vício e, como tal, tem causado muito mais dano que benefício. Na prática, o/a camarada que buscava apenas facilitar ou ampliar seu contato com pessoas está se isolando e se iludindo ainda mais dentro do conforto solitário de seu doce lar ou trabalho. E, quando se dá conta, já está perdendo a maior parte do seu tempo buscando sites, chats e redes sociais, respondendo mensagens e checando se alguém viu o seu perfil varias vezes ao dia, numa verdadeira “larica” emocional.

Se identificou? Então se liga! Você também já é um adicto de relacionamento virtual. Você está disfarçando sua solidão e não encarando-a. Infeliz e contraditoriamente, você não está sozinho, está “acompanhado” de outros zilhões de solitários, numa cadeia que hoje abrange em maior ou menor grau a grande maioria das pessoas que têm acesso à rede.

Sim, a  maioria das pessoas, mesmo as que jamais acessaram um site de relacionamentos, ou um chat de paquera. É só olhar a nossa volta (e pra gente mesmo)  e ver que aquela ingênua e desenfreada troca de mensagens que se faz na mesa de um restaurante quando se está cercado de amigos reais, é, no fundo, uma opção por não se relacionar. Assim como quando no elevador com vizinhos ou colegas de trabalho; no ônibus, metrô, (até dirigindo!); caminhando na rua e, mesmo em casa, cercado de filhos, irmãos… Porque a vida real com gente de corpo presente  está acontecendo o tempo todo à nosso volta e, pasmem, fora das telinhas grandes ou pequenas. Já parou pra pensar nisso?

Você pode estar pensando: “qual a novidade? É o mesmo papo desde que inventaram a TV.” Mas, duas coisas fazem toda a diferença hoje: primeiro a interatividade e agilidade de resposta,  segundo, todo esse acesso acontece em um aparelho pequeno que carregamos no bolso. É como aquelas velhas mini-garrafas de uísque, estão sempre à mão para um golinho. Só que pior, porque o álcool você não vai poder beber, ou vai ter vergonha de fazê-lo no trabalho ou na frente de seus filhos mas, um “golinho” de Facebook ou WhatsApp, quem se importa?

As histórias são muitas, mas não por acaso todas elas acontecem nessa sociedade, baseada no medo e na repressão na qual nos sentimos acuados, desconfiando de todos e de nós mesmos e, por isso, permanecemos super solitários, isolados atrás de laptops, tablets, smartphones… tomando pílulas que vendem felicidade e trabalhando como robôs, mesmo que com algum status , para que a “Grande Máquina” não pare funcionar.

Em um mundo cada vez acelerado, movido basicamente por grana, imagem e status, a internet se tornou uma espécie de deus do qual ficamos dependentes e submissos. Um deus para o qual rezamos todo santo dia e no qual projetamos expectativas irreais, ilusórias, entre elas a de encontrar um amor para viver… Será?

É assustador constatar que  filmes como: “1984”, Laranja Mecânica, Matrix e Ela, se tornaram roteiros que, de forma ou outra, estamos vivendo na realidade.

Qualquer um que tenha assistido Ela (Her, EUA, 2013) se deparou e, talvez como eu, pirou com a equação que envolve amor, solidão, ilusão e realidade. Resumindo muito, o filme conta a história de um solitário escritor que se apaixona por nada  mais, nada menos, que um Sistema Operacional!!! Isso mesmo. E o pior é que o filme é tão bem feito que lá pelas tantas a gente entra mesmo na viagem do protagonista que, apesar de inteligente e sensível, se vê enlouquecido em um relacionamento amoroso pra lá de virtual.

Mais uma vez a sétima arte não está nada longe da realidade. Conversando com muitas pessoas sobre relacionamentos virtuais, surgem as mais variadas histórias, das mais bizarras, tipo o cara que se faz de mulher mega sedutora, cria relações virtuais triangulares com homens casados e depois denuncia os maridos seduzidos às suas esposas. Às “Novas Princesas da Disney” que, encasteladas em seu computador, foram salvas pelos seus príncipes e se dizem, felizes para sempre, ou até conviverem com eles em carne e osso. Tem também os solitários convictos que se preenchem apenas com um bate-papo, uma troca de e-mails, ou uma masturbação movida a brinquedinhos virtuais. Ou ainda, pessoas casadas que mantém relacionamentos paralelos para aguentar seus parceiros e atenuar o tédio de suas relações.

Pra quem está buscando apenas escapar da sua realidade e não transformá-la, ou ainda quer um relacionamento mas não amar de verdade, talvez as mil e uma possibilidades da internet sejam um ótimo serviço. Mas pra quem quer mais do que isso, uma relação só virtual, ou construída na virtualidade não tem como ser suficiente, não tem como aquecer teu coração e te fazer sentir apaixonado de verdade, só na ilusão, na imaginação, na mente.

Talvez você seja muito tímido mesmo e fique apavorado ante a possibilidade de ter que puxar um assunto com alguém que lhe interesse. Ou você não tem mais saco pra ir a bares, danceterias, topar com um monte de gente loucona, em busca de algum possível relacionamento.  Fazer o quê? Paquerar em um Parque, no supermercado? Com o dia claro e sem aditivos químicos talvez te dê mais medo ainda, né?

Mas, e aí? Você pode até encontrar alguém com um perfil que tem afinidade com o seu (se for verdadeiro) mas não há  nenhuma garantia de encontrar alguém pra se apaixonar, amar mesmo. Pode até ser alguém legal com quem você possa conversar e quem sabe até ter algum contato físico, mas a magia toda do amor é outra coisa! E precisa sim, ser desvendada pelos sentidos.

Lembro daquela música do Caetano: “A tua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça… pelos olhos, boca, narinas e orelhas…” Nenhum espaço virtual pode te dar isso. Nenhum amor idealizado, virtualizado vai te dar isso. Não vai te trazer o desafio, o frio na barriga que é o próprio combustível que mantém vivo o amor e te faz crescer, se conhecer mais através da relação. Essa é a melhor parte!

A solidão e o medo do contato fizeram a gente se acostumar com os “enlatados”, mas corremos o risco de viver relacionamentos que não nos nutrem de verdade. A gente pode estar viciado em um monte de porcarias falsas, desde a comida até o sexo, mas comer um enlatado com um ótima embalagem nunca vai ser tão bom e saudável quanto saborear algo fresquinho, vivo.

Não há volta para o avanço tecnológico, ainda bem. Se não nem essa Mosca aqui poderia voar pelo espaço virtual e espalhar o vírus que perturba o sono dos acomodados. Mas, podemos e devemos tratar uma máquina como máquina, uma ferramenta como ferramenta e nos declarar deuses de nossas próprias vidas. Deuses que no fundo somos, de carne e osso, buscando nos conhecer e trocar mais: riso, choro, gozo, grito… Dando toda a nossa energia por um mundo mais amoroso. Mas não o amor das igrejas, nem o dos computadores e sim o amor de verdade que começa no olhar, na pele, passa pelas nossas vísceras e vai até o coração e além. 

Até que a morte os separe

Por Prem Milan

 

Repita pra você mesmo a frase acima. Se preciso faça mais de uma vez. Você vai se dar conta do peso dessa afirmação. Se, brincando sozinho, isso já é por si um peso, imagine agora isso ecoando por anos, sendo repetido de geração em geração. Nossos pai, avós, bisavós… Ao longo da história esse foi o compromisso: até que a morte os separe. Hoje isso me soa mais como uma sentença. Você tem que ficar DE QUALQUER JEITO, de qualquer maneira, com aquela mesma pessoa até o fim de sua vida.

 

O casamento é uma instituição que veio pra tentar domar o amor e tudo que é selvagem. E como qualquer coisa que é domada, o amor, domado, morre. Basta ver os bichos nos zoológicos, são uns mortos-vivos. Isso aconteceu com o amor por causa da tal segurança… As pessoas querem ter a segurança de que aquele homem, ou mulher, não vão lhes abandonar. Essa segurança teve início por uma necessidade social, para estabilizar as famílias, as propriedades… Uma questão de organização social, não de amor! Pro amor isto fez muito mal.

 

Quando você cria esse pacto – e não precisa estar casado na igreja, as vezes até esses relacionamentos “new age”, mais “moderninhos”,  têm esse pacto: “você é meu e eu sou sua”! Uma dominação de consenso mútuo. Quando você faz isso, dobra a pessoa, e o amor perde a graça. Porque você deixa de ter o que conquistar naquele amor, ele se torna garantido. Aos poucos você se contenta com isso, então, são  duas pessoas semimortas juntas.

 

Segurança é bom pra presídio. Amor é aventura. Observe, pois muito provavelmente, neste momento, você está sim aprisionando! Nós agimos assim, vigiamos para que o parceiro, a parceira não fique a fim de ninguém, não fique mexido/a com ninguém. Por medo disso, você se condena a passar o resto da vida sem ficar mexido com mais ninguém. Só que, para acontecer isso, uma parte do seu ser precisa ser negada. Aos poucos as pessoas se de-sensualizam, engordam, ficam feias, tratam mal a si mesmas, elas perdem a cor. Aí, é claro, ninguém olha! Viram dois atrolhos! Só que ficam um atrolho um para o outro também.

 

No período da paixão, quando você está apaixonado/a, todo seu ser vibra de amor. Mas esse período de muito calor e êxtase, passa. Por que? A paixão acaba porque nesse pacto você começa a comprometer sua verdade. O que antes era espontâneo, natural, vai cedendo ao que é esperado pelo outro e até por você mesmo. Vocês transavam um monte, curtiam um monte quando estavam juntos, mas não moravam juntos. Agora vocês moram juntos sobre o mesmo teto. Estão juntos 24 horas por dia, ou em todo o tempo livre – são dois pólos opostos, o negativo e o positivo, em permanente contato. Não há magnetismo que aguente, a atração vai se perdendo. Essa é uma lei natural. Dormir toda santa noite com seu parceiro/a é um absurdo! Pare pra pensar um pouco e se questione de verdade. Hoje não parece ser absurdo porque ouvimos que isso era o certo e vimos todo mundo fazer – a instituição chamada casamento – logo reproduzimos que o certo é morar junto. Quando você não mora junto ou não está todo o tempo junto, se cria aquela atração mais forte.

 

Eu sei que existe toda uma situação econômica por trás, porque facilita economicamente pra família, pra cuidar dos filhos, etc, etc… Mas e daí? O que vemos é que muitas vezes as pessoas passam a se odiar depois que vão morar juntas, aí elas tem que se anular para poder aguentar o convívio. Depois esse peso é transferido para os filhos, que acabam tendo que carregar a responsabilidade desta união mórbida. Quantas vezes os pais não se separam por causa dos filhos? Responda você! Muitas vezes não falam diretamente, mas fica subtendido o tempo inteiro: “por sua causa eu fiquei com  aquele idiota ou com aquela megera!”

Se a questão for econômica, é perfeitamente viável você morar com amigos, ela com amigas e vocês se encontrarem pra se amar. Vai ser muito mais forte e rico. E os filhos? Eu sou separado há muitos anos e conheço pessoas que são separadas e compartilham um monte com seus filhos. Para os próprios filhos é muito melhor ter pais amorosos, que pais casados. Eles acabam sendo muito mais realizados. É claro que tem alguns pais e mães irresponsáveis que abandonam seus filhos totalmente. Isto é outro papo. A questão é, mesmo morando sob o mesmo teto, há pais que não tem um contato real com seus filhos, não dão bola pra eles.

 

Amor não precisa de segurança. Quando o sentimento passar é porque a existência quis assim, porque as coisas são assim. Quando uma historia de amor passa, você tem mais é que chorar e agradecer aqueles momentos lindos e belos que teve e ir em frente. Respeitar essa pessoa e a pessoa lhe respeitar. Se nós não conseguimos fazer isso é por causa de uma deficiência que temos de situações vividas lá atrás, na nossa infância. Quando acontece de um amor acabar e dar fim a um relacionamento, vem um desespero enorme, uma sensação de que vamos morrer. Mas é o desespero daquela criança lá, que não teve aquela segurança do pai e da mãe, não teve aquele amor. Na nossa infância, a falta do pai e da mãe abriram buracos enormes no nosso ser. E isso não tem nada a ver com a vida adulta. Criança precisa saber que o pai e a mãe estarão ali, um adulto não precisa disso. Um adulto é capaz de se mover pelas suas pernas, ter autonomia. Ele não está ali carente, precisando do amor de alguém, ele está ali para trocar amor com outra pessoa. Isso muda o foco da relação.

 

O amor não tem um objetivo. Qual é o objetivo de um relacionamento? É ter filhos? Não! O amor é uma provocação para você crescer, aprender sobre si mesmo na relação e alcançar estágios mais elevados como ser humano.

 

Bonito é quando acontece o amor que pode durar, 10, 20, 30 anos, 1 mês, 2 meses, 3 meses, 4 meses, 5 meses, e sempre crescer. Agora, ficar empacando a vida da outra pessoa e a sua própria em nome dessa segurança é uma sentença de morte. Seguro está o morto no cemitério. Aquele lá ninguém vai incomodar… Você não quer perturbação na vida, não quer desafios, não quer riscos? Morre! E não tem problema, existem mortos verticais às pencas por aí. Basta olhar na rua. Defunto é o que não falta, é só olhar como caminham na rua, como se portam.

 

Para o amor não vai fazer bem você ficar com a pessoa por medo de entrar em contato com suas dores. Nossas dores precisam ser processadas, ou  elas vão se transformar em doenças, não tem escapatória. Ou você prefere viver tomando comprimidos toda hora? Ou se entupindo de drogas, internet, compras, etc pra desconectar? É super importante quebrar com todas essas estratégias de segurança, compromissos, contratos. Tudo isso só faz mal ao amor. Precisamos aprender a confiar no coração.

 

Para mexer nisso tudo, temos que lutar com um condicionamento de milênios, já muito arraigado em nós! Se você quiser manter o seu calor amoroso, você vai precisar de muito trabalho sobre si mesmo. Vai precisar de muita meditação. Eu adoro o mestre indiano OSHO por isso, além de ter criado técnicas fantásticas que nos ajudam a sair desse transe neurótico, ele é o cara que tem a coragem de denunciar tudo isso.

Encarar essa mudança vai trazer uma enorme riqueza para o seu ser. E essa é nossa missão na vida: resgatar o amor, viver o amor.

 

Para um pouco e sente. Teu coração vai te dizer. Nem a morte separa dois corações amorosos. A morte separa dois cadáveres ambulantes.

 

 

 

Amor X Ciúme

Por Gyan Vanmalli e Prem Milan

Acreditamos que ciúme indica amor. Até gostamos que nossos parceiros sejam possessivos e ciumentos, pois assim acreditamos que somos amados. Mas você já se perguntou que tipo de amor é esse?
“O ciúme é uma das áreas em que mais prevalece a ignorância psicológica com relação a nós mesmos, com relação aos outros e, particularmente com relação aos relacionamentos. As pessoas acham que sabem o que é amor; elas não sabem. E esse mal-entendido sobre o amor provoca ciúme. As pessoas acham que “amor” é uma espécie de monopólio, de possessividade, sem entender um simples fato da vida: no momento que possui um ser humano você mata essa pessoa. Osho, em “Saúde Emocional: Transforme o Medo, a Raiva e o Ciúme em Energia Criativa”
Quem sente ciúme parte do princípio de que é o centro do universo e o dono de tudo. O ciumento leva como traição o fato de a pessoa amada (ou nem tão amada assim) ter outros amigos, outras atrações, ex-relacionamentos. Só ele é digno do interesse daquela pessoa. É um sentimento de posse do outro, um sentimento que aprisiona, motivado por uma grande insegurança. É como se, pelo fato do outro estar tendo um momento de diversão, de amor, de atração com outra pessoa que não ele, todo o seu valor fosse para o ralo, como se ele não fosse suficiente. Mas que relação miserável seria essa se ambos fossem suficientes um para o outro! Ou se os dois se contentassem com o suficiente, não buscassem algo mais do que apenas o mínimo.

Tem algo errado comigo…

Mas apesar do ciúme ser esse sentimento horrível e inaceitável para o amor, todos nós sentimos. Sentimos ciúmes de tudo. De nossos parceiros, pais, amigos, ex-parceiros… Quando somos crianças e nossos pais dão atenção ou carinho a outras crianças, sentimos que vamos ser trocados, que eles gostam mais dos outros do que de nós. E eles dão uma mãozinha: “está vendo como fulano se comporta direitinho? Você devia ser mais como ele”… Desde pequenos somos estimulados a achar que não somos certos do jeito que somos e que por isso vamos ser trocados, rejeitados. Isso se repete na vida adulta com amigos e relacionamentos amorosos. Sentimos ciúmes quando um amigo ou amiga sai com outros amigos e não nos convida. Sentimos ciúmes quando o parceiro tem amigos muito próximos, ou quando ele deixa de fazer algo conosco pra fazer com outras pessoas. Sentimos ciúmes até de nossos ex-parceiros, quando começam um novo relacionamento (mesmo quando não os amamos mais nem temos vontade
de reatar a relação)- vem aquela pergunta: “o que ela tem que eu não tinha?”. E tem até o ciúmes da ex do atual parceiro…  Em todos os casos o ciúme revela muita insegurança e comparação, e tentamos compensar esses furos com posse e aprisionamento. É exatamente o contrário do amor, onde tudo flui livremente.

Aonde começa isso tudo?

O ciúme começa lá na infância. Muitas vezes a mãe está carente, numa relação frustrada e, ao engravidar, com toda alteração circunstancial e hormonal, ela se sente preenchida, validada como pessoa por ser capaz de ser mãe. A partir daí, aquele bebê passa a ter a dura tarefa de continuar preenchendo essa carência da mamãe e começa uma relação de posse. Além disso, a mãe pode se satisfazer com esta nova relação e deixar o parceiro de lado, o que desperta o ciúme do parceiro em relação ao bebê (que nem nasceu ainda e já tem que lidar com tudo isso!). Geralmente são relações que estão fracassando e que são alimentadas pela vinda de um filho. Depois, no desenvolvimento da criança, existe a fase em que o menino e a menina querem uma validação sexual do seu genitor do sexo oposto. Perturbados com aquela energia sexual de repente direcionada e eles, os pais e mães tendem a reprimir este processo natural ou, ainda pior, estimular de forma distorcida para sua própria validação. Isso dá origem a jogos de sedução e à fixação do menino com a mãe, e da menina com o pai, muitas vezes estimulada pelos próprios (a namoradinha do papai, o menininho da mamãe…). E começa o conflito da mãe com ciúmes da menina com o pai, o pai com ciúmes da mãe com o menino, as crianças com ciúmes do pai ou da mãe…
Esta situação aconteceu comigo, aconteceu com você, mas talvez você não lembre, porque dói. Ora, complexo de Édipo existe, não é uma peça de teatro. Quando o menino e a menina jogam sua energia sexual e amorosa para o genitor do sexo oposto, eles estão querendo ser validados, reconhecidos, e não praticar sexo com seus pais. Pais relaxados e satisfeitos não ficarão tão inseguros com esta situação, conseguindo reconhecer e atender as necessidades reais de seus filhos. O nível de resolução da sua situação edipiana vai influenciar diretamente no grau de ciúmes que você vai ter.
Eu sinto ciúmes, e todas as vezes que vivi uma situação de ciúme, tive a escolha de me tornar cético, raivoso, medíocre, ou atravessar minha dor e ir além. Isso causou um salto em minha vida. Me lembro de passar o dia inteiro com a mente ocupada com minha parceira e o que ela estaria fazendo. Acho que é assim com muita gente e a energia que se gasta nisso é enorme! Depois, na hora de amar, esse pano de fundo atrapalha muito.
“Ciúme é acúmulo de dúvida e incerteza de si mesmo projetado, jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais pro intenso de ficar com a pessoa.” Fausto Fawcet
Nunca me separei por minha parceira ter estado com outra pessoa ou por eu ter me envolvido com outra pessoa. Passei pela dor, pela raiva… Mas toda vez que eu reprimi uma vontade real e consistente de estar com outra pessoa, isso acabou destruindo o amor que eu tinha. Esta é uma verdade inequívoca.

Tem saída?

Ao invés de buscarmos formas de melhor controlar o parceiro, a parceira, o foco precisa ir para como viver mais profundamente o amor, como amar mais. A vontade de estar com outras pessoas é algo extremamente natural. É parte do crescimento. Eu não seria a mesma pessoa se tivesse amado ou transado só com uma ou duas mulheres. O fato de ter vários amores e várias trocas sexuais na vida, me fizeram um ser humano muito mais completo e possibilitou que eu amasse muito mais as minhas parceiras.
Eu posso afirmar que vivi sete grandes amores. Digamos que em 58 anos é algo razoável, ou você acha que isso é ser uma pessoa muito galinha? Não, tive amores consistentes, que enriqueceram minha vida. Realmente é muito raro uma pessoa não ter ciúmes, mas conheço muitas pessoas que foram crescendo e conseguindo ir além do ciúme, permitindo uma maior abertura em seus relacionamentos. Esse crescimento implica necessariamente em limpar as feridas do passado- da falta de valor próprio,
da insegurança em relação ao amor; para abrir espaço para a experiência real do amor. Como tudo na vida real, o amor não é seguro: é vivo, vibrante, selvagem e não pode ser controlado e manipulado. E aí reside sua beleza e potencial.